O Estado de S.Paulo publicou nesta quinta-feira (25) um editorial intitulado A tentação de controlar a PF, que é um show de cinismo. Esse jornal burguês sabe muito bem que a Polícia Federal já é controlada. Um exemplo disso é que, no Brasil, os palestinos estão praticamente impedidos de entrar, enquanto criminosos de guerra israelenses fazem turismo tranquilamente.
A grande imprensa, seguramente, sente saudade dos tempos do Mensalão, em que a PF combinava antes onde iria atuar para que pudessem ser tiradas boas fotos de dirigentes petistas algemados e sendo conduzidos por essa polícia “independente”.
Também eram muito vistosas as operações com duzentos homens armados de fuzis, helicópteros sobrevoando e, a coincidência das coincidências, a imprensa sempre estava no lugar certo e na hora certa.
A Polícia Federal era tão “independente” que investigou a presidenta Dilma Rousseff quando esta ainda estava no cargo. De onde vieram as ordens? Uma pista boa é o fato de o golpe de 2016 ter sido tramado e conduzido pelos Estados Unidos.
No primeiro parágrafo, o editorial diz que o jornal “apurou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se envolveu pessoalmente em uma articulação para reintegrar à Polícia Federal (PF) delegados que ora prestam assessoria a órgãos da administração pública e, principalmente, do Poder Judiciário.” Em ano eleitoral, e com a ficha corrida da PF, é melhor Lula se precaver.
Cinicamente, o jornal sustenta que “não se pode condenar quem interprete a ordem de Lula como uma intervenção no trabalho da PF, sobretudo na equipe que assessora o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das duas mais sensíveis investigações para o governo federal e o Congresso: as fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o famigerado caso Master.”
André Mendonça, corre a notícia, teria passado por cima da direção da PF para ir atrás de Jaques Wagner, o que impacta e joga lama na candidatura de Lula. E nem é preciso entender muito da politicagem da Justiça brasileira que pode muito bem utilizar a questão do INSS para envolver o filho, Fábio Luís Lula da Silva, e enterrar a candidatura do petista.
O jornal escreve que, “segundo consta, o alvo principal da medida seria o delegado federal Thiago Marcantonio Ferreira, que há cerca de um ano está lotado no gabinete de Mendonça e o auxilia diretamente na relatoria daqueles inquéritos.” Do jeito que trata a situação, vê aí normalidade, mas estão ferindo de maneira flagrante o princípio de imparcialidade da justiça e o devido processo legal.
Vimos isso no julgamento-farsa da trama golpista e na Lava Jato, quando o juiz é simultaneamente o investigador.
O Estadão não poderá condenar defensores de réus e investigados que sustentem que delegados lotados em gabinetes podem condicionar o andamento de inquéritos ou a decretação de medidas cautelares (como prisões e buscas) sem que se submetam à avaliação do Ministério Público (MPF), que é o titular da ação penal.
“Como não ficaria bem para o Palácio do Planalto determinar apenas a saída de Marcantonio sem expor ostensivamente a motivação política da decisão”, continua o editorial, “os próceres petistas optaram por dar uma aparência de política de segurança pública mais ampla, supostamente com o objetivo de reforçar, ora vejam, o combate ao crime organizado.” Por acaso a alocação de um delegado dentro do gabinete de Mendonça não tem motivação política?
Um dos erros do PT, dentre muitos, é abraçar essa política direitista de segurança pública e de “combate ao crime organizado”. Tanto é assim que o Estadão utiliza isso contra o governo, alegando que “assumindo que o objetivo de Lula seja mesmo fortalecer o combate ao crime organizado, cabe perguntar: o desvio de recursos de aposentados e pensionistas do INSS durante anos também não é obra de uma organização criminosa? E o que dizer das fraudes das quais é acusado o sr. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros a ele associados, descritas como o maior crime financeiro da história do País? Não seriam a materialização de práticas do crime organizado contemporâneo?”
Na verdade, o jornal já está sinalizando que é por aí que vão atacar Lula. Apesar do cinismo no trecho que diz que não estão “afirmando que o presidente da República esteja envolvido com o acobertamento de fatos potencialmente criminosos. Mas é incontornável reconhecer que a sinalização emitida por Lula não é boa.”
Em seguida, afirma que “objetivamente, ao influenciar a dinâmica das investigações, sua decisão produz o efeito prático de beneficiar suspeitos por alterar a estrutura de apoio à disposição de quem os investiga.” Exatamente o que está fazendo um delegado sentado na mesa ao lado de um ministro do STF.
O Estadão, apesar de em sua história ter apoiado a ditadura militar e todo tipo de golpes, além de dizer recentemente que ninguém choraria pelo Irã, que foi agredido covardemente e teve até escola de crianças bombardeada, precisa fingir ser o que não é. Por isso diz que “é sempre bom lembrar que uma democracia digna do nome não se sustenta apenas na legalidade formal dos atos públicos. Sustenta-se também na confiança de que as instituições funcionam com genuína autonomia e espírito republicano.”
Esse jornal não liga para a democracia, e quando pede autonomia para as instituições, apenas quer que o governo veja as polícias e instituições armando um golpe para as eleições e não faça nada.




