A vida do médico palestino Hussam Abu Safiya, de 52 anos, está em perigo imediato nas prisões de “Israel”. O diretor do Centro de Defesa das Liberdades, Helmi al-Araj, denunciou que o antigo dirigente do hospital Kamal Adwan sofreu espancamentos brutais, maus-tratos, tortura e isolamento durante o período em que permanece preso pela ocupação.
Abu Safiya foi sequestrado pelas forças israelenses em dezembro de 2024, durante a invasão do hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza. Funcionários, médicos e pacientes também foram levados pelos soldados.
O médico está preso sem acusação formal há mais de 18 meses. O governo de “Israel” o classificou como “combatente ilegal”, designação usada pela ocupação para manter palestinos presos por tempo indeterminado, sem julgamento e sem as garantias previstas para prisioneiros.
Segundo al-Araj, as autoridades israelenses perseguem deliberadamente Abu Safiya e mantêm contra ele um regime contínuo de agressões. A prisão do médico provocou campanhas internacionais por sua libertação, sem que o governo israelense tenha apresentado qualquer acusação capaz de justificar seu encarceramento.
Tortura nas prisões israelenses
O diretor do Centro de Defesa das Liberdades destacou que a situação de Abu Safiya não é um caso particular. Homens e mulheres palestinos mantidos nas prisões israelenses estão submetidos a grave risco de morte, diante dos numerosos depoimentos sobre tortura, espancamentos, privação de comida e atendimento médico e outras formas de violência.
A organização exigiu que entidades internacionais e grupos de defesa dos direitos humanos apresentem denúncias formais aos tribunais internacionais. O objetivo é responsabilizar as autoridades de “Israel” pelas torturas praticadas contra Abu Safiya e os demais prisioneiros palestinos.
Nesta quarta-feira (8), a Comissão Internacional Independente de Investigação das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado também exigiu que o médico fosse libertado.
O órgão pediu “a libertação imediata, incondicional e segura” de Abu Safiya e de todos os profissionais de saúde mantidos arbitrariamente nas prisões israelenses. A comissão também exigiu que o médico tenha acesso imediato a atendimento realizado por profissionais independentes.
A comissão responsabilizou diretamente as autoridades israelenses pela piora do estado de saúde de Abu Safiya. Segundo o órgão, as agressões cometidas por funcionários do sistema penitenciário israelense contra os prisioneiros palestinos podem constituir crimes internacionais.
Dois dias antes, na segunda-feira (6), o Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária também declarou ilegal a prisão do médico. O órgão apontou que “Israel” violou a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.
Ataque ao sistema de saúde
Abu Safiya é um dos 14 médicos da Faixa de Gaza atualmente mantidos nas prisões israelenses sem acusação formal. A perseguição contra os profissionais faz parte da ofensiva da ocupação para destruir o sistema de saúde palestino e impedir o atendimento aos feridos pelo genocídio.
Antes de ser sequestrado, Abu Safiya tornou-se uma das principais vozes a denunciar a destruição dos hospitais de Gaza. Ele permaneceu trabalhando no hospital Kamal Adwan mesmo depois que um ataque realizado por um VANT israelense assassinou um de seus filhos.




