O Ansar Alá realizou uma operação contra forças financiadas pela Arábia Saudita ao sul da cidade portuária de Hodeidah, no oeste do Iêmen, eliminando 14 mercenários, segundo a agência AFP.
Uma fonte ligada ao governo fantoche apoiado pela Arábia Saudita disse à agência, neste domingo (5), que os combates começaram na noite de sexta-feira (3) e seguiram até a madrugada de sábado (4). O confronto ocorreu no distrito de Hays, ao sul de Hodeidah.
Segundo a mesma fonte, as forças pró-sauditas afirmaram ter repelido o ataque. A operação, no entanto, foi apresentada por outras agências como a mais letal ação do Ansar Alá contra as tropas financiadas pela coalizão saudita em anos.
Ataque com franco-atiradores, VANTs e morteiros
A operação começou com disparos de franco-atiradores e foi seguida por ataques com VANTs e morteiros. As forças do Ansar Alá avançaram sobre posições do governo fantoche antes de um contra-ataque dos mercenários apoiados pela Arábia Saudita.
A fonte ligada ao governo pró-saudita disse ainda que houve mortos e feridos entre as fileiras do Ansar Alá, mas não apresentou números.
O episódio marca uma escalada importante em uma frente que permanecia relativamente paralisada desde a trégua negociada pela ONU em 2022. A guerra contra o Iêmen foi lançada a mando do imperialismo pela Arábia Saudita em 2015, à frente de uma coalizão do Golfo que contou com os Emirados Árabes Unidos como um de seus principais integrantes.
A ofensiva foi iniciada após a revolução de 2014, quando o Ansar Alá tomou a capital, Sana, dois anos depois da queda do então presidente Ali Abdullah Saleh. Desde então, a coalizão saudita impôs ao país um bloqueio brutal sobre portos, aeroportos e rotas comerciais, provocando fome, destruição da infraestrutura e centenas de milhares de mortes no país mais pobre do mundo árabe.
Iêmen desafia bloqueio aéreo saudita
A nova operação ocorre dias depois de as Forças Armadas Iemenitas anunciarem que enfrentaram caças sauditas que entraram no espaço aéreo do país para impedir o pouso de um avião civil iraniano no Aeroporto Internacional de Sana.
O comunicado, divulgado em 3 de julho, afirmou que os caças sauditas tentaram impedir a aterrissagem de uma aeronave civil do Irã que transportava mais de 200 iemenitas, entre cidadãos que estavam retidos, feridos e doentes.
“Uma formação de caças do inimigo saudita violou o espaço aéreo das províncias iemenitas em uma tentativa de impedir que um avião civil iraniano — transportando mais de 200 cidadãos retidos, feridos e doentes — pousasse no Aeroporto Internacional de Sana”, afirmaram as Forças Armadas Iemenitas.
“A tentativa fracassou, graças a Deus, pois as Forças Armadas Iemenitas enfrentaram a violação com o disparo de vários mísseis de defesa antiaérea, obrigando as aeronaves a deixarem o espaço aéreo iemenita”, acrescentou o comunicado.
As Forças Armadas Iemenitas também advertiram a Arábia Saudita contra novas violações do espaço aéreo do país. “Qualquer agressão receberá uma resposta ampla contra seus aeroportos e interesses vitais em terra e no mar”, declarou o comunicado.
O texto ainda afirmou: “não aceitaremos a continuidade indefinida do injusto cerco saudita-norte-americano contra nosso país e tomaremos todas as medidas legítimas para acabar com esse cerco”.
Aeroporto de Sana é alvo de cerco há anos
O Aeroporto Internacional de Sana está submetido a severas restrições impostas pela Arábia Saudita há mais de uma década. Doentes e feridos iemenitas enfrentam há anos obstáculos para deixar o país em busca de tratamento urgente.
No domingo (5), uma grande manifestação foi realizada nas proximidades do aeroporto, exigindo o fim do bloqueio. Os participantes declararam apoio às Forças Armadas Iemenitas e agradeceram à República Islâmica do Irã pelo envio do avião civil que rompeu o cerco aéreo.
Uma declaração lida durante o ato pediu que as forças armadas consolidem uma nova situação para romper o bloqueio e classificou a iniciativa iraniana como corajosa. O diretor do aeroporto afirmou que a reabertura completa de Sana é um direito legítimo do povo iemenita e disse que a estrutura está pronta, do ponto de vista técnico e logístico, para receber voos.
O avião iraniano que pousou em Sana na sexta-feira (3) transportava mais de 200 cidadãos iemenitas, incluindo pacientes e viajantes retidos, além de uma delegação oficial do Iêmen que seguiu para Teerã para o funeral do falecido Líder da Revolução Islâmica, mártir aiatolá Saied Ali Khamenei.
O bloqueio aéreo contra o Iêmen foi imposto em 9 de agosto de 2016 pela coalizão dirigida pela Arábia Saudita. Em 6 de novembro de 2017, a coalizão endureceu o cerco até quase o fechamento total, interrompendo voos comerciais, importação de alimentos e carregamentos de combustível pelo porto de Hodeidah.
Em 20 de dezembro de 2017, sob pressão internacional, a coalizão permitiu a retomada parcial de voos humanitários fretados pela ONU para Sana, mas manteve a aviação comercial praticamente suspensa. Entre 2018 e 2020, acordos limitados permitiram alguns voos para destinos como Amã e Cairo, mas sempre sob autorização caso a caso.
Mesmo após a trégua negociada pela ONU em 2 de abril de 2022, o aeroporto continuou sujeito a fechamentos arbitrários. Em julho de 2026, mais de 17 milhões de iemenitas permanecem com fome, enquanto cerca de 20 milhões de pessoas dependem de Sana como principal porta aérea internacional do país.



