Para Rui Costa Pimenta, a Argentina é a seleção da máfia na Copa do Mundo. A declaração foi feita nesta quinta-feira (9), durante o programa Análise Internacional, do Diário Causa Operária.
O presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência comentou as denúncias contra a FIFA, a arbitragem da Copa e a proteção dada a Lionel Messi. Para Pimenta, o caso da Argentina deve ser visto como parte de uma operação política dentro do futebol mundial.
O programa voltou ao ar depois de uma semana de interrupção por causa da 55ª Universidade de Férias, dedicada ao curso A história do Irã e da República Islâmica. A edição não contou com a presença do comandante Robinson Farinazzo, que estava no Irã acompanhando os funerais do mártir Aiatolá Saied Ali Khamenei.
A discussão começou com a crise aberta na FIFA após a reversão da suspensão de um jogador dos Estados Unidos, depois de uma intervenção pública de Donald Trump. O caso levou o Parlamento Europeu a pedir ao Comitê Olímpico Internacional que acionasse o Conselho de Ética da FIFA contra Gianni Infantino.
Pimenta afirmou que o episódio mostra o funcionamento político da Copa.
“A Copa do Mundo é um espetáculo esportivo que é o mais assistido no mundo. Nos rincões do planeta, o pessoal para, liga a televisão para ver o jogo da Copa. É uma coisa extraordinariamente importante. Aí o que acontece? Revela-se que os Estados Unidos foram favorecidos pelo esquema do Infantino. Os europeus protestaram, mas eles também foram favorecidos. E a Argentina, apesar de o time da Argentina ser detestável, o problema não é exatamente a Argentina enquanto país, mas a promoção de um jogador europeu, que é o Messi, o jogador mais favorecido pelo esquema futebolístico até hoje.”
O dirigente do PCO destacou o jogo entre Argentina e Egito como o principal exemplo da operação. A seleção argentina venceu por 3 a 2, em uma partida marcada por decisões escandalosas da arbitragem francesa. O Egito teve um gol anulado, pênaltis ignorados e protestos reprimidos pelo árbitro François Letexier.
Para Pimenta, a partida serviu como demonstração da relação entre o imperialismo e os países oprimidos também no esporte.
“É uma grande denúncia. É uma espécie de amostragem da relação entre os países imperialistas e os países oprimidos. Você vai na Copa, você também é oprimido na Copa. Então, eu acho que a denúncia é muito importante. O que está acontecendo é muito revelador do que acontece no futebol.”
Mais adiante, ao responder uma pergunta sobre se a Suíça seria imperialista e se seria correto torcer contra a Argentina, Pimenta afirmou que a seleção argentina se tornou a candidata da máfia da FIFA.
“A Argentina é o candidato da máfia. Pode parecer contraditório, mas não é. O Messi é um jogador europeu. Nasceu na Argentina, mas nunca jogou no futebol argentino. Sempre jogou no futebol europeu. É o típico jogador europeu. Eu diria que ele é o jogador mais favorecido de toda a história do futebol pela máfia.”
O presidente do PCO afirmou que a campanha em torno de Messi sempre foi sustentada pela propaganda das grandes empresas capitalistas. Segundo ele, o próprio desenvolvimento da Copa de 2026 ajuda a deixar isso claro.
“A gente sempre falou isso. A gente vinha e falava: ‘esse é melhor que Pelé’. De onde tiraram um negócio desse? É tudo propaganda. Agora está aparecendo a propaganda. O pessoal está ligando os pontos e está vendo que a carreira do Messi toda foi feita em cima do tapete voador das grandes empresas capitalistas.”
Pimenta comparou a campanha argentina com a história da Seleção Brasileira. Segundo ele, o Brasil ganhou suas cinco Copas contra a pressão política, contra arbitragens desfavoráveis e sem precisar da proteção da FIFA.
“A gente sempre falou que o Brasil era desfavorecido por esse sistema mafioso, sempre foi. O futebol argentino não merece que dê um crédito. O Brasil ganhou cinco Copas do Mundo de maneira limpa e, na maioria das vezes, contra arbitragem, contra pressão política.”
O dirigente também lembrou a Copa de 1978, realizada durante a ditadura militar argentina. Naquele torneio, a Argentina avançou à final depois de vencer o Peru por 6 a 0, em um dos episódios mais suspeitos da história das Copas.
