Estados Unidos

Esquerda usa Trump-papão para esconder os crimes dos Democratas

É muito conveninte priorizar o ataque a Donald Trump. Assim, pode-se livrar a cara dos Democratas, que a esquerda pequeno-burguesa apoia

Trump-papão

Donald Trump é o espantalho da esquerda pequeno-burguesa brasileira. Sobre o atual presidente dos Estados Unidos são despejados todos os crimes da humanidade como se os outros presidentes não fossem iguais ou até piores.

O artigo “Trump aprofunda giro autoritário”, publicado no sítio Esquerda Online neste sábado (18), assinado por André Freire e Helena Cunha, faz isso, critica o mandatário, mas deixa de fora uma lista interminável de crimes praticados pelos EUA e seus presidentes.

“Na última semana”, inicia o texto, “a ofensiva política do governo Donald Trump entrou em uma nova etapa. No dia 16 de julho, aconteceu em Washington a ‘Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político’. Presidida pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, esse evento reuniu representantes de cerca de 60 países com o objetivo declarado de ‘fortalecer a coordenação, ampliar o intercâmbio de informações e reforçar a cooperação internacional de segurança’ diante do que eles chamam de ‘terrorismo político de extrema esquerda’.”

São 60 países convidados, mas é certo que nem todos compareceram. Mesmo assim, vale observar que a Alemanha, um país ‘democrático’, onde supostamente se combate a extrema direita, teve papel de destaque, sendo confirmada como a próxima sede oficial do segundo workshop global de desdobramento dessa iniciativa.

Mais de 40 nações enviaram representantes ministeriais ou diplomatas de suas respectivas embaixadas sediadas em Washington para acompanhar as deliberações de segurança.

Pelo que se vê, não existe muita contradição entre a extrema direita e os democratas. Embora o artigo afirme que “essa reunião acendeu um alerta entre organizações de direitos humanos e setores democráticos porque a ampliação do conceito de ‘terrorismo’ pode significar o aumento de perseguições a movimentos sociais, feministas, antirracistas e anticapitalistas.”

“Alerta”

Segundo o artigo, “já vimos esse filme antes. Ao longo da história, a classificação de adversários políticos como ‘terroristas’ foi utilizada por governos autoritários para justificar vigilância, perseguições, prisões, restrições à liberdade de organização e criminalização da oposição.”

Na verdade, estamos vendo isso agora, no Reino Unido, por exemplo, com a prisão de ativistas que tentavam impedir a fabricação de armas utilizadas no genocídio contra o povo palestino.

Nos Estados Unidos, vimos o presidente George W. Bush lançar o Ato Patriota (USA PATRIOT Act), que, sob o pretexto de combater o terrorismo, restringe os direitos da população.

O seu sucessor, Barack Obama, em 2011, assinou a prorrogação de pontos fundamentais do Ato Patriota que estavam prestes a expirar. Esse democrata, Nobel da Paz, também se notabilizou pelo “combate ao terrorismo”.

Em 2014, Obama iniciou uma intensa campanha de bombardeios sobre a Síria, além de bloqueios econômicos. Os EUA apoiaram a subida ao poder de um conhecido terrorista da Al-Qaeda, Abu Mohammed al-Julani, que a grande imprensa trata como se fosse um príncipe. Hoje, rebatizado de Ahmed al-Sharaa, veste terno, aparou a barba, veste terno e frequenta até a Casa Branca.

Em 2009, Obama ordenou o envio emergencial de mais 30 mil soldados americanos ao Afeganistão para conter o avanço do Talibã e “estabilizar” o governo local, elevando o contingente total dos EUA no país para cerca de 100 mil homens na época.

Além de Síria e Afeganistão, o democrata retomou os bombardeios no Iraque, atacou o Iémen, a Líbia, o Paquistão e a Somália. Mas, convém esquecer, pois a esquerda pequeno-burguesa se tornou uma verdadeira sucursal do Partido Democrata dos Estados Unidos no Brasil.

Adiante, o artigo diz que “no plano interno, o endurecimento do discurso de Trump também merece atenção. Trump vem intensificando ataques contra setores progressistas, organizações da sociedade civil e lideranças identificadas com a esquerda norte-americana. Entre os alvos frequentes está o Democratic Socialists of America (DSA), organização socialista que atua principalmente no interior do Partido Democrata e que tem conquistado espaço em governos locais, como em Nova York, com a prefeitura de Zohran Mamdani, e legislativos estaduais. Candidaturas apoiadas pelo DSA, como a disputa pela prefeitura de Washington, D.C., com Janeese Lewis George, tornaram-se objeto de ataques políticos e foram apresentadas por aliados de Trump como exemplos de uma suposta ameaça ideológica ao país.”

Todos devem estar se perguntando o que socialistas estão fazendo dentro do Partido Democrata com todos aqueles crimes citados acima (apenas de Obama). Lembrando que foram estes que espionaram Dilma Rousseff, planejaram e conduziram o golpe de 2016.

Relógio atrasado

O texto diz que “nos últimos anos, os Estados Unidos também têm sido alvo de críticas e denúncias sobre tentativas de influência em processos políticos de outros países. Governos e setores políticos da Colômbia e de Honduras, por exemplo, já fizeram acusações de interferência externa em seus processos internos, tema que permanece objeto de intenso debate político e diplomático.”

Desde 1946, logo após o final da II Guerra, o imperialismo, sob comando dos EUA, interferiu nas eleições e governos do mundo todo. E, já que citaram Honduras, Manuel Zelaya sofreu um golpe em 2009, e quem presidia os Estados Unidos era ninguém menos que Barack Obama.

O Esquerda Online tem memória seletiva, tenta fazer seus leitores crerem que o grande mal se chama Donald Trump, quando a realidade mostra que este não configura uma exceção, mas regra, quando o assunto é presidência dos EUA.

“Diante desse contexto”, diz o artigo, “torna-se ainda mais relevante a mobilização da sociedade civil em defesa das liberdades democráticas. Nos Estados Unidos, iniciativas como o movimento No Kings expressam a oposição de parte da população à concentração de poder e às tendências autoritárias do governo Trump”. No entanto, que autoridade tem para falar em liberdades democráticas quem é contra a liberdade de expressão?

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