A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã denunciou interferência de autoridades dos Estados Unidos contra Mehdi Taremi e Saeed Alhoei durante o deslocamento da equipe para Seattle, na quarta-feira (24). O episódio atrasou a delegação antes da partida contra o Egito, confronto decisivo para a seleção iraniana no grupo G da Copa do Mundo.
A nota da federação informou que o time chegou cedo ao aeroporto, mas voltou a enfrentar problemas provocados pelas autoridades do país-sede. A federação registrou que a interferência envolveu o atacante Taremi e o treinador Alhoei, integrante da comissão técnica, e fez o restante do grupo aguardar os dois antes da decolagem. A entidade tratou o caso como uma nova ocorrência de assédio pelos EUA.
O episódio não aparece isolado. A preparação iraniana para a Copa foi diretamente atingida pelas agressões não provocadas dos EUA e “Israel” contra o Irã, pela ameaça de boicotes, por restrições de visto a integrantes da comissão técnica e pela mudança da base de treinos para o México. A seleção, embora participante regular do torneio, foi submetida a barreiras políticas impostas pelo próprio país-sede.
A denúncia reforça que a equipe iraniana não enfrentou apenas dificuldades esportivas. A logística de viagem virou instrumento de pressão, com atrasos, controle reforçado e tratamento discriminatório em momentos decisivos de preparação. A federação já havia reclamado de problemas semelhantes em outras entradas da delegação nos EUA.
Na terça-feira (23), o governo norte-americano flexibilizou restrições e permitiu que o Irã viajasse com dois dias de antecedência para a cidade do jogo. A medida reduziu parcialmente o prejuízo esportivo, mas não eliminou os constrangimentos no embarque. A delegação seguia para Seattle, onde enfrentaria o Egito na madrugada de sexta-feira para sábado, à meia-noite no horário de Brasília.
O Irã chegou à rodada como segundo colocado do grupo G, com dois pontos, ainda com chances de classificação. Nesse cernárioo, qualquer atraso logístico pesa sobre treino, descanso, adaptação ao local da partida e preparação da comissão técnica. O caso envolvendo o centroavante Taremi atinge ainda o principal nome ofensivo da equipe.
O Senado dos EUA também aprovou resolução para impedir novos ataques ao Irã sem aval prévio do Legislativo, sinalizando que a tensão militar seguia presente mesmo após o acordo de paz divulgado na semana anterior. Para a seleção iraniana, a Copa ocorre sob vigilância e restrições que extrapolam o campo. A denúncia da federação expõe o uso da condição de país-sede para atacar o Irã em plena competição.





