O líder iemenita Sayyed Abdulmalik al-Houthi afirmou que o Ansar Alá poderá atacar atividades de “Israel” na Somália, na quinta-feira (25), durante discurso de Ashura. O líder iemenita disse que o movimento acompanha com preocupação a tentativa “israelense” de se instalar no Chifre da África. A advertência ligou a defesa da Somália à segurança do Mar Vermelho, do Golfo de Áden e do estreito de Bab al-Mandeb.
Al-Houthi declarou que o povo iemenita segue firme em seu caminho de libertação e permanece ligado às causas centrais das nações árabes e islâmicas, especialmente à causa palestina. No mesmo discurso, felicitou o Irã por sua “grande vitória sobre os inimigos da nação”, apresentada como triunfo do Eixo da Resistência. A fala ocorreu em um ambiente de fortalecimento das forças contrárias a “Israel”.
O ponto mais direto foi a Somália. O líder do Ansar Alá afirmou que “Israel” busca estabelecer uma base de apoio no país para controlar áreas estratégicas do tráfego marítimo mundial. O Golfo de Áden e Bab al-Mandeb são passagens vitais entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Canal de Suez. Qualquer presença militar hostil nesse corredor ameaça diretamente o Iêmen, a Somália e os demais países da região.
Al-Houthi disse que o movimento não ficará de braços cruzados diante da expansão “israelense” no Chifre da África. Também afirmou que o Ansar Alá tomará a iniciativa “a qualquer momento” para frustrar atividades de “Israel” em solo somali. A declaração amplia o alcance político da resistência iemenita, que já atua contra navios e interesses ligados a “Israel” no contexto da guerra contra Gaza.
O discurso também convocou os países banhados pelo Mar Vermelho a adotar posição comum. Para Al-Houthi, a ameaça não diz respeito apenas ao Iêmen ou à Somália, mas a toda a região. A instalação de estruturas ligadas a “Israel” em território somali seria uma violação da soberania somali e um fator de desestabilização para o Chifre da África.
Autoridades iemenitas já haviam feito advertências semelhantes. Em 24 de junho, o vice-ministro das Relações Exteriores do Iêmen, Abdulwahid Abu Ras, afirmou que atividades “israelenses” na Somalilândia, província rebelde da Somália, ameaçam a unidade do país africano e a estabilidade regional. Ele acusou a liderança da região separatista de transformar Hargeisa, Berbera e outras áreas estratégicas em plataformas a serviço de objetivos “israelenses”.
Abu Ras afirmou que o maior prejuízo recai sobre o povo somali. Segundo ele, a presença “israelense” busca minar a soberania da Somália e transformar o país em arena de conflito regional. O dirigente também advertiu as partes somalis contra “promessas enganosas” e conclamou países vizinhos a avaliar cuidadosamente as implicações dessa movimentação.
A posição do Ansar Alá representa uma extensão da frente de resistência ao Chifre da África. Ao relacionar Somália, Mar Vermelho e Palestina, Al-Houthi sinalizou que a disputa contra “Israel” não se limita ao território palestino, mas envolve rotas marítimas, bases, alianças regionais e soberania dos países africanos e árabes diante da penetração militar “israelense”.





