A polícia boliviana prendeu na sexta-feira (17), em La Paz, David Quispe Machaca, secretário executivo da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB).
Organizações camponesas também denunciaram a prisão de David Mamani, dirigente ligado aos Ponchos Vermelhos e à Federação Túpac Katari. A detenção de Mamani, porém, ainda não tinha sido confirmada oficialmente pelas autoridades bolivianas.
Os dois dirigentes são investigados por sua participação nos bloqueios de estradas realizados entre maio e junho. As manifestações duraram 53 dias, atingiram várias regiões do país e exigiram que o governo atendesse às reivindicações dos camponeses e que o golpista Rodrigo Paz renunciasse à Presidência.
A CSUTCB denunciou que as prisões fazem parte da perseguição promovida pelo governo contra as organizações camponesas. A entidade anunciou protestos e admitiu a realização de novos bloqueios caso a repressão prossiga.
Presidente ameaça camponeses
Em resposta aos anúncios de novas mobilizações, Rodrigo Paz declarou que os responsáveis por futuros bloqueios serão processados e enviados à prisão de Chonchocoro.
“Quem se animar a fazer bloqueios já sabe onde vai estar: com o senhor Vicente Salazar, na prisão, em Chonchocoro”, afirmou Paz durante um programa da Rádio Panamericana.
Vicente Salazar, dirigente que participou dos protestos, cumpre prisão preventiva no presídio citado pelo presidente.
Paz alegou que seu governo evitou uma repressão imediata e resistiu às pressões para decretar estado de exceção durante os bloqueios. Também atribuiu aos manifestantes a responsabilidade pelas mortes registradas durante o conflito, afirmando que os organizadores dos protestos deverão responder por elas.
Ao falar sobre a possibilidade de novas manifestações, o presidente invocou a religião e disse estar convencido de que o governo não enfrentará outra mobilização semelhante nos próximos meses ou anos.


