A categoria dos bancários encontra-se em plena campanha salarial, cuja data-base é no mês de setembro. As negociações com os banqueiros começaram e, como não poderia deixar de ser, logo na primeira mesa, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) já endureceu e recusou uma das mais importantes cláusulas da pauta de reivindicações dos bancários: a questão das demissões e da estabilidade no emprego.
Mas uma questão que chama a atenção e deve ser um fator de preocupação para toda a categoria bancária é que, enquanto os banqueiros demonstram toda a sua intransigência em relação aos direitos e às conquistas dos bancários — e sabemos muito bem que não seria diferente —, por outro lado, o movimento sindical acaba de fechar um acordo com a CrediSIS (Cooperativa de Crédito) nos mesmos moldes do último acordo, referente a 2024-2026, firmado entre os banqueiros da Fenaban e a Contraf/CUT, no qual foi acordado o reajuste salarial correspondente à inflação acumulada e 0,5% de “ganho real”.
Conforme noticiado pelo Sindicato dos Bancários de Rondônia: “Com 80,25% de votos no SIM, a proposta patronal do Credisis para o fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026-2027 foi aprovada em assembleia geral virtual realizada na quinta-feira, 2 de julho. A proposta, que contempla um reajuste salarial de apenas a inflação acumulada e 0,5% de ganho real, mais 11,39% no vale-alimentação — reajuste do valor atual de R$ 2.020,00 para R$ 2.250,00 —, foi rejeitada por 16,05% dos participantes da assembleia virtual. Houve ainda 3,7% de abstenções”. (Site bancariosro.com.br, 06/07/2026.)
Uma primeira questão é que as assembleias realizadas pela burocracia sindical, para dificultar ainda mais a participação efetiva dos trabalhadores bancários no momento das decisões, são as famigeradas assembleias virtuais, sem qualquer tipo de discussão ou debate, nas quais as direções abrem um aplicativo apenas para votação durante determinado horário do dia.
Logicamente, o fechamento do acordo da CrediSIS é um indicativo do que está por vir para a categoria bancária como um todo na atual Campanha Salarial. Trata-se de todo um jogo de cena dos banqueiros e da burocracia sindical nas intermináveis mesas de negociação para, no final das contas, fechar um acordo nos moldes daquele firmado com os trabalhadores da CrediSIS.
Os bancários vêm sofrendo, ano após ano, uma ofensiva reacionária que não tem tamanho. É uma situação de quase indigência, com salários arrochados e um salário de ingresso que nem sequer chega à metade do salário mínimo calculado pelos organismos dos trabalhadores, que hoje não poderia ser inferior a R$ 8 mil.
Diante da crise que atinge a categoria bancária, com demissões em massa, arrocho salarial, terceirização, assédio moral para o cumprimento de metas, adoecimento etc., é necessário derrotar os banqueiros e conquistar as verdadeiras reivindicações dos bancários, como, por exemplo, a reposição das perdas salariais de 27%, a estabilidade no emprego e um ganho real de 20%, entre outras.
Para isso, é necessário organizar uma verdadeira mobilização nacional unificada, com assembleias presenciais, comandos de base eleitos em assembleias etc.





