Seleção Argentina

Rival é rival: precisa ser derrotado e esmagado, sempre

O importante é que os rivais percam, percam tudo, percam sempre

Entre torcedores comuns e boleiros brasileiros, não há dúvida, a Argentina precisa ser batida por quem quer que seja, do jeito que for, especialmente se o nosso pentacampeonato mundial nem de longe está ameaçado.

Mas dentro da esquerda é muito comum os torcedores brasileiros da Argentina, e os argumentos “políticos” que usam para isso são horríveis. Mas existem os argumentos políticos que servem para torcer contra a Argentina que também são ruins. 

É o caso de Ricardo Mezavila, redator do Brasil 247, que tomou coragem e foi escrever sobre o motivo político dele, Ricardo, não torcer para a Argentina desta vez. 

Segundo ele, após relatar a copa roubada para a Argentina de 1978, “as redes sociais mostram uma antipatia quase unânime entre torcedores brasileiros pelos argentinos. E não é por acaso: a torcida da seleção vizinha manifesta o racismo nos estádios com uma naturalidade chocante, como se fosse algo normal”.

Muitos torcedores brasileiros de esquerda que vão torcer contra a Argentina nesta final utilizam esse argumento, que, no fundo, é fraco. A situação do negro é ruim em qualquer lugar, e o torcedor argentino só se apegou a esta questão porque realmente provoca a ira de brasileiros. A rivalidade é isso, fazer o possível para provocar a ira.

O que se perdeu nesse debate é que o jogo de futebol é torcida, é paixão. Não é uma ciência. Não é um estudo racional que te leva a torcer. Você só torce. É uma loucura, uma febre. No Brasil, então, é um negócio que é possível sentir que sua vida está dentro de campo, que toda sua sorte, seu futuro, está em jogo. 

E é com esse sentimento que se encara um rival no futebol. Um time rival é um time que você quer ver a pior desgraça acontecer com eles. Que caiam para série D, que percam tudo e, se possível, até em outros esportes. Jogando contra o rival, se seu time está ruim ele pode ficar bom, assim, do nada. Com o rival se decide dentro ou fora de campo. 

Com a Argentina tudo isso é ainda mais intenso, mais grave. É possível que Brasil e Argentina, no futebol, seja a maior rivalidade do mundo. E esse é o argumento para torcer contra a Argentina. O resto é relativamente secundário, tirando, claro, o fato de que nesta copa (como nas outras que eles “ganharam”) é nítido que a Argentina é o time escolhido para vencer, o time da máfia. Por outro lado, as cinco estrelas brasileiras foram conquistadas por mérito próprio, uma a uma. 

O redator do 247 afirma que “o comportamento que vimos nas arquibancadas conseguiu superar, de forma negativa e temporária, toda a minha admiração pela cultura dos hermanos”. Na realidade, esse comportamento é comum, e sempre foi assim. 

Mas, no meio da esquerda, tem sempre como ficar ainda mais ensaboada a discussão. Segundo Mezavila, “não vou continuar torcendo pela Argentina — mas também não vou secar — em respeito a Jorge Luis Borges, Júlio Cortázar, Astor Piazzolla, Alicia Moreau de Justo, Fito Páez, Juana Rouco Buela, Victor Biglione e Ricardo Darín”.

A conclusão é besta e enfadonha. Na realidade é um “vou torcer para a Argentina, mas com um pouquinho de vergonha”. E é por essas posições ensaboadas que a esquerda não atrai ninguém. 

O Brasil é o país do futebol e ponto final. Não tem mais como mudar isso. E a insistência com a Argentina, seja por parte da imprensa “brasileira”, seja por parte da esquerda enfadonha, tem essa finalidade: destruir um patrimônio nacional e mesmo mundial, que é o futebol brasileiro, aquele que tudo criou.

O brasileiro torce contra a Argentina porque são nossos rivais históricos, e todo o extenso debate só demonstra esse fato. O Rei já disse certa vez: “Contra a Argentina nunca existe jogo amistoso.” 

Se eles deram o golpe na praça, se estão mancomunados com a FIFA, se são o time da máfia, se acham que são os europeus perdidos na América do Sul, se Messi é o verdadeiro mimado da história, se a torcida e o futebol deles é lamentável, são apenas alguns detalhes que compõe o todo. Ao final, o que realmente importa é que eles percam, e percam sempre, e percam tudo.

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