Futebol

Quantos bilhões a FIFA perderia se Messi fosse eliminado da Copa?

Argentino concentra 26% do valor publicitário produzido pelos jogadores nas redes sociais e participa de quase um quarto das grandes campanhas comerciais do Mundial

A eliminação de Lionel Messi da Copa do Mundo representaria um golpe de bilhões de dólares nos interesses comerciais ligados à competição. Não existe um cálculo oficial sobre quanto a FIFA perderia imediatamente, mas os números disponíveis permitem medir a enorme dependência da entidade em relação ao jogador argentino.

O atual ciclo comercial da FIFA deve movimentar cerca de US$13 bilhões. Na Copa do Mundo de 2022, Messi respondeu sozinho por 26% de todo o valor publicitário produzido pelas publicações dos jogadores nas redes sociais.

Caso essa proporção fosse aplicada ao ciclo comercial da Copa de 2026, a parcela vinculada à presença e à popularidade do argentino chegaria a aproximadamente US$3,38 bilhões.

Uma análise publicada pela revista norte-americana Portada mostrou que Messi aparece em 18 das 80 principais campanhas publicitárias da Copa realizadas nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Argentina. O jogador está, portanto, presente em cerca de 22% das maiores campanhas ligadas à competição.

Entre as empresas que utilizam sua imagem estão Adidas, Michelob Ultra e Lay’s. A Adidas mantém com Messi um contrato vitalício estimado em US$1 bilhão. Para essas empresas, uma eliminação precoce reduz o tempo de exposição do jogador e o alcance dos anúncios preparados para o torneio.

O peso comercial do argentino já havia aparecido com clareza na Copa do Catar. Segundo dados da Nielsen, as publicações dos jogadores durante o torneio produziram um valor publicitário estimado em 319 milhões de libras. Messi respondeu por 88 milhões de libras desse total.

Somente a publicação feita pelo jogador após a vitória da Argentina na final produziu um valor estimado em 11,7 milhões de libras. A fotografia tornou-se a publicação com o maior número de curtidas da história do Instagram.

A transferência de Messi para o Inter Miami também demonstrou sua capacidade de movimentar grandes somas. Cerca de 700 mil camisas do clube foram vendidas nas primeiras 48 horas após o anúncio de sua contratação. A presença do argentino transformou imediatamente um clube de pouca importância internacional em uma das principais atrações comerciais do futebol norte-americano.

A própria FIFA já alterou critérios esportivos para garantir a participação do argentino em suas competições. No Mundial de Clubes de 2025, o Inter Miami recebeu uma vaga destinada a uma equipe do país-sede após vencer a fase regular do campeonato norte-americano.

O clube não havia conquistado o título da liga. Mesmo assim, foi escolhido pela FIFA. A participação de Messi era fundamental para atrair público, emissoras e patrocinadores para um torneio novo, ampliado e ainda sem tradição entre os torcedores.

O mesmo interesse aparece com força ainda maior na Copa do Mundo. O ciclo comercial de 2026 deve alcançar US$13 bilhões, contra US$7,6 bilhões arrecadados no ciclo da Copa do Catar. Trata-se de um crescimento superior a 70%.

Os direitos de transmissão nos Estados Unidos aumentaram aproximadamente 94%. A receita com patrocínios cresceu 37% e deve chegar a cerca de US$2,4 bilhões. Empresas estão pagando entre US$15 milhões e US$85 milhões por pacotes de publicidade ligados à competição.

Grande parte desse dinheiro depende da capacidade da Copa de atrair pessoas que normalmente não acompanham futebol. Messi cumpre exatamente essa função. Ele não interessa apenas ao torcedor argentino ou ao público habitual do esporte, mas também às empresas que pretendem alcançar centenas de milhões de consumidores em vários países.

A concentração de tamanho interesse econômico sobre um único jogador ajuda a explicar as suspeitas provocadas por sorteios favoráveis, decisões de arbitragem e critérios que beneficiam a Argentina.

Os números não provam, por si mesmos, que uma partida tenha sido manipulada. Demonstram, porém, que a FIFA possui um interesse material gigantesco na permanência de Messi na competição. A entidade que deveria garantir a igualdade entre as seleções tem bilhões de dólares vinculados ao sucesso de um dos participantes.

Não se trata apenas da venda de ingressos para uma partida. A eliminação do argentino reduz audiências, compromete campanhas publicitárias, diminui a circulação de produtos e retira dos patrocinadores a principal figura utilizada para divulgar a Copa.

A comparação com os números de 2022 oferece uma medida dessa dependência. Messi produziu 26% do valor publicitário de todos os jogadores nas redes sociais. Nenhum outro atleta chegou perto desse resultado.

Aplicada aos US$13 bilhões do atual ciclo comercial, essa proporção corresponde a US$3,38 bilhões. Ainda que a perda efetiva fosse menor, a cifra mostra por que a eliminação de Messi seria o pior resultado comercial possível para a FIFA.

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