Os sionistas decidiram publicar uma lista de alvos no Brasil.
No dia 4 de julho, o portal argentino La Derecha Diario publicou uma matéria intitulada A investigação que expõe como opera a rede antissemita no Brasil. O texto se baseia em uma publicação de Dani Lerer, apresentado como cientista político, para atacar organizações, dirigentes e militantes que defendem a Palestina no Brasil.
A peça cita a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), o BDS Brasil, o Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), o Samidoun Brasil, o Fórum Latino-Palestino e o Partido da Causa Operária (PCO). A matéria, no entanto, não revela uma investigação. Revela uma operação política.
O texto chama de “rede antissemita” as organizações que denunciam o genocídio em Gaza, defendem boicote a “Israel”, exigem o rompimento das relações militares e diplomáticas com o Estado sionista e apoiam a resistência palestina. Para os autores da peça, o problema não é o massacre de crianças, a destruição de hospitais, o cerco contra um povo inteiro ou a ocupação colonial da Palestina. O problema é que, no Brasil, ainda há setores que denunciam tudo isso.
O La Derecha Diario afirma que o País se tornou “epicentro de uma rede coordenada” contra “a única democracia do Oriente Médio”. A expressão é a senha da propaganda sionista. “Israel” pode bombardear bairros inteiros, matar jornalistas, prender crianças, destruir escolas, atacar hospitais e impor fome à população palestina. Ainda assim, seus defensores exigem que o enclave imperialista seja tratado como uma “democracia”.
A farsa fica ainda mais clara quando o texto acusa a FEPAL de ter intensificado sua atuação ao defender a exclusão de “Israel” da COP-30. É uma questão elementar: um Estado genocida não deve ser recebido como participante normal em eventos internacionais. Se a Rússia foi covardemente alvo de bloqueios e expulsões por causa da guerra na Ucrânia, por que “Israel” deveria ser protegido depois de massacrar o povo palestino?
O caso do BDS Brasil também é apresentado como ameaça. A campanha de boicote, desinvestimento e sanções é atacada porque defende o rompimento de acordos militares e diplomáticos com “Israel”. O portal sionista se incomoda com a comparação entre o Estado sionista e o apartheid sul-africano. Mas o fato é que “Israel” é um Estado colonial, sustentado pela expulsão, pelo confinamento e pela submissão militar de um povo inteiro.
A acusação contra o Ibraspal é ainda mais reveladora. O texto cita Ahmed Shehadeh, presidente da entidade, e tenta transformá-lo em suspeito por ser irmão de Salah Shehadeh, dirigente histórico do Hamas assassinado por “Israel” em 2002. Ou seja: o sionismo não se limita a atacar a posição política das pessoas. Ataca sua origem, sua família e sua ligação com a luta nacional palestina.
O mesmo método aparece contra Sayid Tenório. O texto o acusa por suas ligações políticas com o Irã e com o Hesbolá. Para os sionistas, qualquer relação com as forças que enfrentam “Israel” no Oriente Médio deve ser tratada como caso de polícia.
O Fórum Latino-Palestino é atacado por denunciar o sionismo como uma forma ainda mais monstruosa de opressão que o nazismo. A frase incomoda porque toca em uma verdade insuportável para os propagandistas de “Israel”: o Estado sionista usa o sofrimento histórico dos judeus para justificar a opressão de outro povo. Usa o Holocausto como escudo para a limpeza étnica da Palestina.
O PCO aparece como alvo principal da ofensiva. A matéria afirma que o Partido representa “o ponto máximo desse ódio ideológico” porque Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência, declarou apoio ao Hamas.
A frase citada pelo próprio texto é conhecida: “O PCO apoia o Hamas 1.000%”.
E apoia mesmo.
O Hamas é uma organização da resistência palestina. Enfrenta um Estado colonial armado, financiado e protegido pelo imperialismo. Os sionistas querem que os palestinos morram em silêncio, aceitem a ocupação, aceitem a prisão, aceitem o roubo de terras, aceitem a destruição de Gaza e ainda peçam desculpas por existir. O PCO defende o direito do povo palestino de resistir.
O escândalo fabricado pelo La Derecha Diario mostra o tamanho da ofensiva. A matéria reúne nomes, entidades, vínculos políticos, declarações e acusações para apresentar a defesa da Palestina como uma ameaça interna ao Brasil.
No fim do texto, o portal afirma que não se trata de “casos isolados de ativismo”, mas de uma “rede política, militante e ideológica” que atua “sob o manto da ditadura de Lula”, colocando em risco “a segurança nacional e os valores do Ocidente em toda a região”.
A conclusão deles é uma ameaça aberta.
Os sionistas querem importar para o Brasil o mesmo método usado nos Estados Unidos e na Europa: acusar de antissemitismo quem denuncia “Israel”, intimidar militantes, pressionar governos, perseguir organizações e transformar a solidariedade à Palestina em caso de polícia.
A ofensiva, porém, tem um sinal positivo. Eles atacam porque a defesa da Palestina cresceu. Atacam porque as manifestações incomodam. Atacam porque a campanha contra “Israel” ganhou força. Atacam porque o genocídio ficou impossível de esconder.





