Irã

Líder da Revolução Islâmica jura vingança por assassinato de Ali Khamenei

Saied Mojtaba Khamenei afirmou que os responsáveis pelo assassinato serão perseguidos e que a vingança não depende da permanência de nenhuma autoridade no governo iraniano

O líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, jurou neste sábado (11) vingar o assassinato do aiatolá Saied Ali Khamenei e dos demais iranianos assassinados nas duas guerras de agressão promovidas pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã.

A declaração foi feita em uma carta divulgada após as cerimônias fúnebres do antigo dirigente iraniano. Segundo Mojtaba Khamenei, dezenas de milhões de pessoas participaram das homenagens realizadas em cidades e aldeias do Irã e do Iraque, principalmente em Teerã, Qom, Najaf, Carbala e Mashhad.

O novo líder classificou a participação popular como “assombrosa, capaz de desbaratar o inimigo e histórica”. As cerimônias atravessaram diferentes regiões dos dois países e terminaram com o sepultamento de Ali Khamenei em Mashhad, junto ao santuário do imã Ali ibn Musa al-Rida.

Dirigindo-se ao dirigente assassinado, Mojtaba Khamenei afirmou:

“Agora que, com os olhos cobertos de lágrimas e os corações partidos, despedimo-nos de seu corpo, pactuamos preservar sua escola e percorrer com firmeza o caminho reto que você traçou, sem temer as dificuldades e, como você, confiando nas promessas divinas.”

‘Uma exigência da nossa nação’

O líder iraniano declarou que a vingança pelo assassinato de Ali Khamenei e dos demais mártires é uma exigência do povo iraniano.

“Pactuamos vingar seu sangue puro e o de todos os mártires destas duas guerras contra os assassinos criminosos e desonrados”, afirmou.

Segundo Mojtaba Khamenei, os responsáveis pelo assassinato já foram identificados. Ele advertiu que nenhum deles terá uma morte tranquila.

“Esses criminosos, cujos nomes estão plenamente identificados, levarão para a sepultura o desejo de morrer tranquilamente na cama”, declarou.

O dirigente também afirmou que o cumprimento da vingança não depende de sua permanência à frente do país nem da presença de qualquer outra autoridade iraniana.

“Este assunto não depende da existência da minha pessoa nem da de outras autoridades. Estejamos ou não aqui, isso será cumprido. Em breve, pessoas livres de todas as partes do mundo realizarão, cada uma, uma parte desta missão divina”, escreveu.

Na carta, Mojtaba Khamenei prestou ainda homenagem aos integrantes do governo, militares e familiares mortos ao lado do antigo líder. Ele afirmou que todos estão agora sob a proteção do imã al-Rida, a quem Ali Khamenei serviu durante toda a vida.

Leia abaixo a íntegra da carta:

Carta de Saied Mojtaba Khamenei

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

A paz esteja contigo, ó Sangue de Deus, filho daquele que vingará seu sangue e solitário privado de seu direito. A paz esteja contigo e com seu avô, seu pai, sua mãe, seu irmão e os infalíveis entre seus descendentes.

A paz esteja com o imã cujo chamado renovador à insurreição prolongou, até os pontos mais distantes da história, o grandioso e ressonante eco da missão profética, e de cuja influência surgiu a Revolução Islâmica do Irã.

Uma revolução de Hussein desde seus fundamentos, edificada e fortalecida com o lema e o pensamento de Hussein. O Senhor dos Mártires do Irã também cresceu sob esse mesmo pensamento. Ele pertencia a Hussein, pensava como Hussein, agia como Hussein, lutava e resistia como Hussein, vivia como Hussein e, ao oferecer seu sangue no caminho da escola de Hussein, alcançou o martírio.

Entre os seguidores de Hussein estão aqueles cujo sangue, quando derramado injustamente no caminho de Hussein, de sua escola e de seu pensamento — que a paz esteja com ele —, coloca a comunidade islâmica em movimento. Nesse momento, o presente se liga àquele tempo, a Ashura, e àquele lugar, Carbala.

Agora, esse mesmo fervor de Hussein despertou nossa nação e deu uma nova manifestação à escola do grande Khomeini e do mártir Khamenei. Esse é o estrondo renovador que faz ressoar no Irã, depois no Iraque e em outros países, o chamado do oprimido Hussein — que a paz esteja com ele: Min nasirin yansuruni?, “Há alguém que venha em meu auxílio?” — e provoca um terremoto nos alicerces da falsidade.

