Andy Burnham tomou posse nesta segunda-feira (20) como primeiro-ministro do Reino Unido. O dirigente do Partido Trabalhista foi convidado pelo rei Carlos III a formar governo após a renúncia de Keir Starmer.
Starmer fez seu último pronunciamento diante do número 10 de Downing Street antes de seguir para o Palácio de Buckingham, onde apresentou formalmente sua renúncia. Burnham compareceu em seguida ao palácio para cumprir o procedimento que oficializou o início de seu governo.
Ao retornar à residência oficial, falou pela primeira vez como primeiro-ministro. Burnham estava acompanhado da mulher, Marie-France van Heel, dos filhos e da mãe.
Starmer havia chegado ao poder em julho de 2024 e anunciou sua saída no dia 22 de junho. Seu governo foi atingido pela impopularidade, pelas disputas dentro do Partido Trabalhista e pelas derrotas sofridas nas eleições locais.
Burnham é o sétimo primeiro-ministro britânico desde 2016, depois de David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e Starmer. A sucessão mostra a dificuldade da burguesia britânica em estabilizar o governo diante da crise econômica e do apoio à política imperialista no exterior, como no caso da Palestina.
Prefeito da Grande Manchester
Burnham tem 56 anos e nasceu em Aintree, nos arredores de Liverpool. Filiou-se ao Partido Trabalhista aos 15 anos e estudou na Universidade de Cambridge. É identificado com a chamada “esquerda suave” do partido — apesar de não ter nada de esquerda — e se apresenta como socialista.
Durante o governo de Gordon Brown, foi secretário de Cultura, entre 2008 e 2009, e secretário de Saúde, entre 2009 e 2010. Em 2017, foi eleito prefeito da Grande Manchester. Permaneceu no cargo após ser reeleito em 2021 e 2024.
Burnham retornou à Câmara dos Comuns depois de vencer uma eleição especial em junho. Assumiu como deputado por Makerfield no dia 18 daquele mês e prestou juramento em 12 de julho.
Promessas sociais e gastos militares
No discurso de posse, Burnham prometeu reindustrializar o país, ampliar a oferta de habitação social e aumentar o controle estatal sobre os serviços essenciais. Também afirmou que pretende acabar com a situação dos sem-teto.
As primeiras medidas contra o aumento do custo de vida devem ser anunciadas nesta terça-feira (21). Burnham também prometeu apresentar até o fim do ano um plano econômico para os próximos dez anos.
O governo, porém, sofre pressão para elevar as despesas militares conforme as metas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Starmer deixou um rombo estimado em 4,7 bilhões de libras no orçamento da Defesa.
O aumento do gasto militar entra em choque com as promessas de ampliar os serviços públicos e combater a crise habitacional. O Partido Trabalhista prometeu entregar 1,5 milhão de moradias, mas apenas 204 mil haviam sido concluídas até março.
O país também enfrenta aumento dos gastos com benefícios por incapacidade e doença, além do desemprego e da falta de habitação entre os jovens.
Troca de ministros
Burnham afastou o vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça, David Lammy, a ministra das Finanças, Rachel Reeves, além de Liz Kendall e Steve Reed.
John Healey foi nomeado para o Ministério das Finanças. Ele havia deixado a Defesa em 11 de junho devido a divergências sobre os gastos militares.
Ed Miliband também foi nomeado para uma pasta anteriormente comandada por seu irmão, David Miliband. Lammy declarou que desejava permanecer no gabinete, mas reconheceu o direito de Burnham de escolher os ministros.
Burnham já conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O norte-americano comemorou no Truth Social a suposta intenção do trabalhista de autorizar novos campos de petróleo e gás no Mar do Norte, medida que não foi confirmada pelo governo britânico.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que espera ampliar a cooperação entre a União Europeia e o Reino Unido, principalmente na área militar.
Burnham também prometeu conversar com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensqui, e manter o apoio britânico à guerra da OTAN contra a Rússia na Ucrânia.



