A histeria é recorrente nesses textos que costumam falar de mudanças climáticas. Esse é o caso do artigo A onda de calor que está reescrevendo a história climática da Europa, de Henrique Cortes, republicado no sítio Revista Movimento nesta quinta-feira (25).
Quem pode levar a sério que uma onda de calor esteja “reescrevendo” a história climática da Europa? Não faz o menor sentido, mesmo porque o continente já teve períodos mais quentes que o atual.
Os problemas acontecem desde o primeiro parágrafo, que diz que “a França viveu nesta semana sua noite mais quente desde 1947, escolas fecharam de Londres a Roma e o número de mortes por afogamento já passa de 40. O que estamos vendo não é só um verão quente, mas o retrato do que vem por aí.”
Aparentemente, o jornalista tem uma bola de cristal para poder afirmar que as temperaturas serão assim daqui em diante. Além disso, é muito conveniente começar a contar a partir de 1947, pois o hemisfério norte passou por um resfriamento significativo entre as décadas de 1940 e 1970, tanto que, em vez de aquecimento global, se falava de uma nova era glacial.
A amostragem é muito pequena em se tratando de clima que experimenta variações enormes conforme se aumenta a amostragem. Há extensa documentação, como evidências em anéis de árvores, que comprovam que o período medieval entre os anos 900 e 1300 foi extremamente quente, a ponto de se cultivar vinhedos na Inglaterra. A Groenlândia, apesar de estar hoje coberta de neve, recebeu esse nome dos vikings que significa “Terra Verde”.
Nos Estados Unidos, a década de 1930 teve ondas de calor muito fortes. O verão de 1947 na Europa, que o texto cita, foi muito severo, e por causas naturais, pois não havia ainda o pico de emissão de CO₂.
Truque da emotividade
O autor escreve que leu uma frase, que considera assustadora, de uma moradora de Bruxelas que diz o seguinte: “E se, no futuro, tivermos que viver esse tipo de situação dia após dia?” O depoimento de uma pessoa não pode substituir a análise científica dos fatos, apenas cria uma carga emotiva para convencer os leitores de que o clima será assim no futuro. Porém, muita coisa pode acontecer, não está descartada, por exemplo, uma erupção vulcânica que lance muitas cinzas na atmosfera e, com isso, provoque a queda da temperatura.
É o cúmulo ter de ler frases como “o que estamos vendo não parece mais um evento isolado”, ou “Parece, cada vez mais, um ensaio do normal.” – Quem está com a mente presa apenas no presente, acaba se perdendo nas aparências. – grifos nossos.
Outro truque muito utilizado por esses profetas do Apocalipse são os recordes. Mas esse é um dado muito enganoso. A cada dia, são instalados mais e mais sensores atmosféricos pelo mundo. Se uma temperatura superar uma anterior por um décimo, ou um centésimo, pronto, já está estabelecido um novo “recorde”.
Para completar a carga emotiva, o jornalista escreve que “noites quentes assim são particularmente perigosas. O corpo humano precisa de horas de temperatura mais baixa para se recuperar do calor acumulado durante o dia. Quando essa pausa não existe, o risco para a saúde aumenta, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.” É curioso, pois o frio também afeta esse mesmo grupo de pessoas, mas não convém tocar no assunto, o importante é manter uma causa única, a que coincide com a política imperialista para o clima.
Mais medo
Para corroborar sua visão “científica”, Henrique Cortes alerta o leitor sobre um certo “bloqueio ômega”, que supostamente seria “uma massa de ar frio posicionada perto de Portugal funciona como uma espécie de bomba, empurrando para o norte o ar quente que vem do norte da África. Esse padrão cria uma configuração parecida com a letra grega ômega, com ar quente concentrado no centro e ar mais frio nas bordas. O resultado é um efeito de “tampa de panela”: o calor fica represado, sem conseguir se dissipar e as temperaturas sobem dia após dia.”
Não existe consenso se o aquecimento aumenta ou diminui a frequência de bloqueios atmosféricos. Alguns estudos sugerem que sim, mas outros indicam que o aquecimento do Ártico pode, na verdade, enfraquecer esses bloqueios. E não se pode atribuir tanto efeito a uma massa de ar sobre um país quando existem inúmeros eventos oceânicos acontecendo ao mesmo tempo, como divulgam as recentes notícias sobre El Niño.
Números aleatórios
No artigo, Cortes fala que afogamentos já ultrapassam 40 na França e 5 na Alemanha, como se isso fosse uma consequência direta da onda de calor, o que é ridículo. Mais adiante, relata sobre a falta de ar-condicionado em um hospital na Espanha e do desligamento da central nuclear de Golech, no sudoeste da França. A questão é que isso é falta de planejamento. A França desligou a usina não porque o clima mudou, mas porque a empresa não investiu em sistemas de refrigeração alternativos. Em outros países, já existem torres de resfriamento a seco.
O texto não passa de histeria e alarmismo. O jornalista traz os números que interessam e deixa de lado aquilo que o contradiz, como o fato de a Europa ter passado por períodos mais quentes antes da era industrial, que elevou a tendência global de aquecimento em apenas 1,2ºC, variação que a humanidade já enfrentou inúmeras vezes em sua história.
Apesar de que o número de mortes por ondas de calor ter caído drasticamente na Europa, esses “ecologistas” alardeiam o fim dos tempos.
A esquerda que costuma ser financiada por ONGs costuma repercutir esse tipo de texto, pois o interesse é outro, não tem nada a ver com rigor científico.
É o imperialismo que leva adiante essa política catastrófica sobre o clima, pois consegue com isso pressionar os países atrasados, como fazem com o Brasil, tentando impedir, por exemplo, que o País explore seu petróleo. Para isso, utiliza uma esquerda pequeno-burguesa, mercenária e lesa-pátria.



