Parceria DCO-COTV

Plantão Irã debate funeral de Khamenei e avanço da resistência

Programa tratou da situação no Iêmen, da decisão do Hamas sobre Gaza, da Copa do Mundo e das mobilizações no Irã

Após uma pausa devido à 55ª Universidade de Férias, voltou ao ar o Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV), em parceria com o Diário Causa Operária (DCO).

Nesta edição, apresentada por Victor Assis e Pedro Burlamaqui, no estúdio da COTV, em São Paulo, foram tratados a retomada das tensões no Iêmen, a decisão do Hamas de transferir a gestão civil da Faixa de Gaza a um comitê nacional, a crise na Autoridade Palestina, a Copa do Mundo e o funeral de Ali Khamenei.

O primeiro assunto foi o Iêmen. Burlamaqui destacou que, na sexta-feira (3), o Exército iemenita, dirigido pelo Ansar Alá, afugentou um jato saudita que tentava impedir o pouso de um avião civil vindo do Irã na capital, Sana. A aeronave transportava iemenitas que retornavam ao país a partir de Teerã. Depois, deixou o Iêmen levando representantes do governo para o funeral de Khamenei.

Também foram comentados os combates em distrito ao sul de Hodeida, importante cidade portuária do país. Segundo informações citadas no programa, as forças iemenitas eliminaram 14 mercenários financiados e organizados pela Arábia Saudita.

Para Assis, o Iêmen tende a aproveitar a nova situação regional para avançar contra as forças pró-imperialistas que ainda ocupam parte do país.

“Acho que, apesar da tendência ao arrefecimento da guerra entre Irã e Estados Unidos, há tanto a tendência dos grupos revolucionários de aproveitar a situação favorável para liquidar algumas faturas como a tendência reacionária do sionismo e de seus sócios na região de procurar contestar o acordo de cessar-fogo, porque é muito desfavorável a ‘Israel’. Acho que é plausível que o Iêmen, na medida em que o Eixo da Resistência sai fortalecido, procure combater essas forças do imperialismo dentro do país. Não apenas é provável como é legítimo. O Iêmen foi invadido.”

Outro tema foi a decisão do Hamas de dissolver o Comitê Governamental de Emergência da Faixa de Gaza e transferir a gestão civil ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza. Burlamaqui explicou que a medida já havia sido acordada durante as negociações de cessar-fogo, com as demais organizações da resistência e os mediadores internacionais.

Segundo nota do gabinete de imprensa do Hamas, citada no programa, a dissolução foi feita “como demonstração da seriedade destas medidas, em implementação dos arranjos acordados e para facilitar o processo de transição administrativa”. O movimento afirmou ainda que deu “um novo passo ao deixar de estar encarregado da Faixa de Gaza, a fim de remover qualquer pretexto da ocupação para continuar sua agressão e guerra de extermínio”.

Assis avaliou que a decisão não representa fraqueza, mas uma manobra política contra “Israel”.

“Você tem esse comportamento dos governos imperialistas e sionistas, e tem o caso do Hamas: simplesmente ele abre mão do governo. Não abre mão de defender o povo palestino, não abre mão de participar ativamente da política do país. Mas ele simplesmente, numa proposta bastante democrática, se põe a favor de, em vez de governar sozinho, realizar um governo de coalizão com as forças de resistência da região.”

O programa também tratou da possível candidatura de Marwan Barghouti à Presidência da Autoridade Palestina contra Mahmoud Abbas. Barghouti, dirigente do Fatá, está preso por “Israel” desde 2002. Para Assis, sua força política mostra a crise da Autoridade Palestina e o crescimento da ala ligada à luta armada.

“Não dá mais para esconder que, mesmo o Fatá sendo aparelhado pela Autoridade Palestina, como é um partido grande, como é um partido tradicional, que inclusive tem uma ala, tem um braço armado, quem tem mais popularidade dentro do Fatá não é o setor governista, não é a Autoridade Palestina, são aqueles elementos que estão vinculados à luta armada.”

Na parte sobre a Copa do Mundo, Assis afirmou que o torneio vem sendo marcado por favorecimentos aos países imperialistas e aliados. Ele citou a eliminação suspeita do Irã e a vitória da Argentina contra o Egito, por 3 a 2, como exemplos. Também mencionou a intervenção de Donald Trump na suspensão da punição ao jogador norte-americano Folarin Balogun.

“A roubalheira na Copa já é um dado constante há décadas, mas o que acontece é que nesta Copa a crise do futebol europeu é mais profunda e a quantidade de times é maior, então a quantidade de manobras necessárias vai se tornando cada vez maior. Nesta Copa ficou escancarado que o negócio não é nada honesto.”

O principal assunto do programa foi o funeral de Ali Khamenei. Burlamaqui destacou as imagens de multidões em Teerã e Qom, além da ida do caixão ao Iraque. Para Assis, a mobilização popular é uma derrota para os planos de intervenção imperialista contra o Irã.

“É difícil lembrar de algo que se compare a isso. Em relação ao enterro, antes de acontecer, quando já vi as notícias de que eram esperadas cifras na casa das dezenas de milhões, a gente chegou a comparar com alguns enterros de autoridades dos países imperialistas, e não dá nem para o cheiro.”

Assis também criticou os setores da esquerda que tratam o Irã como uma simples “teocracia dos aiatolás” e ignoram uma mobilização popular desse tamanho.

“Se você não vai nem se solidarizar com a luta anti-imperialista, para que você vai existir enquanto esquerda? É melhor entrar logo na direita, virar puxa-saco de um deputado federal, virar puxa-saco da Rede Globo e seguir daí.”

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