A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha bicampeã, para alívio dos brasileiros que estavam secando os rivais argentinos. Passada a euforia da Copa, agora é preciso fazer algumas considerações.
Muitas Copas foram fraudulentas ao longo da história: as Copas dadas pelo fascismo à Itália, a Copa manipulada pela ditadura militar argentina em 1978, a carnificina de 1966, que deu o único título mundial da história à Seleção Inglesa, e o favorecimento descarado ao time de Messi em 2022 — isso para ficar nos casos mais escandalosos. Não é anormal que um torneio bilionário, organizado por uma entidade dominada por grandes interesses corporativos, seja manipulado ou, no mínimo, tenha uma boa carga de manipulação.
O diferencial desta Copa não foi apenas a manipulação e a fraude, mas a farsa. Graças às redes sociais, o povo pôde assistir, sem depender das transmissões oficiais, ao espetáculo fraudulento e ver com os próprios olhos como funciona a fraude. Em 2022, já havia redes sociais e muitas denúncias apareceram. Mas, na Copa que terminou ontem, o mecanismo da fraude foi revelado em seus detalhes.
E a farsa mora justamente aí. O melhor exemplo dela foi a própria seleção da Argentina, um time que jogou mal em todos os jogos e foi passando de fase no limite. É comum um time que não joga bem conseguir superar o adversário. O problema da Argentina nesta Copa foi que a manipulação exterior dos jogos garantiu sua chegada à final. Ou seja, um time que não merecia chegar aonde chegou quase foi campeão.
Mas a farsa não reside exatamente no jogo medíocre da Argentina nem mesmo na fraude colocada em marcha com a ajuda descarada do VAR. A farsa está justamente no que tentaram fazer desse time e de seu principal jogador, Lionel Messi. Quiseram transformar essa farsa em exemplo de futebol. A final ajudou a desmascará-la, pois a Argentina não conseguiu jogar e Messi mal pegou na bola.
Vale aqui um comentário sobre o VAR. Quando ele foi implementado, na Copa de 2018, nós falamos que seu objetivo não era buscar justiça em lances duvidosos, mas alterar os resultados das partidas. Esta Copa teve o mérito de desmascarar totalmente o VAR. Não há quem não tenha percebido que sua função é exatamente essa. A manipulação do resultado da partida não está no fato de uma decisão de arbitragem estar certa ou não, mas na decisão exterior do VAR sobre se tal ou qual lance será revisto, ou não, de acordo com interesses escusos.
Enquanto o mundo assistia à fraude boquiaberto, os meios oficiais, a começar pela imprensa “brasileira”, uma sucursal dos interesses imperialistas no País, fingiam que não a viam. A cada jogo, Messi e seus amigos eram tratados como grandes heróis e gênios do futebol.
O comentarista e funcionário de uma dessas sucursais, a Folha de S. Paulo, o ex-jogador Casagrande, desnorteado pela derrota da Argentina, que ele pintou como o maior exemplo de futebol dos últimos tempos, evitou criticar a seleção argentina, que simplesmente não deu um chute a gol durante 120 minutos, e disse, sem abrir mão do tom bajulador: “a Argentina que fica é a que jogou os minutos finais contra a Inglaterra”. Esse comentário revela qual foi a orientação política dos comentaristas funcionários da grande imprensa brasileira: a ordem é elogiar.
Da mesma sucursal da imprensa imperialista, José Trajano chegou a afirmar durante o torneio que “se a França perdesse, seria uma catástrofe”. A favor do Brasil, nunca há comentários como esse por parte da maioria da imprensa. A França perdeu e nenhuma catástrofe aconteceu, a não ser para os franceses, que devem ter ficado tristes. A questão é saber o que leva um brasileiro a ter considerações tão positivas sobre as outras seleções. Pretendo falar um pouco, em outra coluna, sobre esse comportamento da “nossa” imprensa.
Fato é que, se fosse o Brasil perdendo uma final, mesmo jogando bem melhor do que o time adversário, Casagrande diria que o que ficou da Seleção foi a derrota e que o futebol brasileiro não presta para nada. Mas, quando o assunto é a Argentina, a orientação é dar um ângulo positivo à notícia. Uma grande farsa.
A Argentina foi a grande farsa desta Copa, mas não foi a única. A excessiva bajulação da Seleção da França também se revelou uma farsa.
Entendo a felicidade dos brasileiros ao verem a Argentina perder, mas hoje já é o primeiro dia da próxima Copa. Hoje começa a Copa de 2030, que não será menos fraudulenta nem menos farsesca. A Espanha campeã deve ser uma das farsas da próxima Copa. Não porque os espanhóis não tenham merecido ganhar, mas pelos exageros que agora vão criar em torno daquele futebol, que, se tem algum mérito, é o de possuir um nítido tempero de Brasil. Mas não existe um “futebol espanhol” poderoso nem nada disso. O que existe é dinheiro, muito dinheiro.
Muito provavelmente, a Espanha será bajulada como foi a França nesta Copa, que também deve continuar sendo bajulada na próxima. A única Seleção que não deve ser elogiada é justamente aquela que as outras tentam imitar. É a única que conseguiu, apesar de toda a fraude e de toda a farsa, conquistar cinco Copas do Mundo, a Seleção que detém quase todos os recordes do futebol mundial: a Seleção Brasileira.
O futebol brasileiro sempre será o melhor do mundo. Nossa Seleção, graças à CBF, à imprensa “nacional” e à politicagem de direita, mas também “de esquerda”, enfrenta dificuldades. Mas essas dificuldades podem ser superadas.
A Seleção Brasileira, com apenas três jogadores da equipe que disputou esta Copa, foi campeã olímpica jogando contra quase a mesma Seleção Espanhola que foi campeã agora. A maioria das pessoas adotou um ângulo ruim para explicar esse problema. Disseram que isso mostra a desorganização da nossa Seleção, que não consegue manter uma base de trabalho. Isso até é correto, em certa medida, mas a principal conclusão que devemos tirar é que o Brasil tem condições de montar três, quatro ou mais seleções competitivas, devido à quantidade e à qualidade de seus jogadores.
A principal conclusão é que o futebol brasileiro sempre será o melhor do mundo. Ganhar ou não uma Copa não é determinante nesse caso. Somos o País do Futebol, somos a Pátria de Chuteiras. Não acreditem na próxima farsa que a imprensa “nacional”, orientada pelo imperialismo, vai contar sobre a Espanha, a Argentina, a França, a Alemanha ou qualquer outra seleção. O Brasil sempre será o Brasil e sempre poderá ser campeão.
Até a próxima Copa… Enquanto isso, aproveitemos o melhor futebol do mundo em nossos campeonatos nacionais, estaduais e regionais.





