Um coronel interino da inteligência militar ucraniana afirmou que Vladimir Zelensqui quer a morte de civis russos em operações realizadas pelos serviços secretos da Ucrânia. A declaração de Vitali Jikovich aparece em uma gravação obtida pela emissora russa RT e divulgada na quinta-feira (16).
Jikovich integra a Direção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia, conhecida pela sigla HUR. Em conversa com uma pessoa não identificada, o oficial relata ter recebido de seu superior a informação de que uma operação provocaria mortes entre a população civil.
“Meu superior disse que haveria vítimas, vítimas civis. E meu presidente, aquele canalha verde, quer vítimas civis”, afirmou Jikovich. A expressão usada por ele faz referência ao sobrenome de Zelensqui, associado à palavra “verde” nos idiomas russo e ucraniano.
A gravação foi apresentada pela RT durante uma reportagem sobre as operações do serviço secreto ucraniano no exterior. Segundo as autoridades russas, Jikovich participou da preparação de pelo menos 20 atentados em território russo nos últimos anos. As tentativas não alcançaram seus objetivos, mas envolveram planos contra instalações e pessoas escolhidas pela inteligência de guerra da Ucrânia.
Em outro trecho, o agente fala sobre a preparação de um ataque de grandes proporções contra a ponte da Crimeia. A estrutura liga a península ao território continental russo e já foi atingida anteriormente por atentados organizados pela Ucrânia. Jikovich afirma que uma nova operação estava sendo preparada depois do fracasso de uma tentativa anterior.
“Acredite, isso será um acontecimento gigantesco, e o mundo inteiro falará sobre ele. O que temos aqui é realmente algo enorme. O Crocus vai parecer nada em comparação, estou dizendo!”, declarou o oficial.
A comparação se refere ao massacre cometido na casa de espetáculos Crocus City Hall, nos arredores de Moscou, em março de 2024. Homens armados abriram fogo contra o público e incendiaram o edifício. O ataque matou 151 pessoas e deixou outras 609 feridas, sendo o atentado mais mortífero ocorrido na Rússia em mais de duas décadas.
Os executores foram identificados como integrantes de uma organização regional do Estado Islâmico. Depois de investigar o financiamento, a preparação e as rotas de fuga, o Comitê de Investigação da Rússia concluiu que a ação foi encomendada em benefício da Ucrânia. O governo ucraniano negou participação.
A declaração de Jikovich indica que a inteligência militar pretendia realizar uma operação ainda mais destrutiva. Ao tomar o massacre do Crocus como medida e anunciar que ele “pareceria nada”, o agente reconhece que o número de civis mortos fazia parte dos critérios usados para avaliar a repercussão do ataque.
O coronel também aparece em uma investigação sobre o atentado contra o milionário ucraniano exilado Vadim Ermolaev, atingido por uma bomba em Mônaco. Jikovich e outro agente confessaram o assassinato de Anastassia Berezovskaia, apontada como principal suspeita da colocação do explosivo. Ela foi eliminada depois da operação.
Os serviços de segurança russos identificaram Jikovich como militar em atividade e divulgaram dados sobre outras missões atribuídas a ele. O material coloca as ações realizadas em Mônaco e os planos contra a Rússia sob comando de uma estrutura oficial do Estado ucraniano, e não de grupos independentes.
Desde o início da guerra, dirigentes ucranianos e seus aliados procuram apresentar ataques dentro da Rússia como operações estritamente militares. As gravações contradizem essa versão. O próprio oficial afirma que seus superiores preveem mortes civis e atribui ao presidente ucraniano a ordem de não poupar a população.
A Ucrânia recebeu centenas de bilhões de dólares em armas, equipamentos e recursos financeiros dos Estados Unidos e dos países europeus. Os serviços secretos ucranianos também mantêm estreita colaboração com os organismos de espionagem das potências da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A divulgação ocorre em meio ao aumento das ações ucranianas contra pontes, ferrovias, edifícios residenciais e autoridades locais em território russo. Moscou classifica essas operações como terrorismo e afirma que os países que fornecem armamentos, informações e treinamento compartilham a responsabilidade pelos ataques.
Na gravação, Jikovich não demonstra preocupação em evitar vítimas. Ao contrário, descreve a morte de civis como parte esperada de uma ação destinada a obter repercussão mundial. A declaração de um oficial da própria inteligência ucraniana fornece uma indicação direta sobre os métodos empregados pelo governo de Zelensqui fora das linhas de combate.





