O artigo PT acelera e anuncia França como vice de Haddad em SP, de Marco Damiani, publicado no Brasil247 nesta quinta-feira (25), mostra como o Partido dos Trabalhadores (PT) caminha rapidamente para a direitização.
Para o autor, “a resposta chegou rápido. A retirada das pré-candidaturas do PSDB e do MBL da corrida eleitoral ao governo de São Paulo acelerou a definição da chapa do ex-ministro Fernando Haddad, do PT. O ex-governador Márcio França, do PSB, foi definido como candidato a vice em reunião, na manhã desta quinta-feira, 25, em São Paulo.”
A militância petista não apita nada, pois “a conversa teve a participação de Haddad, de França, da ex-ministra Marina Silva, pré-candidata ao Senado por São Paulo, dos deputados Emídio Mesquita, Rui Falcão e de lideranças partidárias.” As decisões são todas tiradas por cima da base. A própria golpista Marina Silva disse o seguinte: “Estamos construindo uma frente ampla para vencer as eleições.” E quando diz ampla, significa que não existe limite à direita, pois a única exigência seria “vencer a extrema direita”.
O cálculo é meramente eleitoral, é impossível encontrar qualquer fronteira ideológica entre o PSB, um partido burguês, e o Partido dos Trabalhadores. Como escreve Damiani, “a consolidação das articulações da chapa petista ocorre em um momento em que a eleição paulista atinge um ponto de definição. Com a retirada de Paulo Serra, do PSDB, e Kim Kataguiri, do MBL, as urnas eletrônicas devem ter o confronto direto entre o ex-ministro da Fazenda e o governador Tarcísio de Freitas.”
O atual governador do Estado de São Paulo caiu nas graças da burguesia, tanto que era cotado para ser um presidenciável da dita “terceira via”. Não seguiu adiante porque Jair Bolsonaro não cedeu à pressão do grande capital, que o colocou na cadeia esperando que colaborasse.
Damiani alega que “a tendência que se forma a partir de agora é favorável a uma definição da disputa em primeiro turno.” Não fica claro se a chapa petista terá chance de liquidar a fatura no primeiro turno, ou se será derrotada logo de cara. Fernando Haddad fez uma gestão pífia como ministro no governo Lula. Foi o autor da impopular “taxa das blusinhas”, que conseguiu a façanha de desagradar pessoas que conseguiam uma pequena renda extra revendendo produtos chineses e, simultaneamente, colocar os Correios em uma profunda crise de arrecadação.
Direitização
“A escolha de França encerra as especulações sobre quem seria o candidato a vice ao lado de Haddad”, continua Damiani, que afirma que “a partir de agora, a missão do ex-governador é a de atrair prefeitos, lideranças e eleitores que se situam num campo político ampliado em relação ao PT. Uma característica da atuação política de França é a do constante diálogo com agentes políticos do interior de São Paulo.”
Eis aí a confissão de que o Partido abandona sua base na classe trabalhadora. O PT vem, com os anos, mudando sua base social e tenta disputar agora setores da classe média e da direita. – grifo nosso.
O “campo político ampliado” é a mesma política da esquerda pequeno-burguesa que tentava uma alternativa a Lula nas últimas presidenciais. Agora, o próprio PT assume essa posição e passa a imitar essa política, de modo que esses setores da esquerda formam um emaranhado disforme unido apenas pelo oportunismo.
Ultimamente, temos visto a política externa do governo Lula muito alinhada com o imperialismo, principalmente com relação à Venezuela, mas não se pode deixar de mencionar sua covardia em enfrentar de fato o governo genocida de Benjamin Netaniahu. Apesar de uma ou outra declaração mais radical, Lula não rompeu com o Estado de “Israel”, além de ter classificado o Hamas, que luta contra a ocupação colonialista, de grupo terrorista.
Vice de Alckmin
Márcio França era vice-governador de Geraldo Alckmin e assumiu o posto de governador em 2018, quando o tucano deixou o posto para disputar a Presidência da República.
Em sua gestão, França promoveu cortes e vetos na Saúde e Educação, vetando integralmente um projeto de Lei que destinava R$ 48 milhões ao Hospital Universitário da USP.
França é a continuação da política golpista do PSDB, mas isso já não deve assustar ninguém, pois o próprio Fernando Haddad considerava “golpe” uma palavra forte demais para descrever o golpe que seu partido sofreu em 2016, quando forjaram irregularidades para sacarem Dilma Rousseff da Presidência.
Márcio França deu a seguinte declaração após o acordo para compor a chapa com Haddad: “Consideramos que a minha presença na chapa ao lado do ministro Haddad fortalece as nossas condições na disputa estadual e, também, o plano de reeleição do presidente Lula, em torno do qual estamos todos engajados.”
Fernando Haddad, que desejou boa sorte a Jair Bolsonaro quando este o derrotou e se elegeu presidente, deu também boas-vindas ao golpista Márcio França.
“Estamos preocupados com que o debate aconteça, que os temas que são caros a nós sejam pautados e que a gente possa apresentar as nossas objeções ao que está acontecendo na administração pública do estado”, declarou Haddad.
Quais seriam as reais objeções de Haddad a Tarcísio de Freitas? Sua gestão como ministro da economia foi pródiga em retirar benefícios de pessoas pobres, enquanto deixou vigorando uma política de juros tão altos que a população está a cada dia mais endividada, enquanto os banqueiros batem recordes históricos de lucratividade.





