Rio Grande do Sul

Educadores entram em greve contra privatização do ensino

Categoria marcou ato às 10h diante do Palácio Piratini, no dia do leilão de 98 escolas estaduais para os vampiros do mercado financeiro

Professores, funcionários de escola e estudantes realizaram paralisação estadual, em Porto Alegre, na sexta-feira (26), contra a privatização da educação. A mobilização foi convocada pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) para as 10h, em frente ao Palácio Piratini. O protesto ocorreu no dia previsto para o leilão da gestão da infraestrutura de 98 escolas estaduais.

A greve foi aprovada por unanimidade em Assembleia Geral da categoria, realizada durante o Ato Estadual do dia 18. Para o CPERS, o governo de Eduardo Leite, do Partido Social Democrático (PSD), e Gabriel Souza, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), pretende entregar a gestão da infraestrutura escolar à iniciativa privada por 25 anos. A categoria denuncia que o modelo transforma escolas em fonte de lucro para empresas.

Os educadores apontam que o mecanismo das “Parcerias Público-Privadas” (PPPs) retira da comunidade escolar o controle sobre prédios, serviços e decisões práticas que afetam o cotidiano das unidades. Para o sindicato, não se trata apenas de administrar paredes, telhados ou pátios, mas de alterar o modelo de escola pública no Rio Grande do Sul.

A convocação do CPERS foi dirigida a professores, funcionários e estudantes. O sindicato defendeu que cada trabalhador da educação tem papel na resistência ao projeto. A mobilização buscou mostrar que a escola pública não deve ser tratada como mercadoria e que o patrimônio escolar pertence à população gaúcha, não a grupos privados interessados em contratos longos com recursos públicos.

As PPPs têm sido apresentadas por governos como solução técnica para problemas de infraestrutura. Na prática, significam transferência de parcelas da gestão pública para empresas, com pagamentos garantidos pelo Estado. No caso da educação, a privatização “indireta” pode atingir manutenção, serviços de apoio, administração predial e rotinas escolares. Isso cria uma camada empresarial entre a comunidade e a unidade de ensino. O CPERS denuncia que as escolas com gestão vendida teriam orçamento ampliado, maior que as de gestão pública, uma espécie de maquiagem para fazer com que a privatização pareça causar uma melhora e permita a ampliação do projeto.

A greve estadual do dia 26, portanto, teve sentido político direto. A categoria decidiu parar justamente no dia do leilão, buscando impedir que a operação ocorra sem reação social. A escolha do Palácio Piratini como ponto de concentração também aponta o responsável político pela medida: o governo estadual. A Praça da Matriz, em Porto Alegre, virou o centro da denúncia contra a venda de partes da rede pública.

O sindicato afirma que a disputa vai definir o futuro da educação pública nas próximas décadas. A entrega da infraestrutura de 98 escolas por 25 anos amarra várias gestões futuras e reduz a capacidade de controle direto da sociedade sobre o funcionamento das unidades. Para os educadores, aceitar esse modelo abriria caminho para novos contratos e aprofundaria a presença privada na rede estadual.

A paralisação também reafirma a defesa da escola gratuita, democrática e voltada aos interesses da população. A categoria denuncia que a entrada de empresas na gestão escolar submete prioridades pedagógicas e comunitárias a contratos financeiros. O dia de greve marcou, assim, uma resposta organizada dos trabalhadores da educação contra a privatização do ensino no Rio Grande do Sul.

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