O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência, Rui Costa Pimenta, afirmou, no programa Análise da 3ª desta terça-feira (7), da Rádio Causa Operária, que a campanha contra Neymar e contra a Seleção Brasileira é parte de uma ofensiva política contra o futebol brasileiro.
Para Pimenta, os ataques contra Neymar têm dois componentes. Um deles é eleitoral, devido ao apoio dado pelo jogador a Bolsonaro. O outro é econômico, ligado aos interesses que procuram favorecer o futebol europeu em detrimento do brasileiro.
“Vamos colocar a coisa no seu devido lugar. A enxurrada de calúnias contra o Neymar é grotesca. A gente não pode se surpreender porque sabe que no Brasil tem gente que é capaz de matar a mãe por um voto. Como o Neymar deu apoio ao Bolsonaro em algum momento, o pessoal acha que tem que eliminar o Neymar. Até que o pessoal não goste do Neymar, do ponto de vista político, acho normal. Mas falsificar a realidade por esse motivo é absurdo. É uma campanha gigantesca contra o Brasil. Não é só contra o Neymar. Essa campanha é orquestrada, é interessada, é uma campanha da direita que a esquerda apoia”, disse.
O dirigente do PCO comparou os ataques feitos no Brasil com o reconhecimento internacional de Neymar. Ele citou declarações de Thierry Henry, Ronaldinho e Pep Guardiola, que classificaram o jogador como um dos maiores talentos do futebol mundial.
Segundo Pimenta, parte da esquerda se deixa levar pela campanha da direita liberal contra o futebol brasileiro. Ele lembrou que o mesmo aconteceu com Pelé, atacado por não ser um militante da esquerda.
“Se o Neymar fosse garoto-propaganda do Lula, estava todo mundo elogiando. Quem não sabe disso? Não é segredo para ninguém. Quando Alckmin decidiu entrar no governo do PT, estava todo mundo elogiando o Alckmin. Agora estão elogiando Simone Tebet. O PT vai lançar ela como candidata; ela é a rainha do latifúndio. Esse é o problema. O que é importante? A posição política do Pelé ou o que ele deu para o Brasil em termos do futebol dele? Obviamente, é o segundo.”
Pimenta também criticou os comentaristas que, a cada eliminação do Brasil, anunciam o fim do futebol brasileiro. Para ele, a Copa do Mundo é uma disputa sujeita a muitos fatores, inclusive arbitragem, bastidores e pressão política.
“O futebol é imprevisível. O fato de você ter condições de ganhar não garante que você vai ganhar. Para garantir, a superioridade precisa ser muito grande. Caso contrário, você está sujeito às chuvas e trovoadas. O pessoal não se dá conta disso e começa a falar coisas que não têm sentido.”
Sobre o jogo contra a Noruega, Pimenta afirmou que o Brasil foi superior, criou oportunidades, perdeu um pênalti e não conseguiu transformar seu domínio em gols. Segundo ele, o adversário jogou recuado e viveu de lançamentos para um atacante isolado.
“O time da Noruega era um time com esquema defensivo e um centroavante na banheira, como a gente diz no futebol de rua. Ele estava sempre lá na frente. A única jogada que a Noruega tinha era chutar a bola para ele, o que não deu certo na maior parte do jogo. Se o Brasil tivesse marcado 1 a 0, esse esquema se mostraria inviável. Mas aí é que está: o futebol é imprevisível.”
O presidente do PCO também defendeu a atitude de Neymar no fim da partida, quando o jogador discutiu com atletas noruegueses. Para Pimenta, o craque agiu como um jogador experiente, tentando ganhar tempo para que o Brasil ainda buscasse o empate.
“Ele fez de caso pensado. Ele é um jogador experiente. Ele arrumou duas confusões para ganhar tempo e ver se conseguia marcar o gol. Porque ele é muito experiente. Se tivesse mais cinco minutos, o Brasil era capaz de empatar. Agora, bater boca é do jogo. Acontece o tempo todo.”
Pimenta afirmou ainda que o imperialismo procura controlar todos os aspectos da vida social, inclusive o futebol, por ser o esporte mais popular e lucrativo do mundo.
“É óbvio que o imperialismo é um fenômeno geral na sociedade. O imperialismo procura controlar todos os aspectos sociais. Não é só a política, não é só o sindicato, não é só a questão econômica, é tudo. O futebol é o esporte que mais gera dinheiro no mundo. Só isso já colocaria a necessidade de controlar o esporte. Mas tem outro aspecto: o futebol é uma coisa muito política.”
Para ele, o futebol brasileiro é uma cultura nacional, e não apenas uma sucessão de vitórias em Copas. “O Brasil não é o país do futebol porque ganha a Copa. O Brasil é o país do futebol por causa do povo brasileiro. Futebol é uma manifestação nacionalista do povo brasileiro. Não é se o Brasil ganha ou não ganha a Copa. É o povo que ama o futebol”, afirmou.
Casas de apostas
O programa também tratou da campanha contra as casas de apostas esportivas e da pressão contra a CazéTV, canal que transmitiu partidas da Copa. Para Pimenta, a ofensiva contra a plataforma tem relação com a pressão da Rede Globo.
Ele também criticou a posição do governo Lula sobre o assunto. Segundo Pimenta, as apostas foram autorizadas por lei no governo Michel Temer e regulamentadas em 2023, no governo Lula.
“O Lula fica falando das casas de apostas, mas elas foram autorizadas no Brasil por uma lei do Michel Temer. Depois, a lei que autorizou o funcionamento foi em 2023, no governo Lula. Se ele é tão contra, por que não vetou? É uma propaganda enganosa. O pessoal não é contra. Isso é usado politicamente. Eu acho que a pessoa que quer apostar tem o direito de apostar.”
Irã e Gaza
Na parte final do programa, Pimenta comentou o funeral de Ali Khamenei, líder da Revolução Islâmica do Irã. Segundo ele, a mobilização popular no país foi uma vitória política dos iranianos e uma derrota do imperialismo.
“O funeral é uma vitória política dos iranianos e do próprio Ali Khamenei. Todo mundo sabe que ele se recusou a se esconder em um lugar, ele sabia que a vida dele estava ameaçada. Em certo sentido, talvez até propositalmente, ele se sacrificou pelo país. Ele estava velho, sabia que era um símbolo importante, poderoso, uma liderança. Quando fez isso, foi uma denúncia muito poderosa do crime do imperialismo.”
Pimenta também comentou a decisão do Hamas de dissolver sua autoridade provisória na Faixa de Gaza para transferir o controle a um comitê de independentes palestinos. Para ele, a medida está de acordo com a posição já defendida pelo movimento palestino.
“Essa é a política do Hamas desde sempre. Eles sempre falaram que eram contra o estabelecimento de um governo com estrangeiros, mas que abririam mão para um governo de independentes palestinos. Então, estão cumprindo o que falaram. Eu acho que é uma medida correta. O que não deve ser feito, e o Hamas é bem firme nessa questão, é o desarmamento. Mas esse problema do governo, tudo bem.”




