Lindsey Graham morreu neste sábado (11), aos 71 anos, em Washington. Senador republicano pela Carolina do Sul desde 2003, ele ficou conhecido como um dos maiores defensores das guerras promovidas pelos Estados Unidos e como um dos aliados mais dedicados de “Israel” no Congresso norte-americano.
O gabinete do parlamentar informou, no domingo (12), que Graham morreu após uma “enfermidade breve e súbita”. Os serviços de emergência foram chamados para atender uma ocorrência de parada cardíaca em sua residência, no bairro do Capitólio. A causa oficial da morte ainda não foi divulgada.
Graham retornara poucos dias antes de Quieve. Na sexta-feira (10), reuniu-se com o ditador ucraniano, Vladimir Zelensqui, e prometeu continuar trabalhando por novas sanções contra a Rússia e pelo envio de armas ao governo ucraniano.
Donald Trump afirmou que Graham “fará muita falta” e o chamou de “um verdadeiro patriota norte-americano”. Zelensqui declarou estar “profundamente entristecido” e lembrou que havia se reunido duas vezes com o senador apenas na última semana.
As homenagens mais enfáticas partiram, porém, do governo de “Israel”. Benjamin Netaniahu declarou que o Estado sionista perdeu “um de seus maiores amigos”. O ministro da Polícia, Itamar Ben-Gvir, repetiu a homenagem. O ministro da Guerra, Israel Katz, classificou Graham como “um dos mais fortes e firmes apoiadores” de “Israel”.
As declarações resumem a carreira política do senador. Graham dedicou décadas à defesa das invasões norte-americanas, das sanções contra países pobres, do financiamento do Estado sionista e das operações destinadas a derrubar governos que contrariavam os interesses dos Estados Unidos.
Um defensor permanente das guerras
Graham ocupou uma cadeira na Câmara dos Representantes entre 1995 e 2003, quando ingressou no Senado. Antes de entrar para a política, foi advogado militar e coronel da reserva da Força Aérea norte-americana.
Ao lado dos senadores John McCain e Joe Lieberman, formou o grupo conhecido nos Estados Unidos como os “Três Amigos”. Os três viajavam com frequência ao exterior para defender intervenções militares, envio de armamentos, sanções e a ampliação da presença das Forças Armadas norte-americanas em outros países.
Graham apoiou praticamente todas as principais operações militares realizadas pelos Estados Unidos nas últimas décadas. Em 2002, ainda como deputado, votou pela autorização que permitiu ao governo de George W. Bush invadir o Iraque.
A guerra foi justificada pela acusação de que o governo de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa e mantinha relações com a Al-Qaeda. As armas nunca foram encontradas. A invasão assassinou milhões de pessoas, expulsou milhões e destruiu grande parte da estrutura econômica e estatal iraquiana.
Mesmo depois de desmentidas as acusações utilizadas para iniciar a guerra, Graham continuou defendendo a ocupação. Em 2007, apoiou o envio de dezenas de milhares de soldados adicionais ao Iraque e atacou qualquer proposta que estabelecesse uma data para a retirada das tropas norte-americanas.
Quando os soldados deixaram oficialmente o país, em 2011, o senador atribuiu a instabilidade do Iraque à retirada, e não à invasão, à ocupação e à destruição das instituições do país pelos Estados Unidos.
Líbia, Síria e Afeganistão
Graham também apoiou os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Líbia, em 2011. A operação derrubou e assassinou Muamar Cadafi e abriu um período de divisão territorial, guerra entre milícias, governos rivais e intervenção estrangeira.
O senador chegou a reclamar que os Estados Unidos não haviam utilizado força suficiente. Em declaração conjunta com McCain, afirmou que a guerra demorou a alcançar seus objetivos porque o governo norte-americano não empregou “todo o peso de seu poder aéreo”.
Logo depois, passou a defender uma operação semelhante contra a Síria. Pediu o armamento dos grupos que tentavam derrubar o governo de Bashar al-Assad e propôs a criação de uma zona de exclusão aérea. A medida exigia o bombardeio de aviões, sistemas de defesa antiaérea e instalações militares sírias.
No Afeganistão, Graham se opôs ao fim da ocupação, mesmo depois de quase 20 anos de guerra. Quando Joe Biden anunciou a retirada das tropas, em 2021, o senador afirmou que a decisão poderia produzir “outro 11 de Setembro”.
Sua proposta era manter por tempo indeterminado uma força militar dos Estados Unidos e da OTAN no país. Graham defendia, dessa forma, a continuação da ocupação iniciada em 2001.
