Universidade Marxista

Curso do Irã continua, inscreva-se

Atividade ministrada por Rui Costa Pimenta analisa a história do Irã, a Revolução Islâmica e a luta do país contra o imperialismo

O curso A história do Irã e da República Islâmica, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, continua na 55ª Universidade de Férias do PCO e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), realizada em Sorocaba (SP).

A atividade, promovida pela Universidade Marxista, pode ser acompanhada presencialmente ou pela Internet. Os interessados podem se inscrever pelo sítio unimarxista.org.br.

O curso trata de um dos temas mais importantes da política mundial. O Irã está no centro da luta contra o imperialismo, particularmente após a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra a República Islâmica. Por esse motivo, Pimenta destacou, logo na primeira aula, que compreender a história iraniana é uma tarefa decisiva para enfrentar a campanha de falsificação organizada contra o país.

“O tema está em uma atualidade muito grande, porque nós temos ali a guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Então, a princípio, do ponto de vista da atualidade, o curso já seria autoexplicativo. Mas não é bem assim”, explicou.

Segundo Pimenta, a campanha contra o Irã é uma das maiores operações de desinformação política do imperialismo. A Revolução de 1979 é apresentada pela imprensa burguesa e pelos meios acadêmicos ligados aos países imperialistas como um desastre, enquanto o antigo regime do Xá Mohammed Reza Pahlavi é falsamente apresentado como um período de modernização.

“Sobre o Irã, a desinformação é muito grande. Se você pegar qualquer livro sobre a história da República Islâmica, você vai acabar se convencendo de que a Revolução de 1979 foi um desastre e que o que existe no Irã hoje é um regime político e uma sociedade monstruosos”, afirmou.

Uma civilização milenar

Na primeira aula, Pimenta explicou que o Irã não pode ser compreendido a partir dos esquemas superficiais usados contra a República Islâmica. O país é uma civilização milenar, com pelo menos cinco mil anos de desenvolvimento histórico, marcada por sucessivas dinastias, invasões estrangeiras, revoltas populares e grande influência cultural e religiosa.

“Nós temos que levar em consideração que, na região que hoje é o Irã, nós temos pelo menos cinco mil anos de civilização. É uma coisa que, para nós, que somos um país de poucos séculos, é fora do normal. Uma coisa difícil até de imaginar”, afirmou.

Pimenta também destacou que o Irã possui uma longa tradição de mobilização popular. Segundo ele, dezenas de monarcas iranianos foram derrubados por revoltas internas, o que mostra que o país tem uma história marcada por insurreições e lutas políticas profundas.

Na segunda aula, o dirigente tratou da religião persa antiga, da conquista árabe, do xiismo, das invasões mongóis e da formação das dinastias que antecederam a decadência do país diante da ascensão europeia. Um dos pontos destacados foi o uso político que o imperialismo faz das tradições persas anteriores ao Islã para tentar opô-las ao Irã atual.

“A máquina de propaganda do imperialismo tenta apresentar essas tradições do Império Persa anteriores ao Islã em oposição a ele. Faz parte de uma luta ideológica. Eles usam essa religião, que é puramente residual, que não tem importância nenhuma, para tentar opor um Irã antigo inexistente ao Irã real”, disse.

Pimenta explicou ainda que o xiismo nasceu como uma religião de contestação à corrupção do califado e à perseguição contra a família do profeta Maomé. Para ele, não é casual que a República Islâmica, principal força da resistência no Oriente Médio, tenha se formado sobre essa base religiosa e histórica.

Dominação imperialista

A terceira aula foi dedicada ao processo de dominação estrangeira sobre o Irã entre o século XIX e a primeira metade do século XX. Pimenta mostrou como o país, embora formalmente independente, passou a ser disputado por britânicos e russos, e depois pelos Estados Unidos.

“O século XIX para o Irã é um século em que o país fica totalmente dominado. Perde território. A influência dos russos e dos ingleses sobre o regime político é muito grande. É um país formalmente independente, mas na realidade é uma colônia. É uma colônia que é disputada pelos russos e pelos ingleses”, explicou.

A aula tratou da Revolução Constitucionalista de 1906, da influência da Revolução Russa de 1905, da ocupação estrangeira durante a Primeira Guerra Mundial, do golpe de Reza Cã em 1921 e da formação da dinastia Palavi.

Pimenta também criticou a caracterização de Reza Palavi como nacionalista. Segundo ele, a prova decisiva de sua submissão ao imperialismo está no petróleo. Mesmo depois de chegar ao poder, Reza Palavi manteve a concessão da exploração do petróleo iraniano aos interesses britânicos.

