Internacional

Irã: Itália deve rejeitar formalmente uso de bases para ataque

Chanceler italiano disse que aeronaves dos EUA não saíram do país europeu e que nenhuma autorização foi concedida

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, cobrou uma negativa oficial da Itália, em conversa com seu homólogo Antonio Tajani na quinta-feira (25). O chanceler se referia às declarações do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, de que parte das aeronaves norte-americanas que atacaram o Irã partiram de território italiano. O caso ampliou a pressão sobre o governo italiano, que já havia negado participação territorial na ofensiva dos EUA e de “Israel” contra a República Islâmica.

O secretário-geral da OTAN afirmou, em entrevista à emissora Fox News, que o governo italiano teria permitido a saída de 500 aeronaves militares norte-americanas de instalações dos EUA no país europeu durante a guerra de 40 dias iniciada no fim de fevereiro. Tajani telefonou a Araghchi e rejeitou a acusação. O chanceler italiano afirmou que nenhuma instalação militar em território italiano foi usada para ataques contra o Irã e declarou que esse tipo de uso não seria permitido no futuro. Também disse que aviões dos EUA envolvidos nos bombardeios não partiram da Itália e que o governo italiano nunca autorizou qualquer ação militar contra a República Islâmica.

Araghchi recebeu o esclarecimento, mas considerou insuficiente uma declaração apenas em conversa bilateral. Para o chanceler iraniano, a gravidade da afirmação feita por Rutte exige uma manifestação explícita e pública do governo italiano. A questão atinge a responsabilidade política de um membro da OTAN em uma agressão estrangeira. Mesmo com a negativa de Tajani, a declaração de Rutte colocou em disputa a versão apresentada pelo governo italiano.

O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irã, Kazem Gharibabadi, também advertiu que a fala de Rutte pode gerar consequências legais para os países envolvidos. Ele afirmou que, pela Resolução 3314 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), permitir que um Estado use o território de outro para agredir um terceiro Estado constitui ato de agressão.

O episódio expõe a tensão entre a presença militar dos EUA na Europa e a soberania dos países que abrigam essas estruturas. A cobrança de Araghchi não se limita a uma retificação diplomática: o governo iraniano quer que a Itália assuma publicamente que seu território não foi usado e que não servirá a novas agressões contra a República Islâmica.

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