Editorial

Lula e o fracasso do barco furado do centro

Ao elogiar o centro político, presidente parece ignorar a realidade de que essa política está desmoronando em países que serviram de referência

Semanas atrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em um encontro do G7 que o “caminho do meio” é o caminho natural da política mundial. Todavia, o colapso de governos considerados de centro, como o do então primeiro-ministro britânico Keir Starmer, evidencia que esta visão não se ampara na realidade. Em menos de dois anos, Starmer renunciou sob pressão, levando o Reino Unido a seu sétimo chefe de governo em apenas uma década.

A ideia de um centro político estável, que outrora foi uma força dominante, está em crise. O governo de Starmer, classificado por muitos como de centro, na verdade, representa uma política de austeridade e comprometimento com interesses imperialistas, semelhantes aos governos de Macron na França e Merz na Alemanha. Esses governos, sob o manto do “caminho do meio”, enfrentam a rejeição popular devido à  impossibilidade de equilibrar austeridade com apoio popular.

A queda de Starmer exemplifica a insatisfação crescente com políticas que não atendem às necessidades dos trabalhadores. A renúncia forçada do primeiro-ministro foi uma manobra da classe dominante para preservar o regime sem alterar sua essência. A substituição por Andy Burnham, apesar de ser apresentada como uma tentativa de reconectar o Partido Trabalhista com o eleitorado, não altera a continuidade da política imperialista britânica.

Lula, ao elogiar o centro político, parece ignorar a realidade de que essa política está desmoronando em países que serviram de referência. A França de Macron enfrenta uma rejeição popular massiva, e na Alemanha, a preocupação é impedir o avanço da extrema direita. O “caminho do meio” já não apresenta a estabilidade necessária e perde força diante de crises políticas e sociais.

Embora Lula se declare não-esquerdista, seu governo está tomado pela política da esquerda identitária e pequeno-burguesa, se seguir à reboque do “centro”, ou seja, de se submeter à política do imperialismo. Ao afirmar que não é esquerdista, Lula parece ignorar que o apoio popular que ainda o sustenta deseja políticas que promovam a soberania nacional, empregos e salários dignos, não um centro europeu em colapso.

A insistência de Lula no “caminho do meio” como uma solução política se mostra desatualizada frente à realidade política internacional. Os governos de centro estão em crise, incapazes de atender às demandas populares e manter a estabilidade prometida.

É dessa contradição que o governo não consegue sair.

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