Copa do Mundo 2026

A esquerda lambe-Messi

Jornalista elogia Messi e ataca brasileiros que trabalham e moram no exterior, sendo que o Argentino sempre morou fora

Os adoradores de Messi

A imprensa brasileira, seja de direita ou dita de esquerda, tem tanta pressa em criticar a Seleção Brasileira de futebol que sequer presta atenção naquilo que escreve, como o artigo “Gracias, Messi”, de Emir Sader, publicado no Brasil247 nesta quinta-feira (16).

Segundo o texto, “já se disse tudo e mais alguma coisa sobre a virada vibrante da Argentina sobre a Inglaterra e o papel do Messi na virada. Eu mesmo já escrevi sobre a relação entre esporte e raízes nacionais. A volta do voo para o Brasil dos jogadores que estavam na Copa com apenas um jogador — todos os outros voltariam imediatamente para seus clubes, onde eles têm suas raízes atuais — confirma essa perda de vínculo com o Brasil.”

Sim, já se disse muita coisa sobre a virada; a principal é a de que a Argentina só chegou até ali por uma escandalosa manipulação de resultados e interferências nos jogos. As redes sociais não cansam de falar sobre isso, a não expulsão de Messi no primeiro jogo, o escancarado roubo contra o Egito, etc.

Quanto aos jogadores voltarem imediatamente para seus clubes, qual é exatamente o problema? O que autoriza Emir Sader a dizer que os brasileiros têm suas raízes em outros países? E quanto a Messi, que elogia no título, vai voltar para qual país? Saiu da Argentina com 13 anos de idade, viveu praticamente sua vida toda na Espanha, jogou na França e agora nos Estados Unidos, nunca aqui no país vizinho. Então, Emir Sader, qual vínculo Messi tem com a Argentina? O caso dele, se vale seu critério, é pior que o dos nossos jogadores.

“A seleção argentina, por sua vez, mostrou como ela representa o país, para além da enorme rejeição ao governo atual de Milei. A nação está por cima disso tudo. Como me disse uma argentina que trabalha aqui no Rio, quando mencionei a importância do jogo de ontem: ‘Hoje é um dia peronista!’” – escreve o jornalista.

Há, porém, uma peculiaridade: dos 26 jogadores convocados pela Argentina, apenas 3 jogam no país, e os três pelo Boca Juniors. A única coisa interessante no trecho acima é a prova de que os argentinos prezam mais a própria seleção do que a classe média brasileira, que detesta a sua.

“Que lindo tudo isso, quando a seleção expressa os sentimentos do povo do seu país!”, exulta Emir Sader. E, ignorando a realidade, escreve: “São jogadores com raízes com o país, expressas na forma como eles fizeram questão de levantar a reivindicação das Malvinas, mesmo sendo proibida qualquer referência ao tema oficialmente.” Eles não têm raízes nos países em que moram atualmente? Talvez isso só sirva para depreciar os brasileiros.

Interessante a referência às Malvinas, parece que com o Haiti a coisa foi diferente. Nada como vários pesos e inúmeras medidas.

Sader escreve na sequência que “levantaram a referência às Malvinas, assim como a Maradona, com tudo o que ele representa para o país, inclusive aquele gol genial contra a Inglaterra e o gol com a ‘mão de Deus’ contra a mesma Inglaterra.” Mas, é preciso colocar as coisas na ordem correta.

Em 1986, no México, nas quartas de final, portanto um jogo de mata-mata, Maradona abriu o placar contra a Inglaterra com um gol escandaloso de mão aos 6 minutos do segundo tempo. O time inglês, portanto, teve que se abrir e correr atrás do resultado. Se o gol tivesse sido anulado, Maradona jamais teria marcado aquele segundo gol, o jogo seria outro.

Vínculos

Após babar elogios e agradecer a Messi, Sader diz que “todos aqui apontam como falta esse vínculo com o Brasil. A começar pela convocação de Ancelotti que, vindo de fora do Brasil, privilegiou os jogadores que estão lá fora, chegando ao absurdo de não conhecer o melhor time atual do Brasil, o Palmeiras, de quem não foi convocado nenhum jogador!”

E, de novo, qual é o vínculo de Messi com a Argentina se saiu de lá ainda criança? A falta de vínculo existe por parte da esquerda pequeno-burguesa, elitista, e da imprensa de direita, inimigos do Brasil e da Seleção.

Os jornalistas esportivos, paus-mandados, infernizam a Seleção e fizeram uma intensa campanha pela contratação de Ancelotti que, justiça seja feita, é um bom técnico. Apenas que o Brasil venceu cinco Copas (poderia ter vencido muitas outras) e todas com técnicos nacionais.

Demonstrando não entender nada de futebol, Sader escreve que “pode ser que, tendo outros quatro anos pela frente, Ancelotti conheça mais o futebol jogado aqui e os craques que jogam aqui, suficientes para termos uma ótima seleção. Não precisamos de nenhum dos que jogam fora, nem precisamos do Neymar.” Acreditar que o Brasil pode vencer com um elenco inteiramente nacional é loucura.

Os jogadores brasileiros estão no estrangeiro porque jogam bem e foram absorvidos pelo bilionário mercado europeu, principalmente. Fora isso, todos os jogadores mais badalados da Copa se declararam fãs de Neymar, apenas no Brasil é perseguido por uma imprensa lambe-botas e pela já conhecida esquerda papagaio, que repete tudo o que dizem os grandes jornais.

No último parágrafo piegas, Sader diz: “Gracias, Messi, por recordar-nos de como já tivemos seleções, campeãs ou não, que nos representavam, em que nos reconhecíamos. Não aceitaremos mais uma seleção brasileira de ‘estrangeiros’ (como fazem os argentinos?) de gente que não tem mais nenhuma raiz nacional, nenhum vínculo com o nosso povo e o nosso país (tal qual Lionel Messi?)

A última frase do último parágrafo é uma pérola: Por ser um técnico que já se manifestou lulista, ele pode ter facilidade para se dar conta desse problema e tratar de tentar superá-lo.”

Ancelotti não é lulista, e sim Vanderlei Luxemburgo, e mesmo que o fosse, isso não pode ser, nem de longe, critério para se avaliar um técnico de futebol. Aliás, esse é um dos motivos do ódio que essa gente sectária dispensa a Neymar, que em algum momento declarou apoio a Bolsonaro.

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