Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), deixando ao menos 188 mortos e cerca de 1.520 feridos, segundo o balanço mais recente divulgado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Pelo menos 157 pessoas estão desaparecidas e mais de 200 permanecem presas sob os escombros.
Os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, foram registrados com apenas 39 segundos de diferença na costa caribenha venezuelana. Segundo o Centro Nacional de Alerta de Tsunamis dos EUA, foi um fenômeno raro, no qual dois grandes abalos ocorrem quase ao mesmo tempo na mesma zona. O Serviço Geológico dos EUA (USGS) reclassificou o primeiro tremor, de magnitude 7,2, como precursor do terremoto principal, de 7,5.
De acordo com La Nación, foi o terremoto mais forte registrado na Venezuela desde 1900. Os epicentros foram localizados na região central do país, perto de Morón, no estado de Carabobo, e de Yumare, no estado de Yaracuy. O primeiro abalo ocorreu a cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas, nas proximidades de San Felipe, também em Yaracuy, segundo o Diario Expreso.
Mais de 100 réplicas foram registradas após os terremotos. O balanço oficial fala em cerca de 140. O tremor foi sentido também em Bogotá, capital da Colômbia.
Governo decreta emergência
A vice-presidenta Delcy Rodríguez declarou estado de emergência nacional. O balanço anterior divulgado por ela, de 164 mortos e 971 feridos, não incluía La Guaira, apontada como “zona de desastre” e considerada a área mais atingida.
O governo venezuelano determinou o fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, principal terminal aéreo do país. Em Caracas, foram suspensas as aulas, as atividades do metrô e o fornecimento de gás natural.
La Guaira concentra a maior destruição. Moradores relataram à imprensa local a demora na chegada da Proteção Civil para retirar pessoas soterradas. As operações de resgate são dificultadas pelas réplicas e pela falta de máquinas pesadas. Vizinhos se somaram às equipes de socorro na busca por sobreviventes.
Segundo o balanço divulgado, cerca de 200 edifícios estão danificados, principalmente em La Guaira. Outras informações indicam até 250 prédios atingidos. Também foram registrados saques em Catia La Mar, em um estabelecimento de alimentos.
Falhas geológicas
Os terremotos tiveram origem em um sistema de falhas geológicas situado no limite entre as placas do Caribe e Sul-americana, entre elas as falhas de Boconó, San Sebastián e El Pilar. A falha de Boconó, com cerca de 500 quilômetros de extensão, já esteve ligada a grandes terremotos em 1610 e 1894.
O USGS divulgou também uma estimativa estatística que aponta a possibilidade de 10 mil a 100 mil mortos. A cifra, no entanto, é uma projeção feita por modelo, não uma contagem oficial de vítimas.
Solidariedade à Venezuela
A teleSUR destacou a solidariedade internacional e as medidas adotadas pelo governo venezuelano diante da tragédia. A emissora informou que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Brasil, expressou solidariedade ao povo venezuelano. A Nicarágua também divulgou mensagem de apoio à Venezuela.
Jorge Rodríguez afirmou que o país enfrenta a crise sismológica mais severa das últimas três décadas. Delcy Rodríguez convocou uma oração nacional e pediu calma à população.
Em Chacao, o prefeito Gustavo Duque disse à teleSUR que mantinha comunicação com pessoas presas sob os escombros e que esperava resgatá-las com vida. Moradores próximos à sede da emissora relataram paredes rachadas e dificuldade para sair de casa após os tremores.
Cuba informou, por meio do chanceler Bruno Rodríguez, que os colaboradores cubanos da saúde já presentes na Venezuela foram mobilizados para o atendimento médico. O Irã, por meio do porta-voz Esmaeil Baqaei, manifestou disposição de prestar toda a ajuda necessária nas operações de resgate.
A Rússia enviou mensagem de solidariedade ao “amigo povo venezuelano” e afirmou estar pronta para atender rapidamente qualquer pedido de ajuda. O presidente russo, Vladimir Putin, enviou carta de condolências. A China ofereceu ajuda e afirmou acompanhar a situação.
Outros países também anunciaram apoio. O México informou o envio de uma equipe militar de 250 socorristas e profissionais de saúde da Sedena, especializados em resgates em estruturas destruídas. A França ofereceu 85 socorristas. Suíça, Países Baixos, Espanha, Itália, Cruz Vermelha Internacional, ONU, Vaticano e União Europeia também anunciaram medidas de auxílio, entre elas a liberação de recursos e o uso do sistema satelital europeu Copernicus.
Os EUA anunciaram US$ 150 milhões em assistência humanitária, sendo US$ 100 milhões destinados à OCHA e US$ 50 milhões a organizações que atuam no país. O secretário de Estado Marco Rubio anunciou o envio de equipes de busca e resgate, e o Comando Sul afirmou estar mobilizando apoio.