“A primeira Copa do Mundo da Argentina foi um escândalo maior do que esse que nós estamos vendo agora da Argentina. Todo mundo sabia naquele momento que a ditadura militar argentina, junto com a FIFA, junto com as empresas capitalistas, comprou a seleção do Peru para a Argentina se classificar. É uma coisa escandalosa. Eu, por exemplo, se o Brasil ganhasse uma Copa desse jeito, tinha até vergonha.”
Pimenta ainda citou a Copa vencida por Maradona, marcada pelo gol de mão contra a Inglaterra, e a última Copa conquistada pela Argentina, na qual, segundo ele, a equipe também foi beneficiada de maneira escandalosa.
“O famoso gol de mão que ele fez. E na última Copa também, que a Argentina ganhou, foi escandalosamente favorecida. Não é o jogador argentino, é o juiz, é a máfia. Isso daí não dá para você torcer. Vai torcer para isso?”
Para o presidente do PCO, a derrota da Argentina seria positiva porque enfraqueceria a operação política da FIFA em torno de Messi.
“O ideal seria que ele fosse desclassificado, para fracassar a operação criminosa, operação mafiosa.”
Pimenta explicou que a política não está apenas fora do futebol. Está também dentro de campo, na maneira como se decide quem é favorecido, quem é prejudicado e que tipo de futebol é apresentado ao público como legítimo.
“O que acontece dentro do esporte também é política. Não é só o que acontece fora. O que acontece no campo de futebol também é política. Você supõe que o jogo deve ser justo, equivalente, honesto, limpo e que ganha o melhor. Defender o esporte, defender a lisura, defender a maior qualidade e o talento maior é uma defesa do esporte e é uma coisa política. A fraude do esporte é uma coisa política também.”
O programa também tratou da censura nas redes sociais. Ao comentar o chamado chat control na União Europeia, Pimenta afirmou que o controle da Internet é uma necessidade do imperialismo.
“Não, o controle das redes sociais é vital para o imperialismo. Isso aí não tem a menor dúvida. Eles estão dispostos a fazer qualquer coisa.”
Pimenta comparou o controle dos aparelhos pessoais ao livro 1984, de George Orwell. Segundo ele, aquilo que era ficção no momento em que o livro foi escrito se tornou tecnicamente possível.
“No livro, a pessoa tinha uma tela de televisão em casa, e a tela de televisão não mostrava só o que era transmitido. Ela transmitia de volta o que estava acontecendo lá. Na época em que o livro foi escrito, isso era uma coisa impossível de se fazer. Hoje em dia estão fazendo ou estão querendo fazer. Nós estamos caminhando rapidamente para uma situação em que todo mundo é vigiado quase 100% do tempo.”
Outro ponto discutido foi o funeral de Ali Khamenei. Pimenta afirmou que o assassinato do dirigente iraniano mudou a situação no Oriente Médio, principalmente pela reação popular gigantesca no Irã e no Iraque.
“Eles mataram o dirigente do Irã e a reação da população foi gigantesca, maior que a gente já viu até hoje. Então, essa reação é um fato político da maior importância.”
Ao comentar as novas agressões dos Estados Unidos contra o Irã, Pimenta disse que ainda não estava claro o motivo exato da ruptura das negociações por Trump, mas apontou que a manifestação popular durante os funerais pode ter pesado na decisão.
“Sem falar na coisa totalmente canalha que é você atacar um país que está realizando os funerais do seu dirigente. Isso é digno de marginais de quinta categoria.”
Na parte final, Pimenta também comentou a Venezuela, Cuba e a chamada esquerda do Partido Democrata norte-americano. Sobre a Venezuela, afirmou que o chavismo capitulou, mas que ainda não está claro se houve mudança de regime político. Sobre Cuba, disse que a situação é difícil, mas não considera que haja o fim do Estado operário.
O encerramento voltou ao futebol. Pimenta chamou os espectadores para o lançamento do livro A evolução do futebol brasileiro através das Copas, de Juca Simonard, no sábado (11), às 17 horas, no Centro Cultural Benjamin Péret, em São Paulo. Segundo ele, a atividade discutirá a história do futebol brasileiro e a crise da Copa atual.