Em 2019, defendeu abertamente uma invasão da Venezuela para derrubar o presidente Nicolás Maduro. Também pediu a ampliação das operações militares norte-americanas na África, com “mais ações” e “mais agressão”.
‘Arrasem o lugar’
A defesa de “Israel” ocupou um lugar central na atuação política de Lindsey Graham. O senador apoiou o financiamento permanente do Estado sionista, o envio de armas e suas principais guerras contra os povos do Oriente Médio.
Após o início da ofensiva contra Gaza, em outubro de 2023, Graham chamou o conflito de “guerra religiosa” e deu apoio irrestrito à ocupação israelense.
“Estou com Israel. Façam o que tiverem de fazer para se defender. Arrasem o lugar”, declarou.
A frase foi pronunciada quando “Israel” já submetia a população palestina a bombardeios indiscriminados, deslocamentos forçados e ao bloqueio de alimentos, água, medicamentos e combustível. Graham não apenas apoiou a ofensiva, como exigiu que nenhuma restrição fosse imposta ao exército israelense.
Quando aumentaram as denúncias sobre o assassinato em massa da população palestina, o senador comparou a ofensiva israelense aos bombardeios atômicos norte-americanos contra Hiroxima e Nagasáqui.
“Por que foi aceitável os Estados Unidos lançarem duas bombas nucleares sobre Hiroxima e Nagasáqui para encerrar uma guerra que ameaçava sua existência?”, perguntou em maio de 2024. “A Israel, digo: faça o que tiver de fazer para sobreviver como Estado judeu”.
Graham rejeitou as acusações de genocídio, atacou qualquer tentativa de restringir o envio de armamentos e apoiou sanções contra o Tribunal Penal Internacional quando o órgão tomou medidas contra Netaniahu e o então ministro da Guerra, Joab Galante.
O senador também defendeu a repressão contra estudantes que organizaram acampamentos nas universidades norte-americanas em solidariedade ao povo palestino. Em todas as etapas da ofensiva, colocou-se ao lado do Estado sionista e contra a população de Gaza.
Ameaças contra o Irã
O Irã foi outro alvo permanente de Graham. Durante anos, o senador defendeu ataques contra instalações nucleares, refinarias, portos, navios e outras estruturas econômicas iranianas.
Após o Irã derrubar um avião de espionagem norte-americano, em 2019, declarou que “a única coisa que o Irã e todos os demais regimes brutais entendem é força e dor”. Em seguida, pediu ataques contra refinarias e instalações petrolíferas, que chamou de “sangue econômico” do país.
Graham também elogiou o assassinato do general Qassem Soleimani pelos Estados Unidos, em janeiro de 2020, no Iraque. Durante a guerra em Gaza, voltou a defender ataques contra o setor petrolífero iraniano e estimulou Netaniahu a agir contra o programa nuclear do país.
Nos últimos meses de sua vida, apoiou as operações militares dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã e defendeu a manutenção da pressão militar e econômica mesmo após a extensão do cessar-fogo.
Graham defendia a destruição da economia do país como instrumento para provocar uma crise interna e facilitar a derrubada do governo da República Islâmica.
‘Os russos estão morrendo’
Graham visitou Kiev pelo menos 10 vezes desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Tornou-se um dos principais defensores do envio ilimitado de armas e dinheiro para prolongar o conflito.
Durante uma visita à Ucrânia, afirmou que a ajuda militar norte-americana era “o melhor dinheiro que já gastamos”, porque “os russos estão morrendo”.
Em 2022, chegou a pedir publicamente o assassinato do presidente russo, Vladimir Putin. Em uma entrevista, comparou a situação ao assassinato de Júlio César e ao atentado contra Adolf Hitler.
“Há um Brutus na Rússia? Há um coronel Stauffenberg mais bem-sucedido nas Forças Armadas russas? A única maneira de isso terminar é alguém na Rússia eliminar esse sujeito”, afirmou.
Graham também patrocinou um projeto para impor tarifas de 500% contra países que comprassem petróleo russo. A proposta atingia diretamente países que mantêm relações comerciais com a Rússia, mesmo sem qualquer participação na guerra.
Pouco antes de morrer, o senador havia vencido a primária republicana para disputar um quinto mandato. Também voltava de Quieve e preparava novas medidas contra a Rússia.
As homenagens de Trump, Zelensqui, Netaniahu, Ben-Gvir e Katz expuseram com clareza a política que Lindsey Graham defendeu durante toda a sua carreira. Foi um representante destacado das guerras norte-americanas, um defensor do massacre em Gaza e, como reconheceram os próprios dirigentes sionistas, um dos maiores amigos de “Israel”.