Aproveito esta ocasião para expressar meu sincero agradecimento pela presença multitudinária, assombrosa, capaz de desbaratar o inimigo e histórica de dezenas de milhões de pessoas nas cidades e aldeias do Irã e do Iraque, principalmente em Teerã, Qom, Najaf, Carbala e Mashhad.

Nossa nação é a vingadora do sangue de Hussein. Durante anos, essa grande nação sacrificou seus filhos no caminho de Hussein e na guerra contra os inimigos de Hussein, de sua escola e de seu pensamento. Agora, ela também é a vingadora do sangue de Hussein e de seus seguidores e continuadores em nosso tempo.

Agora me dirijo ao nosso líder mártir e digo:

Ó vítima oprimida! Ó oprimido de cabeça erguida! Ó virtuoso servo de Deus!

Agora que, com os olhos cobertos de lágrimas e os corações partidos, despedimo-nos de seu corpo, pactuamos preservar sua escola e percorrer com firmeza o caminho reto que você traçou, sem temer as dificuldades e, como você, confiando nas boas-novas e nas promessas divinas.

Pactuamos vingar seu sangue puro e o de todos os mártires destas duas guerras contra os assassinos criminosos e desonrados.

Essa vingança é uma exigência da nossa nação e deve ser cumprida de maneira definitiva. Esses criminosos, cujos nomes estão plenamente identificados, levarão para a sepultura o desejo de morrer tranquilamente na cama.

Eles devem saber que este assunto não depende da existência da minha pessoa nem da de outras autoridades. Estejamos ou não aqui, isso será cumprido. Em breve, pessoas livres de todas as partes do mundo realizarão, cada uma, uma parte desta missão divina.

Ó pai mártir da comunidade islâmica! Que seja doce para você o néctar do martírio que desejou durante toda a vida. Que seja abençoado vestir as roupas do martírio com um corpo que carrega as marcas de sua mãe, a puríssima Fátima, e de seus antepassados, o imã Hussein e Abu al-Fadl al-Abbas — que a paz esteja com eles.

E vocês, seus companheiros oprimidos, atacados de surpresa pelo inimigo e martirizados: bem-aventurados sejam. Agora, vocês são hóspedes daquele senhor cuja bondade e ternura talvez tenham experimentado muitas vezes. Aquele senhor, que é a porta da misericórdia divina para todos e principalmente para o povo desta terra, agora os recebe. Seu santuário tornou-se a morada de vocês.

E você, ó nobilíssimo senhor, ó generoso, ó imã compassivo, ó Abu al-Hassan al-Rida al-Murtada, sobre quem estejam as mais elevadas bênçãos de Deus!

Agora, o corpo dilacerado de um servidor seu e da Família Imaculada, após anos de esforço, sacrifício e luta incansável, repousa nesta terra pura junto aos corpos dos mártires de sua família, cada um dos quais recorda um mártir da planície de Carbala.

Ali permanecerá até o dia em que, por ordem divina, o sol que ilumina o universo, o nobre imã Mahdi — que Deus Altíssimo apresse sua manifestação —, surgir por detrás das nuvens da ocultação e fizer brilhar sobre os habitantes da Terra a luz da misericórdia divina.

Naquele dia, que esperamos chegar muito em breve, estrelas entre os justos, os mártires e os amigos de Deus o acompanharão. Esperamos que nosso líder mártir esteja entre eles e volte a produzir cenas luminosas e puras de luta e fidelidade ao pacto eterno. Talvez seus companheiros também o acompanhem naquele dia.

Ó Senhor compassivo!

Entregamos a Ti, à Tua bondade e à Tua providência, nosso líder, que consagrou tudo o que possuía ao Teu caminho, e seus companheiros mártires. Assim como desfrutaram de Tua benevolência durante a vida terrena, que, de agora em diante, desfrutem dela da mesma maneira e de maneira ainda maior.

Por fim, expressamos novamente nossas condolências ao nosso mestre, o nobre imã Mahdi — que Deus Altíssimo apresse sua manifestação —, e pedimos a esse mestre generoso e misericordioso que recorde, em suas orações, o Senhor dos Mártires do Irã, seus companheiros mártires e todos os mártires.

Pedimos a Deus Altíssimo, glorioso e excelso, que conceda a todos os mártires o mais elevado grau espiritual; às suas famílias, paciência e recompensa; e à oprimida nação iraniana, uma vitória e um auxílio definitivos e próximos, se Deus quiser.

Saied Mojtaba Hosseini Khamenei

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