A Ucrânia lançou, nesta segunda-feira (20), um drone contra um ônibus de passageiros na cidade russa de Xebéquino, na região de Belgorod, e assassinou ao menos cinco civis, entre eles uma criança. Outras 23 pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave.
O aparelho atingiu o teto do veículo, diretamente sobre os passageiros. No local, foram encontradas dezenas de pequenas esferas metálicas, o que indica que o explosivo levava estilhaços destinados a aumentar o número de vítimas.
O governador interino de Belgorod, Aleksandr Xuvaiev, afirmou que o ônibus foi atacado de forma deliberada.
“Hoje, na cidade de Xebéquino, um drone pertencente aos terroristas neonazistas de Quieve atingiu deliberadamente e de maneira cínica um ônibus de passageiros”, declarou.
A cidade sofreu vários bombardeios ao longo do dia. Outros aparelhos atingiram um prédio público, uma residência e um caminhão, provocando danos materiais.
Localizada próxima à fronteira com a Ucrânia, Xebéquino é atacada com frequência pelas forças do governo de Volodimir Zelensqui. Casas, veículos e estabelecimentos civis estão entre os alvos atingidos.
Ônibus e depósitos atacados
O governo ucraniano ampliou nas últimas semanas os bombardeios de longo alcance contra o território russo. Além de refinarias, redes elétricas e instalações de transporte, os ataques atingiram ônibus, depósitos comerciais e áreas residenciais.
Em junho, sete pessoas morreram quando outro ônibus foi atacado na República Popular de Donetsk.
A Ucrânia também lançou drones contra dois centros de distribuição da empresa russa Wildberries, assassinando oito pessoas e ferindo dezenas. A companhia é uma das maiores plataformas de comércio eletrônico da Rússia e comercializa roupas, móveis, cosméticos e outros produtos de uso cotidiano.
Zelensqui admitiu que os depósitos foram escolhidos como alvos. Segundo ele, os edifícios armazenavam componentes de drones e equipamentos de navegação.
O ex-oficial do Exército norte-americano Stanislav Crapivnic afirmou que a Ucrânia passou a concentrar seus ataques em instalações civis porque não consegue atravessar as defesas das bases militares e dos principais centros industriais russos.
“Eles não conseguem atingir os alvos militares russos porque estão protegidos. Então atacam instalações econômicas menos defendidas e os próprios civis”, afirmou.
Para Crapivnic, a política segue os métodos empregados pelas potências imperialistas em guerras anteriores. Ele citou os bombardeios contra cidades japonesas e alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, além das agressões contra a Iugoslávia, o Iraque e o Irã.
“Eles atacam alvos civis porque é o que conseguem fazer”, disse.
A multiplicação dessas operações coincide com as derrotas sofridas pelo exército ucraniano e com a falta de soldados. Para manter suas tropas, o governo de Zelensqui intensificou o recrutamento forçado e a perseguição aos homens que tentam escapar do serviço militar.
Após os ataques contra os depósitos da Wildberries, o Ministério da Defesa da Rússia informou ter bombardeado instalações de produção e armazenamento de drones e mísseis na cidade de Quieve. Também foram atingidos depósitos de combustível, instalações portuárias usadas para receber armamentos na região de Odessa e duas embarcações empregadas pelas forças ucranianas em operações com drones.



