Denúncia

Brasil segue ordens do imperialismo e expulsa russo acusado de espionagem pelo FBI

Governo Lula aceita acusações do FBI e da CIA, sem provas de espionagem contra o País, e decide expulsar Sergei Tcherkasov por 30 anos

O governo Lula decidiu expulsar do Brasil o cidadão russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov. A decisão, publicada no Diário Oficial da União dessa segunda-feira (7), segue a campanha do FBI, da CIA e de órgãos de segurança dos países imperialistas contra supostos agentes russos que teriam usado documentos brasileiros.

Tcherkasov é acusado pela Polícia Federal e pelo FBI de ser um agente de inteligência da Rússia. No Brasil, no entanto, foi condenado a cinco anos de prisão por falsidade ideológica. As investigações não apresentaram provas de espionagem contra o Estado brasileiro. Segundo as próprias autoridades, os supostos alvos seriam os Estados Unidos e países europeus.

A decisão administrativa determina que o russo seja retirado do país após o cumprimento da pena no Brasil, ou antes disso, caso o Judiciário autorize sua liberação. A medida também proíbe Tcherkasov de retornar ao Brasil por 30 anos.

O caso mostra, mais uma vez, a pressão direta do imperialismo sobre o aparelho de Estado brasileiro. Em vez de defender a soberania nacional diante de uma operação conduzida pelos Estados Unidos, o governo brasileiro aceita como base política as acusações do FBI, justamente um dos principais instrumentos de espionagem, perseguição e provocação internacional do imperialismo norte-americano.

Tcherkasov viveu no Brasil a partir de 2010 e usava o nome Victor Muller Ferreira. Com essa identidade, obteve documentos brasileiros, como passaporte, título de eleitor, carteira de habilitação e certificado de reservista. Esse é o centro da condenação brasileira: o uso de documentos considerados falsos.

A acusação de espionagem, por outro lado, vem dos Estados Unidos e de seus aliados. O caso ganhou repercussão internacional em abril de 2022, quando Tcherkasov foi barrado na Holanda ao tentar assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia. As autoridades holandesas disseram que ele usava identidade brasileira falsa e o mandaram de volta ao Brasil.

A partir daí, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou o russo por atuar como agente estrangeiro sem registro e por crimes relacionados à obtenção de visto e documentos. O FBI afirma que ele integrava o grupo dos chamados “ilegais”, agentes treinados para viver anos sob identidades falsas em outros países.

A Rússia pediu a extradição de Tcherkasov, alegando que ele era investigado por tráfico de drogas. O pedido foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas dependia da conclusão das investigações no Brasil e da decisão final do Poder Executivo. Com a expulsão administrativa, a defesa deve acionar novamente o STF para definir os próximos passos.

Tcherkasov nega ser agente de inteligência da Rússia.

A medida do governo Lula ocorre depois de uma campanha aberta da imprensa imperialista contra supostos “espiões russos” no Brasil. Em maio de 2025, o The New York Times publicou uma reportagem acusando a Rússia de transformar o Brasil em uma espécie de base para agentes infiltrados. A própria publicação reconheceu, porém, que o objetivo dos acusados não era espionar o Brasil, mas obter documentos brasileiros para atuar em outros países.

A reportagem do jornal norte-americano revelou o essencial: a Polícia Federal foi acionada pela CIA logo após o início da Operação Militar Especial da Rússia na Ucrânia. Segundo o próprio The New York Times, “no início de abril de 2022, poucos meses após as tropas russas entrarem na Ucrânia, a CIA passou uma mensagem urgente e extraordinária à Polícia Federal do Brasil”.

Ou seja, a investigação brasileira nasceu de uma ordem política dos Estados Unidos. O Brasil não foi apresentado como vítima de espionagem. Foi usado como peça de uma operação internacional contra a Rússia.

A campanha contra Tcherkasov e outros cidadãos acusados de ligação com a inteligência russa segue o mesmo método usado pelo imperialismo em outras operações políticas no Brasil. Primeiro, os órgãos de espionagem dos Estados Unidos apresentam uma acusação. Em seguida, setores da imprensa brasileira reproduzem a versão. Depois, a Polícia Federal e o Judiciário dão forma legal à perseguição.

Foi esse o método da Operação Lava Jato, conduzida em colaboração com os Estados Unidos para destruir empresas nacionais, prender Lula e preparar o golpe de 2016. Agora, o mesmo aparelho aparece mobilizado contra cidadãos russos, em plena guerra do imperialismo contra a Rússia.

O Estadão, um dos principais instrumentos da campanha pelo golpe contra Dilma Rousseff, reproduziu a matéria do The New York Times. O jornal norte-americano, por sua vez, não apresentou provas materiais das acusações. Citou mensagens banais, nomes, suspeitas e afirmações de órgãos de segurança. O padrão é conhecido: a acusação política é tratada como fato consumado, enquanto a ausência de provas é encoberta pela autoridade do FBI, da CIA e de seus aliados.

A expulsão de Tcherkasov também ocorre em um momento de pressão dos Estados Unidos contra qualquer aproximação do Brasil com países que não se submetem ao imperialismo. Em 2025, a denúncia do The New York Times apareceu logo após a visita de Lula à Rússia para as comemorações do Dia da Vitória. Pouco depois, o governo brasileiro anunciou a intenção de firmar parceria com a estatal russa Rosatom para desenvolver reatores nucleares no País.

No mesmo período, os Estados Unidos ampliaram a ofensiva contra organizações da resistência no Oriente Médio. Suas embaixadas no Brasil, na Argentina e no Paraguai chegaram a oferecer recompensa de US$10 milhões por informações contra o Hesbolá na Tríplice Fronteira, em mais uma tentativa de transformar a América Latina em terreno de atuação direta dos serviços de espionagem norte-americanos e de “Israel”.

Ao expulsar Tcherkasov, o governo Lula coloca o Estado brasileiro a serviço de uma operação norte-americana contra a Rússia. Não há acusação de espionagem contra o Brasil. Há uma campanha do FBI e da CIA, aceita pela Polícia Federal, pelo Judiciário e agora pelo Executivo.

O governo brasileiro deveria rejeitar a intromissão dos Estados Unidos em seus assuntos internos. Ao agir conforme as ordens do imperialismo, transforma a Polícia Federal, o Judiciário e o próprio Executivo em auxiliares de uma ofensiva contra a Rússia e contra a soberania nacional.

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