Editorial

30 anos de Netaniahu: ‘Israel’ cada dia mais perto do fim

Primeiro-ministro é a expressão mais bem acabada da agonia final do enclave imperialista no Oriente Médio

Benjamin Netaniahu completou, em 18 de junho, 30 anos desde sua primeira posse como primeiro-ministro de “Israel”. O período é suficiente para mostrar que sua trajetória não é um desvio pessoal dentro do sionismo, mas a expressão mais acabada do Estado colonial instalado na Palestina com apoio do imperialismo.

Netaniahu chegou ao governo pela primeira vez em 1996, depois do assassinato de Isaque Rabin e do esgotamento dos Acordos de Oslo. Três décadas depois, aparece no centro da política mundial como dirigente de uma guerra de extermínio contra Gaza e de uma ofensiva regional que envolve o Líbano, o Iêmen, a Síria, o Iraque e o Irã. O que se apresenta como força militar é, na realidade, a manifestação de uma crise sem saída.

A origem familiar de Netaniahu ajuda a compreender sua política. Sua família veio da Europa Oriental, ligada ao sionismo revisionista de Vladimir Jabotinsky. Não se tratava de uma família palestina retornando a sua terra, mas de colonos europeus integrados a um projeto político protegido pela Grã-Bretanha. A Palestina já tinha povo, cidades, agricultura, comércio e vida política própria. O sionismo chegou como colonização.

A doutrina de Jabotinsky, exposta em A Muralha de Ferro, afirmava que nenhum povo nativo aceita voluntariamente ser colonizado. Por isso, a ocupação da Palestina precisaria ser imposta pela força. Netaniahu é herdeiro direto dessa concepção. Para ele, o palestino não é um povo com direitos nacionais, mas um problema militar. A negociação só tem valor quando serve para fortalecer “Israel”; qualquer concessão é tratada como ameaça; toda resistência palestina é apresentada como terrorismo.

Essa política não começou com Netaniahu. Ela está na própria criação de “Israel”. A Nakba de 1948 expulsou centenas de milhares de palestinos. A guerra de 1967 ampliou a ocupação sobre Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. O problema, no entanto, permaneceu: “Israel” não pode conceder igualdade real aos palestinos sem destruir seu caráter sionista; não pode expulsá-los todos sem provocar uma guerra regional; não pode mantê-los sob ocupação permanente sem repressão crescente.

A guerra de Outubro, em 1973 mostrou os limites materiais do enclave sionista. “Israel” só evitou uma derrota mais profunda graças ao apoio direto dos Estados Unidos. Desde então, a sobrevivência israelense passou a depender cada vez mais da combinação entre militarização interna e proteção imperialista. Netaniahu tirou dessa experiência uma conclusão reacionária: se não há vitória definitiva, a guerra precisa ser permanente.

Os Acordos de Oslo foram apresentados como caminho para a paz, mas serviram para terceirizar parte da repressão contra os palestinos. A Autoridade Palestina recebeu funções administrativas limitadas, sem soberania real, enquanto “Israel” manteve o controle militar, as fronteiras, a economia e os assentamentos. Netaniahu entrou no governo para sabotar Oslo por dentro, usando a palavra “segurança” para impedir qualquer direito efetivo aos palestinos.

Depois do 11 de Setembro, Netaniahu encontrou nova cobertura para a política colonial. A ocupação da Palestina foi incluída na chamada “guerra ao terror”. A resistência palestina, o Hesbolá e o Irã foram colocados no mesmo pacote ideológico. Com isso, “Israel” procurou apresentar sua repressão como parte da defesa do “Ocidente”, enquanto continuava expandindo assentamentos, bombardeando Gaza e fortalecendo sua indústria militar.

Gaza foi o centro dessa política. Desde 2007, mais de dois milhões de palestinos foram confinados em um território estreito, submetido a bloqueio terrestre, aéreo e marítimo. “Israel” controlava alimentos, combustível, medicamentos, cimento, eletricidade e circulação de pessoas.

A Operação Dilúvio de Al-Aqsa, em 7 de outubro de 2023, mostrou o fracasso dessa política. A barreira tecnológica, vendida como invencível, foi rompida. Bases militares foram atacadas. O exército israelense demorou a reagir. A promessa de segurança absoluta, base da propaganda de Netaniahu, caiu em poucas horas.

A resposta de “Israel” foi a destruição em massa de Gaza. Hospitais, escolas, universidades, casas, estradas, redes de água e energia foram atacados. A distinção entre civil e combatente desapareceu na prática. Netaniahu usou a guerra para sobreviver politicamente, mas a guerra também é uma exigência do próprio Estado sionista, incapaz de oferecer qualquer solução democrática à questão palestina.

A ofensiva contra Gaza se expandiu regionalmente. O Hesbolá pressionou “Israel” no norte da Palestina ocupada. O Ansar Alá atingiu rotas marítimas ligadas ao comércio israelense. O Irã passou ao centro do confronto. Ao atacar o Irã e provocar uma guerra regional, Netaniahu tenta arrastar os Estados Unidos para defender diretamente o Estado sionista. É a fuga para a frente de um regime que não consegue vencer a resistência palestina.

Essa política, porém, corrói as bases de “Israel”. A guerra permanente atinge a economia, afasta investimentos, paralisa setores produtivos, aumenta o custo de vida e aprofunda a dependência dos EUA. A população israelense foi atraída ao projeto sionista com a promessa de segurança. Netaniahu entrega o contrário: crise permanente, isolamento internacional e risco crescente de guerra regional.

O isolamento mundial de “Israel” também avançou. A guerra contra Gaza destruiu grande parte da imagem de “democracia” que o imperialismo construiu durante décadas. Milhões foram às ruas em defesa da Palestina. Setores da juventude judaica nos Estados Unidos e na Europa passaram a denunciar o sionismo. A tentativa de identificar todos os judeus com os crimes de “Israel” já não funciona como antes.

O problema não é apenas o primeiro-ministro. O problema é o Estado sionista. Enquanto “Israel” existir como Estado exclusivo de um grupo nacional sobre a terra de outro povo, haverá ocupação, guerra e massacres. Netaniahu apenas levou essa contradição ao ponto mais aberto.

Trinta anos depois de sua primeira posse, Netaniahu aparece como o dirigente da agonia sionista. Sua política de guerra permanente não salva “Israel”; expõe sua decomposição. O Estado colonial criado contra o povo palestino depende cada vez mais da violência, do imperialismo e da expansão regional da guerra. Por isso, quanto mais Netaniahu tenta preservar “Israel”, mais aproxima o enclave sionista de seu fim histórico.

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