O penúltimo dia da 55ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), realizado no sábado (4), em Sorocaba (SP), reuniu as principais atividades políticas do acampamento. Ao longo do dia, os participantes acompanharam a quarta aula do curso A história do Irã e da República Islâmica, ministrado por Rui Costa Pimenta, participaram do programa Análise Política da Semana e, no fim da noite, estiveram em uma festa de confraternização.
A Universidade ocorre entre os dias 27 de junho e 5 de julho e tem como curso central a história do Irã, país que ocupa hoje uma posição decisiva na luta contra o imperialismo no Oriente Próximo. As aulas, ministradas por Pimenta, vêm percorrendo a formação histórica do país, desde a Antiguidade até a Revolução Islâmica de 1979.
No sábado, a quarta aula foi dedicada ao regime do Xá Mohammed Reza Palavi, transformado em ditadura aberta depois do golpe de 1953 contra o governo nacionalista de Mohammad Mossadeq. Pimenta caracterizou o regime como uma ditadura bonapartista, apoiada nas Forças Armadas e no imperialismo.
“O golpe de 1953, depois de algumas etapas políticas, vai redundar na ditadura pessoal do Xá, que vai ser o governante e o monarca absoluto do Irã. É uma ditadura bonapartista, se apoia sobre as Forças Armadas e se apoia sobre o imperialismo. O imperialismo é um dos pilares de sustentação do regime político que se cria depois do golpe de 1953”, afirmou.
Segundo Pimenta, a defesa atual da antiga monarquia iraniana é uma operação política contra a República Islâmica. O dirigente destacou que setores norte-americanos e sionistas promovem o herdeiro dos Palavi como alternativa ao regime nascido da revolução de 1979.
Para Pimenta, o recurso à monarquia mostra a dificuldade do imperialismo em organizar uma oposição com base real no Irã. Ao contrário do que tenta fazer em países como Venezuela e Nicarágua, onde procura apresentar grupos direitistas como oposição “democrática”, no caso iraniano o imperialismo recorre diretamente ao antigo regime derrubado pela revolução.
“O fato de que o imperialismo apela para a propaganda da monarquia mostra a dificuldade do imperialismo de lidar com a Revolução Islâmica. Eles percebem claramente que não conseguem apresentar uma oposição democrática, como tentam fazer na Venezuela, na Nicarágua. Eles apelam diretamente para a monarquia”, disse.
A aula também combateu o mito de que o Xá teria desenvolvido o Irã. Pimenta explicou que o crescimento econômico do período esteve ligado à renda do petróleo e à situação internacional, não a uma política nacional independente. A chamada modernização, segundo ele, não alterou a condição fundamental do país nem resolveu a situação da população pobre.
Uma parte importante dos recursos obtidos com o petróleo, afirmou, foi destinada ao aparelhamento das Forças Armadas. O Xá realizou compras gigantescas de armamentos, formando um dos maiores exércitos do mundo em termos contábeis. Para Pimenta, esse gasto expressava a natureza reacionária do regime.
“Ele gastou uma verdadeira fábula no aparelhamento do Exército iraniano. Do ponto de vista contábil, somando tudo que ele comprou, tanques, etc., esse seria o quinto maior Exército do mundo. Isso daí o que é? Dinheiro jogado no ralo. Por que um país pobre, um país atrasado, vai gastar dinheiro para ter o quinto maior efetivo militar do planeta? Não faz o menor sentido”, afirmou.
Pimenta tratou ainda da chamada Revolução Branca, apresentada pela propaganda burguesa como um grande plano modernizador. Segundo ele, a política agrária do Xá não resolveu o problema da terra. Muitos camponeses que receberam pequenas parcelas não tinham condições de mantê-las e acabaram expulsos para as cidades, enquanto grandes proprietários foram beneficiados pelo Estado.
