A Polícia Federal voltou a operar sob comando dos EUA. Nesta terça-feira (7), a PF e a Marinha do Brasil interceptaram uma embarcação pesqueira em águas internacionais, na altura da costa do Suriname, em uma operação apresentada como combate ao tráfico internacional de drogas.
Segundo a própria PF, a ação contou com apoio direto da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos, e da JIATF-South, força-tarefa vinculada ao Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas. A operação teria sido viabilizada pelo compartilhamento de informações de inteligência entre os órgãos.
A informação central da notícia está aí. O Estado brasileiro colocou sua polícia e sua Marinha para atuar em uma operação articulada com organismos do imperialismo norte-americano, em uma área fora do território nacional, contra uma embarcação abordada na altura da costa de outro país sul-americano.
A abordagem foi feita por equipes da PF e da Marinha embarcadas em um navio-patrulha sediado em Belém, no Pará, subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval. Durante a fiscalização, os agentes afirmam ter encontrado entorpecentes a bordo.
Até o momento, no entanto, a quantidade de droga apreendida não foi divulgada. A PF informou apenas que o número será apresentado depois da conferência e da pesagem do material. A embarcação e os tripulantes passaram pelos procedimentos previstos na legislação brasileira e em acordos internacionais de cooperação.
O caso mostra, mais uma vez, como o combate às drogas é usado pelos Estados Unidos para ampliar sua presença militar e policial na América Latina. A DEA e o Comando Sul não são órgãos neutros. São instrumentos da política externa norte-americana para controlar governos, polícias, Forças Armadas, fronteiras e rotas marítimas do continente.
Sob o pretexto de perseguir traficantes, os EUA colocam suas agências dentro das operações de segurança dos países latino-americanos. A PF, por sua vez, aparece como executora local dessa política. Em vez de defender a soberania nacional, age como força auxiliar dos interesses norte-americanos.
O Suriname, menor país da América do Sul, está em uma região estratégica do continente. A presença de uma operação brasileira com apoio da DEA e de uma força-tarefa ligada ao Comando Sul na costa do país não pode ser vista como um episódio policial comum. É parte da pressão permanente do imperialismo para transformar a América Latina em zona de patrulhamento dos EUA.
A continuidade das investigações, anunciada pela PF, deve servir para ampliar essa cooperação. O problema é político. A polícia brasileira não deveria servir de cão de caça para a DEA, muito menos em operações articuladas com o Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas.





