O PSOL disse que irá lançar uma bancada de esquerda radical e antifascista para as próximas eleições. O intuito é fortalecer o socialismo. Na prática, no entanto, segue a mesma toada, propondo leis repressivas, como se vê no artigo “Sâmia propõe banir publicidade de bets e equipará-la às restrições impostas ao tabaco”, publicado no sítio Revista Movimento nesta terça-feira (14).
Segundo apresentam o texto, a “deputada afirma que exposição massiva normaliza o jogo, amplia riscos de endividamento e atinge principalmente jovens e pessoas vulneráveis”.
A lei que restringe o tabaco é em si reacionária, assim como foi a Lei Seca nos anos 1920 nos Estados Unidos. O Estado tutelar o cidadão é um autoritarismo, por mais que invente desculpas, ou que diga que é para o bem do cidadão.
Na sua Utopia, Thomas More descreve uma sociedade que vigia em tudo o cidadão, é uma ditadura totalitária. No mundo atual, as pessoas são vigiadas o tempo todo e estão aprovando mais leis, até para se colocar câmeras dentro dos automóveis. Os defensores desse absurdo alegam que é possível saber se um motorista dormiu ao volante com essa medida. Acredite quem quiser.
No caso do tabagismo, são as seguradoras de saúde (os bancos) que fizeram um grande lóbi e uma campanha mundial contra o tabaco. Vemos que a esquerda “revolucionária” também pensa como os banqueiros. Embora estes sejam os que de fato lucrem com a medida.
Mais repressão
Segundo o artigo, “A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou, nesta segunda-feira (13) o Projeto de Lei 3654/2026, que proíbe, em todo o território nacional, a publicidade comercial das apostas de quota fixa, conhecidas como bets. A proposta altera a legislação que regulamenta a propaganda comercial de produtos e atividades que demandam um cuidado especial do Estado e amplia a proteção da população diante da crescente exposição à publicidade do setor.”
O projeto, além de autoritário, é de cunho completamente eleitoreiro e não avança um único milímetro em direção ao socialismo. A única coisa que avança é o poder do Estado burguês.
“O texto veda qualquer forma de propaganda, publicidade, patrocínio, ações de marketing ou comunicação mercadológica destinada a promover apostas, tanto em meios físicos quanto digitais. A proibição alcança empresas operadoras, influenciadores digitais, veículos de comunicação, plataformas de internet e demais agentes envolvidos na divulgação desses serviços.” Enquanto isso, os bancos, que roubam mais da metade do orçamento público com a cobrança de juros para lá de abusivos, vão poder continuar fazendo propaganda e oferecendo crédito para a população, que é assim que fica de verdade endividada.
E os bancos não apenas escravizam a população em dívidas eternas, mas também impõem teto de gastos e impedem gastos sociais em educação, saúde, prevenção de catástrofes. Essas entidades provocam muito mais danos que as bets, mas os “radicais revolucionários” não falam nada sobre isso.
A burguesia é que manda
O texto afirma que “a iniciativa é apresentada em meio ao aumento do debate sobre os impactos da publicidade das bets, intensificado durante a Copa do Mundo de 2026. A veiculação ostensiva de anúncios em transmissões esportivas motivou investigações da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), decisões do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e novas medidas do Ministério da Fazenda para endurecer as regras de publicidade do setor.” No entanto, quem tem “aumentado o debate” é a Rede Globo, que está incomodada com o fato de estar perdendo seu monopólio de transmissão de jogos para outros canais, notadamente a CazéTV, que conta com o apoio do capital vindo dessas casas de apostas.
Mais uma vez, a esquerda dita revolucionária reage ao estímulo da burguesia. Outra exemplo dessa reatividade foi a participação da esquerda nos atos convocados em 2025 pela mesma Rede Globo para pressionar o Congresso.
A esquerda pequeno-burguesa, que só sai do sofá para fazer campanha eleitoral, não resistiu ao chamado e foi às ruas participar de manifestação em favor do STF e contra o Congresso na companhia de celebridades “globáveis”.
Há um trecho do projeto que diz que “Nos últimos anos, verificou-se expressiva expansão da publicidade das apostas em praticamente todos os meios de comunicação. A intensa exposição da população a mensagens de incentivo às apostas contribui para a normalização dessa prática, amplia sua penetração entre crianças e adolescentes e alcança pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social.”
O que se pode dizer é que a Rede Globo e demais emissoras vão continuar a fazer propaganda de apostas, pois o alvo do projeto é proteger os interesses da emissora e seu monopólio.
É fácil verificar, pois no final do texto está escrito que “caso aprovada, além da proibição da publicidade, a proposta prevê mecanismos para retirada de campanhas irregulares e bloqueio de conteúdos após notificação do Ministério da Fazenda, reforçando a fiscalização sobre a divulgação das apostas em ambientes digitais.”
Quem vai ser considerado irregular e quem atua apenas nas redes sociais? No momento, a CazéTV. Os “radicais revolucionários”, portanto, estão trabalhando a serviço da Rede Globo, a pior inimiga da classe trabalhadora e, por consequência, da esquerda. Pelo menos da esquerda de verdade.





