A Polícia Federal concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas pelo esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os indiciados estão Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Alessandro Stefanutto, ex-presidente da autarquia indicado pelo então ministro da Previdência, Carlos Lupi.
O relatório de 265 páginas foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresenta denúncia, pede o arquivamento ou solicita novas diligências.
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não aparece nessa primeira leva de indiciamentos. A investigação sobre sua possível ligação com o Careca do INSS, porém, tramita separadamente e ainda não foi concluída. Os dados bancários, fiscais e telemáticos obtidos durante a apuração permanecem sob análise.
O primeiro relatório, portanto, não encerra o caso para o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele trata especificamente dos descontos realizados por meio da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das entidades investigadas pela operação.
Stefanutto assumiu a presidência do INSS em julho de 2023, por indicação de Carlos Lupi, então ministro da Previdência. Lupi deixou o ministério após a revelação do esquema de descontos em aposentadorias e pensões.
Antes de dirigir a autarquia, Stefanutto havia ocupado o cargo de diretor de Orçamento, Finanças e Logística e atuado como procurador federal especializado junto ao INSS.
Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente do instituto foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. As investigações apontaram que ele recebia até R$250 mil mensais em propinas pagas pela Conafer.
Também foram indiciados o ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis. Ambos respondem, segundo a PF, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. Ele permanece foragido.
O Careca do INSS foi indiciado por lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva. O empresário, preso preventivamente desde 2025, é também o personagem central da investigação separada sobre Lulinha.
A apuração envolvendo o filho de Lula investiga se ele manteve uma relação empresarial oculta com Antonio Carlos Camilo Antunes. Uma das afirmações examinadas pela PF é a de que Lulinha recebia uma suposta mesada de R$300 mil vinculada ao empresário.
Também foram levantadas perguntas sobre viagens e negócios atribuídos ao filho do presidente. Até o momento, porém, a Polícia Federal não apresentou uma conclusão sobre a existência ou não de participação de Lulinha no esquema.
A defesa do empresário e pessoas apontadas como possíveis intermediárias pediram o arquivamento da investigação. Segundo informações publicadas pela revista *Veja*, a PF comunicou ao STF que ainda não havia concluído a análise das mensagens e dos demais materiais recolhidos.
A situação criou uma disputa em torno do encerramento do inquérito. Os pedidos de arquivamento sustentam que não existem provas contra Lulinha, enquanto parte importante do material obtido ainda aguarda exame técnico.
A conclusão do primeiro relatório retirou o filho do presidente desta etapa da operação, mas não produziu sua exclusão definitiva das investigações. Novas diligências e indiciamentos ainda podem ocorrer nos outros inquéritos da Operação Sem Desconto.
O esquema investigado envolve descontos associativos realizados sem autorização de aposentados e pensionistas. Os valores retirados dos benefícios entre 2019 e 2024 são estimados em R$6,3 bilhões.
A formalização dos indiciamentos atingiu diretamente a antiga direção do INSS, escolhida durante o atual governo, e o empresário apontado como possível elo com Lulinha. Ao mesmo tempo, mantém aberta uma investigação que pode avançar durante a eleição presidencial.
Lula se aproxima da campanha sem saber qual será o resultado da análise dos dados bancários, fiscais e das comunicações relacionadas ao filho. Nesta primeira rodada, Lulinha não foi indiciado. O inquérito separado, entretanto, continua aberto no STF sob a relatoria de André Mendonça.





