O Estadão entrou de cabeça na campanha da FIFA. Depois da eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo, o jornal passou a publicar uma série de ataques contra a Seleção Brasileira, ao mesmo tempo em que exalta os favoritos da entidade: França, Messi e Argentina.
O caso mais escandaloso aparece na cobertura das oitavas de final. O Estadão colocou Lionel Messi na seleção ideal da rodada e apresentou a vitória argentina sobre o Egito como uma “virada épica”. A descrição apaga o essencial. A Argentina venceu por 3 a 2 em uma das partidas mais roubadas da Copa.
O árbitro francês François Letexier anulou um gol egípcio, ignorou pênalti em Salah na origem da virada argentina e ainda puniu os protestos da comissão técnica do Egito. O técnico Hossam Hassan denunciou a manipulação da partida. Mesmo assim, para o Estadão, Messi “chamou a responsabilidade” e “liderou” a classificação.
A mesma operação aparece na forma como o jornal trata a França. Nesta quinta-feira (9), depois da vitória francesa sobre Marrocos por 2 a 0, o Estadão publicou texto de Mauro Beting dizendo que a “França é o Brasil deste século” e a “grande favorita rumo ao tricampeonato”. Em outra chamada, o jornal tratou Mbappé como “imparável”.
A França está na semifinal, mas passou pelo Paraguai com ajuda direta do VAR. O árbitro não marcou o pênalti em campo. O vídeo chamou, a decisão foi mudada, e Mbappé fez o gol da vitória. Contra o Marrocos, o mesmo Mbappé ainda perdeu um pênalti antes de marcar. Nada disso impediu o jornal de seguir a campanha de louvação.
Com o Brasil, o tratamento é outro. O Estadão abriu espaço para uma enxurrada de ataques contra a Seleção. Müller chamou a atual geração de “fracassada”, “mentirosa” e “enganadora”. Paulo Sérgio disse que a geração é “perdedora”. O jornal cedeu seu espaço até mesmo para um francês chamado Youri Djorkaeff afirmar que dava “vontade de vomitar” vendo o Brasil contra a Noruega.
O jornal tentou tansformou a derrota brasileira em prova de que o futebol brasileiro acabou, de que a geração atual não presta, de que a próxima também não prestará e de que a salvação estaria em copiar a Europa.
O que o jornal faz é repetir a ladainha dos inimigos do futebol brasileiro. O Brasil teria de abandonar sua identidade, aceitar sua decadência e se curvar ao modelo europeu. Enquanto isso, a França é apresentada como “o Brasil deste século”, como se o país que produziu Pelé, Garrincha, Jairzinho, Romário, Ronaldo e Ronaldinho tivesse de entregar sua história para a seleção protegida da FIFA.
O Estadão também abre espaço para uma reabilitação indireta dos europeus contra o Brasil. Um campeão francês de 1998, Youri Djorkaeff, é usado para humilhar a Seleção Brasileira. O jornal destaca sua frase sobre a vontade de vomitar vendo o Brasil. O mesmo jornal, porém, não faz campanha equivalente contra os escândalos da arbitragem francesa, contra a proteção à França e contra a operação em torno de Messi.



