Copa do Mundo

A imprensa brasileira joga contra a Seleção

Entra ano, sai ano, e a imprensa continua sua saga de diminuir o futebol brasileiro e decretar sua morte. Com isso, contribuem para a desestabilização da Seleção

Filhos de Paquetá choram com a eliminação da Seleção na Copa

Mais uma vez, o futebol brasileiro é declarado morto. Desta vez, por Marcos Caetano, em um artigo intitulado Seleção Brasileira, causa mortis: tédio, publicado no sítio Piauí. Tédio mesmo é ter que ler sempre as mesmas notícias, ainda que seus autores tentem ser criativos. No caso, o articulista recorre à música Latin Lover, de Aldir Blanc e João Bosco. Na música, um homem rememora sua primeira relação amorosa com a namorada e, apesar de jurar que o amor é eterno, a canção termina dizendo que “As lembranças acompanham até o fim o Latin Lover, que hoje morre sem revólver, sem ciúmes, sem remédio, de tédio.”

Segundo Marcos Caetano, essas palavras descrevem com exatidão aquilo que sente “diante de mais um fracasso da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo”. Mas, o que ele sentiu com a manipulação escancarada dos resultados? Essa questão extrapola a Seleção Brasileira e atinge o próprio futebol.

O erro do articulista, e de muitos outros, é olhar o resultado e não ver o processo. Escreve, por exemplo, que o que mais o “entristece na patética derrocada dos comandados de Carlo Ancelotti é, por mais estranho que isso possa soar, a completa falta de drama, a absoluta ausência de tragédia. O Brasil eliminado nas oitavas de final da Copa de 2026 não chocou absolutamente ninguém. O mundo inteiro não esperava que chegássemos a lugar algum e… não chegamos. Se isso não for a materialização da irrelevância no mundo do futebol, não sei o que poderia ser.”

Antes de mais nada, como chegamos a um treinador italiano, sendo que já vencemos cinco Copas, todas com brasileiros? Foi feita uma gigantesca campanha de desgaste durante as fases eliminatórias contra os técnicos brasileiros na grande imprensa. Todos os grandes “entendidos comentaristas” apelaram para que se contratasse Ancelotti a peso de ouro. E só por isso o técnico não foi mais criticado. Os ‘geniais’ comentaristas, que parecem ser pagos para perseguir a Seleção, fazem como o gato: derrubam o vaso e escondem a pata.

O Brasil foi eliminado em uma partida em que o adversário só tinha uma jogada, lançar para um atacante na banheira, mas perdeu. Como se diz, é do jogo, futebol é assim. No jogo anterior, contra o Japão, a equipe saiu atrás no marcador, virou o jogo e mostrou que tinha qualidade para chegar à final.

Quanto ao time da Noruega, após eliminar o Brasil, foi alçado pela imprensa de aluguel ao topo da elite futebolística. Seu atacante foi vendido com um deus nórdico. No jogo seguinte, contra a sofrível Inglaterra, quando os noruegueses mostraram aquilo que são na média, um futebol medíocre, foram logo abandonados pelos mesmos comentaristas que não estão nem para latin lover, querem um encontro e já está bom, partem para a próxima.

É absolutamente falso que ninguém ficou chocado com a derrota da Seleção. O País inteiro parou para ver o jogo. Quem pegou o Metrô em São Paulo, para citarmos um exemplo, se deparou com as pessoas vestidas com camisas do time e tristes, em silêncio, como que não acreditando no que tinha acontecido. É absurdo afirmar que “o mundo inteiro não esperava que chegássemos a lugar algum”. O Brasil é o time a ser batido, qualquer um sabe disso. Apenas a classe média, a pequena-burguesia e os comentaristas a soldo é que jogam contra.

Uma prova dessa perseguição é o parágrafo que diz: “A Seleção Brasileira, depois de tanto ser vilipendiada por treinadores retranqueiros, pela busca de objetivos individuais de nossos craques influenciadores, pela asquerosa corrupção da CBF, pela indústria escrota das bets, e até por coisas menos importantes, embora significativas, como dancinhas bestas de comemoração, reportagens sobre o que há nas nécessaires dos atletas e cabeleireiros, coloristas (especialistas em tingimento de cabelos) e fotógrafos exclusivos dos jogadores fazendo parte da delegação – a Seleção está morta.”

Essa campanha de técnico retranqueiro foi justamente a utilizada para trazer o italiano para técnico. Por que um jogador tem que ser acusado de estar atrás de objetivos individuais quando faz o mesmo que qualquer atleta? Além disso, é o sonho de todo jogador defender a Seleção Brasileira. Quem não sabe disso?

A perseguição chega a tal ponto de reclamar de “dancinhas bestas de comemoração”, é proibido ser brasileiro, ser engraçado. A indústria das bets (apostas) pode ser escrota, mas por que não se reclama do banco Itaú? Os bancos roubam bilhões diariamente dos cofres públicos, impedem que se invista em saúde, educação, infraestrutura, escravizam as pessoas em dívidas eternas. Mas, não, o problema são as “bets”, espantalhos do momento.

E o que tem a ver se os jogadores cuidam da aparência ou se andam com fotógrafos particulares? Não, a Seleção não está morta, ainda que os do contra se esforcem muito nesse sentido.

Torcida contrária

De acordo com Marcos Caetano, “a derrota de 2026 não acarretou manchetes desesperadas nas capas de sites, jornais e revistas do Brasil e do exterior. Não teve a foto do menininho chorando no Jornal da Tarde de 1982. Não mostrou comentaristas chorando ao vivo. Nada disso.”

Das manchetes na grande imprensa, inimiga da Seleção, quem pode esperar algo delas? Se não teve foto de menininho chorando, isso não significa que não choraram. E ainda existe o problema de se colocar fotos de crianças em qualquer lugar. Graças ao identitarismo e ao politicamente correto, tudo virou pedofilia.

Sobre a ausência do choro de comentaristas, melhor assim, nada pior que lágrimas de crocodilo.

Diz o articulista que “o Brasil dos últimos tempos jogou – e perdeu – como uma seleção italiana.” Não, os italianos não se classificaram pela terceira Copa seguida, enquanto a Canarinho é a única que participou de todas as edições. É preciso acordar para a realidade.

Em breve, conforme se aproximarem a Copa América e as eliminatórias, teremos o velho bando de aves de mau agouro e corneteiros infernizando a Seleção e decretando sua morte. Vai ver e essa gente vive de vender caixão, pois toda Copa é a mesma e monótona ladainha.

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