Depois da aula, as atividades políticas seguiram com o programa Análise Política da Semana, transmitido pela Causa Operária TV. No programa, Pimenta tratou de temas nacionais e internacionais, dando destaque ao funeral do Aiatolá Saied Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica assassinado pelos Estados Unidos e por “Israel”.
Segundo Pimenta, as homenagens a Khamenei mostram o fracasso da campanha imperialista contra a República Islâmica. Para ele, a mobilização popular no Irã desmente a propaganda de que o regime seria impopular.
“O funeral de Khamenei vai ser uma das maiores manifestações de massa que o mundo já viu até hoje. Aqui, sim, literalmente milhões de pessoas vão sair às ruas para homenagear pela última vez o líder assassinado”, disse Pimenta. “Isso derruba de uma maneira estrondosa a propaganda do imperialismo de que o Irã é uma ditadura impopular, que o povo iraniano repudia o regime da República Islâmica. Se isso fosse verdade, o que está acontecendo lá agora jamais poderia acontecer.”
O presidente do PCO afirmou que o assassinato de Khamenei foi um erro político grave do imperialismo. Estados Unidos e “Israel”, segundo ele, apostaram em uma desestabilização interna, mas provocaram o fortalecimento da unidade nacional em torno da República Islâmica.
Pimenta também relacionou o episódio à Revolução Islâmica de 1979. Segundo ele, o imperialismo demonstrou então uma incapacidade profunda de compreender a situação do país. Mesmo com agentes dentro do regime do Xá e dos órgãos de informação, não conseguiu perceber que uma revolução estava em curso.
No programa, Pimenta retomou ainda a defesa da liberdade de expressão. O dirigente criticou as leis contra o chamado “discurso de ódio”, que são utilizadas para censurar posições contrárias ao imperialismo. O caso mais evidente, afirmou, é a Palestina, pois a defesa do povo palestino passa a ser apresentada pelos defensores de “Israel” como ataque aos judeus.
“Quando aparece o problema da Palestina, todo mundo vai descobrir que discurso de ódio é, por exemplo, você defender as dezenas de milhares de palestinos que estão sendo massacrados na Faixa de Gaza. Aí a outra pessoa perguntaria: mas como é que pode ser um discurso de ódio se você está defendendo os oprimidos, os que estão sendo massacrados? É fácil dar a volta no argumento e falar que, na verdade, você não está defendendo os oprimidos. Você está manifestando um ódio contra os judeus. Mesmo que você nunca tenha falado nada contra os judeus, como é o nosso caso, por exemplo, a lei se presta a essa manipulação”, explicou.
Ao tratar do Brasil, Pimenta criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que o Tribunal assumiu poderes legislativos. Também comentou a chamada lei da misoginia, que, segundo ele, amplia os instrumentos de censura ao criar uma categoria indefinida para punir opiniões.
Outro tema abordado foi a proibição de celulares nas escolas. Pimenta afirmou que a medida, apoiada por setores da esquerda, tem caráter repressivo contra a juventude e exigiria a criação de um regime de vigilância dentro das escolas para ser aplicada.mou.
Além das atividades políticas, o penúltimo dia manteve a rotina do acampamento. A Universidade é realizada em uma área de 150 mil metros quadrados, com chalés, área de acampamento, cozinha ampla, piscina semiolímpica, quadra de vôlei, quadra poliesportiva e campo de futebol. A estrutura permite a realização das aulas, discussões políticas, refeições coletivas e atividades esportivas no próprio local.
Durante a semana, os participantes também organizaram jogos de futebol entre equipes formadas no acampamento. Os times reuniram jovens de diferentes cidades e estados. A disputa, iniciada na quinta-feira (2), passou a integrar a programação informal da Universidade, ao lado das transmissões da Copa do Mundo, da piscina e dos debates entre os participantes.
No fim da noite de sábado, após a aula e o programa Análise Política da Semana, os participantes encerraram o penúltimo dia da 55ª Universidade de Férias com uma festa no acampamento.





