A Embaixada de “Israel” criticou um grupo ucraniano de extrema-direita, em Quieve, na quarta-feira (24), após ato realizado no domingo (21). A representação diplomática de um país que repete os crimes do nazismo afirmou que integrantes do movimento Irmandade teriam usado símbolos, saudações e palavras de apologia à doutrina alemã durante contraprotesto contra uma marcha LGBT. A tensão expôs novamente um dilema para a propaganda imperialista: admitir que a Ucrânia é dominada por grupos nazistas ou tentar acusar grupos pró-palestina de nazismo, enquanto apoia manifestações abertamente nazistas no país do leste europeu.
O protesto ocorreu no centro da capital ucraniana. A polícia usou barreiras para separar a marcha LGBT e o ato de grupos de extrema direita. Eventos semelhantes já foram marcados por confrontos e violência de rua em anos anteriores. Desta vez, os grupos nazistas se reuniram com roupas pretas e máscaras, marcharam pela cidade e fizeram provocações contra os participantes da parada.
A Embaixada de “Israel” cobrou resposta rápida das autoridades policiais ucranianas. O comunicado afirmou que membros do movimento Irmandade, liderado pelo nazista Dmitri Korchinski, entoaram lemas nazistas e fizeram saudações nazistas. Ainda assim, a crítica tem peso político porque parte de um governo que é aliado da Ucrânia.
O imperialismo tem tentado negar ou minimizar a presença nazista na Ucrânia desde 2014, apesar da vasta atuação paramilitar de grupos nazistas para atacar sindicatos e organizações populares e do uso desses grupos para controlar o regime político ucraniano. O imperialismo tenta sustentar essa posição apesar também da incorporação de milícias nazistas, como o Batalhão de Azov, às forças armadas da Ucrânia desde o golpe de 2014.
Embora seja algo raro e episódico, não é a primeira vez que “Israel” critica o nazismo ucraniano. Em 2018, o então embaixador israelense na Ucrânia, Joel Lion, protestou contra a decisão de uma região ucraniana de homenagear Stepan Bandera, tratado por “Israel” como colaborador da Alemanha nazista. Em janeiro de 2020, os embaixadores de “Israel” e da Polônia condenaram a glorificação de Bandera e Andriy Melnyk, ligados aos colaboradores do nazismo na Segunda Guerra. Em janeiro de 2021, Joel Lion voltou a condenar uma marcha anual em homenagem a Bandera, dizendo que “Israel” condenava a glorificação de colaboradores do regime nazista e a Ucrânia deveria lidar com o seu passado.
As críticas se repetiram algumas vezes em anos seguintes. Em janeiro de 2022, a embaixada israelense em Quieve condenou novamente a marcha por Bandera. Em julho de 2022, a embaixada israelense em Berlim criticou o então embaixador ucraniano Andriy Melnyk por declarações defendendo Bandera, classificando-as como distorção histórica, banalização do Holocausto e insulto às vítimas de Bandera e seus seguidores. Em maio de 2026, o Ministério das Relações Exteriores de “Israel” e o Yad Vashem criticaram a cerimônia oficial de reenterro de Andriy Melnyk, líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, dizendo que ele colaborou com os nazistas e que a homenagem ignorava a memória das vítimas do Holocausto.
As declarações de “Israel” colocam em rota de colisão duas linhas de propaganda imperialistas, uma que tenta ocultar o nazismo ucraniano e outra que tenta mostrar ao mundo que “Israel” protegeria os judeus e combateria o nazismo. De um lado, se “Israel” ignorar manifestações abertamente nazistas na Ucrânia, o lóbi do país fica desmoralizado ao acusar o movimento pró-palestina de nazismo. De outro lado, se “Israel” denunciar o nazismo ucraniano, desmascara o cinismo imperialista que o nega.





