O gabinete de segurança de “Israel” aprovou, na quinta-feira (2), um plano para estabelecer 13 novas colônias na região central da Cisjordânia ocupada. A medida foi divulgada pelo canal israelense Channel 7 e denunciada por autoridades palestinas como parte da política de anexação do território palestino pelo Estado sionista.
As novas colônias serão erguidas na área regional de Binyamin, uma das maiores zonas de colonização israelense na Cisjordânia. A região fica ao longo da Rota 60, estrada que atravessa a Cisjordânia de norte a sul e liga cidades palestinas como Nablus, Ramalá e Belém. A mesma via também serve para conectar grandes blocos coloniais israelenses instalados em território ocupado.
Segundo o governo palestino de Jerusalém, a primeira etapa do plano deve começar nos próximos meses, com a construção de quatro a seis colônias. O projeto receberá investimentos de milhões de shekels e inclui a formalização de postos avançados de colonos, que passarão a receber recursos públicos, infraestrutura e serviços do governo israelense.
A operação concentra-se em dois eixos principais. O primeiro fica a noroeste de Jerusalém e a oeste de Ramalá, ao longo da Rota 60. O segundo avança em direção ao Vale do Jordão, área estratégica para o controle militar da Cisjordânia.
A manobra tem como objetivo ligar blocos de colônias, consolidar o domínio israelense sobre morros e áreas de passagem e cortar a continuidade territorial palestina. Na prática, a ocupação transforma a Cisjordânia em uma sucessão de enclaves cercados por estradas, bases militares e colônias israelenses.
O governo palestino de Jerusalém afirmou que o plano pretende criar “novas realidades geográficas no terreno” e alertou que a expansão colonial destrói as condições para a formação de um Estado palestino com território contínuo. A autoridade palestina classificou a decisão como “uma escalada perigosa” e como violação do direito internacional.
O novo plano também tende a aprofundar o isolamento de Jerusalém Oriental ocupada em relação às comunidades palestinas vizinhas. Desde 1967, “Israel” ocupa a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza. A colonização desses territórios é considerada ilegal pela maior parte dos países e por organismos internacionais.
A aprovação das 13 novas colônias ocorre em meio a uma ofensiva acelerada de “Israel” para ampliar a presença de colonos na Cisjordânia. Dados do Fórum Palestino de Estudos Israelenses, Madar, indicam que a criação de novos postos avançados cresceu fortemente nos últimos anos.
Entre 2012 e 2022, a média foi de cerca de oito novos postos por ano. Em 2023, o número saltou para 32. Em 2024, chegou a 62. Em 2025, atingiu 86. O crescimento revela uma política sistemática do Estado israelense para ocupar novas áreas, mesmo quando os postos ainda não possuem reconhecimento formal pela legislação do próprio regime sionista.
A expansão não ocorre apenas pela ação de grupos privados de colonos. O governo israelense financia diretamente a política de ocupação. Em 2023, foram destinados 28 milhões de shekels, cerca de US$7,5 milhões, aos postos avançados. Em 2024, o valor subiu para 75 milhões de shekels, aproximadamente US$20 milhões. O plano do governo prevê financiar ao todo 70 desses postos.
O plano de Binyamin ocorre após informes de que movimentos de colonos preparam ações contra a Área A da Cisjordânia, que, pelos Acordos de Oslo, está sob controle civil e de segurança da Autoridade Palestina. Uma investida desse tipo significaria uma violação direta dos próprios acordos assinados por “Israel”.
Na prática, os Acordos de Oslo já foram esvaziados pela ocupação. A Cisjordânia foi dividida em áreas com diferentes níveis de controle, mas “Israel” manteve o domínio militar do conjunto do território, das fronteiras, das estradas principais, do espaço aéreo e dos recursos fundamentais. A expansão colonial aprofunda esse controle.
Hoje, mais de 700 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A presença dessa população, armada e protegida pelo Exército israelense, é um dos principais instrumentos da anexação. As colônias não são simples bairros. São postos de ocupação instalados para expulsar a população palestina de suas terras e impedir a formação de um território nacional palestino.




