O Brasil 247 publicou uma reportagem, baseada em um artigo da Bloomberg, apresentando o desempenho da Noruega na Copa do Mundo de 2026 como uma revolução na formação de jogadores. O artigo Modelo norueguês desafia lógica do esporte de alto rendimento e transforma Haaland em símbolo de uma revolução no futebol afirma que o resultado norueguês seria produto de um sistema que estimula a participação de todas as crianças, a prática de diferentes esportes e o desenvolvimento gradual dos atletas, em oposição à competição desde os primeiros anos.
Erling Haaland aparece como o principal resultado desse método. Formado em um clube comunitário da pequena cidade de Bryne, o atacante seria a prova de que a Noruega descobriu uma nova maneira de produzir grandes jogadores.
Quem assistiu à partida entre Brasil e Noruega viu outra coisa. A Seleção Brasileira foi superior durante todo o jogo, criou as melhores oportunidades e perdeu vários gols na cara do goleiro. Os dois gols noruegueses não corresponderam ao que ocorreu em campo.
O Brasil deveria ter vencido. A irritação do torcedor brasileiro decorre justamente disso: a Seleção perdeu para uma equipe muito inferior, que mostrou enormes limitações para organizar o jogo, trocar passes e criar jogadas.
Apresentar esse time como modelo de formação de jogadores é uma fraude. O próprio Haaland, escolhido como símbolo do sistema norueguês, é sobretudo um atacante de enorme força física. Em um dos gols, ganhou a disputa com o zagueiro brasileiro usando o corpo e praticamente o empurrou para dentro do gol.
Não há nisso nenhuma inovação. O método apresentado como revolucionário produziu um centroavante forte, veloz e eficiente diante do gol, mas tecnicamente limitado. A exaltação da Noruega não corresponde ao futebol apresentado pela equipe.
Haaland também se transformou em novo símbolo do setor colonizado da pequena burguesia brasileira, sempre disposto a exaltar o que vem da Europa e desprezar tudo o que é produzido no País. O jogador declarou que o futebol brasileiro não pode ser comparado ao europeu. A afirmação foi imediatamente recebida como uma grande verdade pelos que repetem que o Brasil desaprendeu a jogar e precisa copiar os europeus.
A campanha contra o futebol brasileiro é antiga, mas adquiriu uma força maior nos últimos anos. Seu objetivo é rebaixar a Seleção Brasileira e transformar o torcedor nacional em consumidor permanente dos campeonatos europeus, que movimentam bilhões de dólares.
Por isso, uma seleção pentacampeã do mundo é apresentada como atrasada, enquanto uma equipe que nunca conquistou um título importante e mal consegue organizar seu jogo aparece como exemplo para o futuro. A grande imprensa capitalista promove essa campanha porque ela atende diretamente aos interesses comerciais do futebol europeu.
A camada bem-pensante da classe média repete essa propaganda. Parte da esquerda também acompanha a campanha e, em vez de defender uma das maiores conquistas do povo brasileiro, ajuda a difundir a ideia de que a salvação depende da imitação dos europeus.
O futebol norueguês não é modelo de coisa alguma. É o anti-futebol elevado artificialmente à condição de exemplo para atacar o futebol brasileiro.