“Isso aí não é nenhum acordo. É uma operação de bandidagem dos ingleses. O que ele faz? Nada. Quer dizer, não é nacionalista”, afirmou. “Ele simplesmente era o protetor dos interesses britânicos no Irã.”

Na sequência, o curso tratou do governo de Mohammad Mossadegh, da nacionalização do petróleo e do golpe de 1953, organizado pela CIA e pelo MI6 britânico. Esse golpe restaurou o poder do Xá Mohammed Reza Pahlavi e abriu caminho para uma ditadura inteiramente subordinada aos Estados Unidos, à Inglaterra e a “Israel”.

A ditadura do Xá

Na quarta aula, Pimenta analisou o regime do Xá Mohammed Reza Pahlavi. O presidente do PCO caracterizou a monarquia iraniana como uma ditadura bonapartista, apoiada nas Forças Armadas e no imperialismo.

“O golpe de 1953, depois de algumas etapas políticas, vai redundar na ditadura pessoal do Xá, que vai ser o governante e o monarca absoluto do Irã. É uma ditadura bonapartista, se apoia sobre as Forças Armadas e se apoia sobre o imperialismo. O imperialismo é um dos pilares de sustentação do regime político que se cria depois do golpe de 1953”, afirmou.

Um dos pontos centrais da aula foi a crítica ao mito de que o Xá teria desenvolvido o Irã. Segundo Pimenta, a renda do petróleo aumentou durante o governo do monarca e permitiu investimentos estatais, mas isso não resolveu os problemas fundamentais do povo iraniano. Parte enorme desses recursos foi destinada ao aparelhamento das Forças Armadas e à compra de armamentos.

“Ele gastou uma verdadeira fábula no aparelhamento do Exército iraniano. Do ponto de vista contábil, somando tudo que ele comprou, tanques, etc., esse seria o quinto maior Exército do mundo. Isso daí o que é? Dinheiro jogado no ralo. Por que um país pobre, um país atrasado, vai gastar dinheiro para ter o quinto maior efetivo militar do planeta? Não faz o menor sentido”, disse.

Pimenta também criticou a chamada Revolução Branca, apresentada pela propaganda burguesa como grande projeto modernizador. Segundo ele, a reforma agrária do Xá foi, em grande medida, uma farsa. Os camponeses não tiveram condições de manter as terras recebidas e acabaram expulsos para as grandes cidades, enquanto os grandes proprietários foram favorecidos pelo Estado.

“O que o Xá fez foi criar um plano de investimento estatal que era um plano, no final das contas, reacionário. Não mudava efetivamente a situação do Irã. Não mudava substancialmente a situação da população pobre iraniana. Esse plano econômico ele chamou de Revolução Branca. Por aí a gente já pode ter ideia do que estava acontecendo. Ele falou que a Revolução Branca era para se opor e ser uma alternativa à Revolução Vermelha”, afirmou.

SAVAK e sionismo

A aula também tratou da SAVAK, a polícia secreta do Xá. Pimenta descreveu o órgão como uma das máquinas de repressão mais brutais organizadas pelo imperialismo após a Segunda Guerra Mundial. Criada com apoio direto dos Estados Unidos, da Inglaterra e de “Israel”, a SAVAK vigiava a população, prendia opositores, torturava e assassinava.

“Assim que o golpe de Estado colocou o Xá no governo, a CIA, o MI6 e o Mossad organizaram uma polícia secreta que ficou conhecida como o mais violento órgão de repressão das inúmeras ditaduras que o mundo conheceu depois da vitória da democracia em 1945, que é a polícia secreta do Xá, conhecida pela sigla SAVAK. Essa polícia secreta era uma organização do terror estatal, a mais brutal que a gente possa imaginar”, afirmou.

Segundo Pimenta, a relação entre a monarquia iraniana e o sionismo ajuda a explicar por que a Revolução Islâmica assumiu, desde o início, uma posição firmemente antissionista. A oposição iraniana a “Israel” não é uma questão religiosa contra judeus, mas uma posição política contra uma força que participou diretamente da repressão ao povo iraniano.

“O aparato de repressão do Xá tinha sido construído pela CIA, pelo MI6 e pelo Mossad. E ‘Israel’, o sionismo, sempre colaborou com a política repressiva do Xá. Uma coisa que a gente tem que entender sobre o sionismo é o seguinte: onde tinha ditadura ultrassanguinária, tinha o dedo do sionismo”, disse.

O curso A história do Irã e da República Islâmica continua como parte da 55ª Universidade de Férias do PCO e da AJR. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.