O primeiro-ministro britânico Andy Burnham autorizou os Estados Unidos a continuar usando bases do Reino Unido em ataques aéreos contra o Irã. Com a decisão, Burnham mantém a participação britânica na guerra iniciada por seu antecessor, Keir Starmer.
Segundo a Bloomberg, Starmer reuniu ministros e altos funcionários na sexta-feira (17). Na reunião, o governo decidiu permitir que aviões norte-americanos continuassem operando a partir de Diego Garcia, no Oceano Índico, e da base da Força Aérea Real em Fairford, no condado de Gloucestershire.
Burnham foi informado da decisão e deu sua aprovação. O novo primeiro-ministro deverá manter a autorização durante a atual campanha militar dos Estados Unidos.
O governo britânico afirma que as bases são usadas em operações “defensivas”. Na prática, instalações situadas em território controlado pelo Reino Unido servem de apoio para aviões que bombardeiam civis iranianos.
Nesta quarta-feira (22), os ataques norte-americanos chegaram à 12ª noite consecutiva. Foram registradas explosões em Buxer, Tabriz e Chabahar, assim como nas províncias do Curdistão e de Ilam.
O Comando Central dos Estados Unidos afirmou ter atingido centros de operações, instalações de abastecimento, posições marítimas, hangares e depósitos de veículos aéreos não tripulados. O Irã respondeu com ataques contra posições dos Estados Unidos e de seus aliados na Jordânia, no Barém, na Síria e no Cuaite. Ele não se rende e causa sérios danos à arquitetura imperialista na região.
Bases para atacar o Irã
Starmer anunciou, no começo de março, que as bases britânicas seriam cedidas aos Estados Unidos para operações classificadas como “defensivas”. Posteriormente, a autorização foi ampliada para permitir ataques contra posições iranianas ligadas à defesa do Estreito de Ormuz.
O governo britânico alegou agir em “defesa coletiva” dos países do Golfo aliados dos Estados Unidos. A justificativa foi questionada até mesmo por organizações ligadas à defesa do direito internacional.
Yasmine Ahmed, diretora da Human Rights Watch no Reino Unido, enviou uma carta a Starmer na qual advertiu que a argumentação jurídica do governo ignorava as obrigações previstas pelo direito internacional humanitário.
Ahmed citou o bombardeio norte-americano contra a escola primária Xajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã. Mais de 150 pessoas foram mortas, a maioria crianças, no ataque realizado em 28 de fevereiro, no começo da ofensiva norte-americana e israelense.
Uma investigação preliminar do próprio Pentágono reconheceu que as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram o ataque. Um verdadeiro crime de guerra com a cumplicidade dos “democratas” mundo afora.
Ao manter Diego Garcia e Fairford abertas aos aviões norte-americanos, Burnham conserva o apoio material britânico à agressão imperialista. As bases fornecem pistas, abastecimento e instalações para as operações militares contra o Irã.
O “socialista” de Trump
Burnham já se apresentou publicamente como socialista e procurou aparecer como representante da ala esquerda do Partido Trabalhista. Sua primeira decisão importante na agressão contra o Irã, porém, foi preservar a política de Starmer e oferecer o aparelho militar britânico ao governo do “fascista” Donald Trump.
Pouco antes da decisão, Burnham conversou por telefone com o presidente norte-americano. Segundo o gabinete do primeiro-ministro, ele reafirmou o compromisso britânico com a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz.
Trump informou na Truth Social que a conversa tratou do petróleo do Mar do Norte, do comércio, da aliança militar e da retirada de minas do estreito. Acrescentou que a conversa “foi muito bem”.
A aproximação com Trump esclarece o conteúdo do suposto socialismo de Burnham. O Partido Trabalhista governa em defesa dos bancos, dos monopólios britânicos, das empresas petrolíferas e da indústria militar. Na política externa, atua como representante do imperialismo britânico e como aliado do imperialismo norte-americano.
O Reino Unido ocupa uma posição subordinada diante dos Estados Unidos, mas participa do mesmo sistema de pilhagem. Conservadores e trabalhistas apoiaram guerras, ocupações e bloqueios contra povos que se recusaram a obedecer às potências imperialistas.
Democracia e fascismo unidos
A colaboração entre Burnham e Trump também desmente a campanha que apresenta a política mundial como uma disputa entre democracia e fascismo. O regime parlamentar britânico e o governo supostamente fascista norte-americano defendem os mesmos interesses quando se trata de atacar os países pobres.
Democracia e fascismo são métodos distintos de dominação da burguesia. Os grandes capitalistas recorrem a um ou a outro conforme as necessidades da luta de classes, sem que isso altere sua política de guerras, sanções e saque.
O Irã tornou-se alvo porque mantém sua independência, controla uma passagem decisiva para o comércio mundial de petróleo e não aceita as imposições dos Estados Unidos e de seus aliados.
A decisão de Burnham dá uma forma concreta a essa associação. Enquanto cidades iranianas são bombardeadas pela 12ª noite seguida, Diego Garcia e Fairford permanecem abertas aos aviões militares norte-americanos.





