O Irã realizou novos ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Barém, na Jordânia e no Cuaite, em resposta aos bombardeios norte-americanos contra alvos civis e militares iranianos.
Na madrugada desta sexta-feira (17), o Exército iraniano anunciou o início da 11ª fase da Operação Saeqeh. Veículos aéreos não tripulados (VANTs) de ataque Arash foram utilizados contra posições de helicópteros e aeronaves de reconhecimento P-8 na Base Aérea de al-Sakhir, no Barém.
Segundo o comunicado militar, a operação respondeu diretamente aos ataques realizados pelos Estados Unidos contra instalações civis do Irã.
“Qualquer erro de cálculo sobre a vontade do povo iraniano ou sobre as capacidades do Exército e do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica terá um custo elevado para o arrogante inimigo norte-americano”, declarou o Exército.
A televisão iraniana também divulgou imagens de incêndios em sistemas de radar e plataformas de lançamento de mísseis dos Estados Unidos no Cuaite. Os alvos fazem parte da rede de bases norte-americanas empregada para atacar o território iraniano e proteger as forças dos Estados Unidos na região.
O Exército afirmou que continuará respondendo a cada agressão de acordo com as ações realizadas pelo inimigo.
Na quinta-feira (16), o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou a destruição de um hangar que abrigava caças norte-americanos e de um novo centro de comando e controle dos Estados Unidos na Jordânia.
O ataque foi realizado contra uma grande base militar situada na região de Azraque. Segundo o CGRI, foram utilizados mísseis balísticos avançados Kheibar-Shekan, que atingiram os alvos com precisão.
A base havia sido utilizada pelas forças norte-americanas para realizar ataques contra o sul do Irã. O CGRI denunciou que os bombardeios atingiram alvos civis, constituindo um novo crime de guerra dos Estados Unidos.
Em comunicado dirigido ao povo e às Forças Armadas jordanianas, o CGRI declarou que os Estados Unidos utilizam o território do país para atacar o Irã e exigiu o fim da colaboração com as tropas imperialistas.
Durante a operação, as forças iranianas atacaram caças e aviões-tanque norte-americanos utilizados para reabastecimento aéreo.
As forças navais do CGRI também atacaram a Base Aérea Xeique Isa, no Barém.
De acordo com o comunicado iraniano, a operação destruiu sistemas de radar de vigilância e detecção, além de uma instalação de armazenamento e bombeamento de combustível utilizada por aviões de combate.
O ataque integrou a décima onda da Operação Verdadeira Vitória 2. A ação respondeu aos bombardeios norte-americanos contra bases costeiras e instalações civis iranianas.
Entre os locais atacados pelos Estados Unidos estavam um hospital destinado ao tratamento de crianças com câncer e uma instalação de produção de água na província iraniana de Ilam. O local fornecia água aos peregrinos que se dirigiam à cidade iraquiana de Carbala.
O CGRI informou que suas operações estão concentradas na destruição da estrutura militar utilizada pelos Estados Unidos para atacar o Irã e outros países da região.
O porta-voz das Forças Armadas iranianas, general de brigada Abolfazl Shekarchi, reafirmou que o Irã não permitirá qualquer interferência norte-americana no Estreito de Ormuz.
Segundo Shekarchi, a soberania iraniana sobre o estreito garante a segurança da navegação regional. A passagem estabelecida pelo Irã é a única rota considerada segura pelas autoridades do país. Embarcações que tentarem utilizar outros trajetos ficam expostas aos riscos provocados pela guerra norte-americana.
O general declarou que nem os Estados Unidos nem “Israel” possuem direito legítimo de manter forças militares na região.
Shekarchi advertiu ainda que novos ataques contra instalações iranianas transformarão as instalações militares e econômicas utilizadas pelos Estados Unidos nos países vizinhos em alvos das Forças Armadas do Irã.
“Se alguma das instalações do Irã for atacada, todas as instalações regionais se tornarão imediatamente alvos das forças iranianas”, afirmou.
O porta-voz declarou que as capacidades militares do Irã aumentaram várias vezes desde a guerra de 12 dias e continuaram crescendo durante a atual Guerra do Ramadã.
Segundo ele, as forças iranianas estão preparadas para sustentar uma guerra prolongada e impedir qualquer avanço dos Estados Unidos.
Shekarchi também denunciou que os Estados Unidos violaram, no dia seguinte à assinatura, o memorando de entendimento firmado para interromper os combates.
Os caças norte-americanos permaneceram na região do Estreito de Ormuz mesmo após o anúncio do cessar-fogo. O Irã considera essa presença uma violação direta dos compromissos assumidos.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, declarou que a soberania iraniana sobre o estreito é uma “linha vermelha inquebrável”.
Zolfaghari advertiu Donald Trump contra o cumprimento das ameaças de bombardear instalações essenciais do país.
“Tudo o que permaneceu intacto até agora, isto é, as instalações existentes em toda a região, será esmagado pelos ataques das Forças Armadas iranianas até que nada reste”, declarou.
Segundo o oficial, a resposta iraniana não ficará limitada a uma ação equivalente. As forças do país realizarão ataques mais amplos e destrutivos contra as posições utilizadas para sustentar a agressão norte-americana.
Shekarchi concluiu que os Estados Unidos caíram em uma armadilha na Ásia Ocidental e somente poderão sair dela com a retirada completa de suas tropas.
“A era da arrogância e da ilegalidade norte-americanas terminou definitivamente”, declarou o general iraniano.





