A ONG Reproductive Freedom for All anunciou um programa de US$ 23,5 milhões nos EUA, na quarta-feira (24), no quarto aniversário da decisão Dobbs, para mobilizar eleitores nas legislativas de novembro. A iniciativa “Meu Corpo, Meu Voto” será a maior operação eleitoral de meio de mandato já lançada pela entidade e terá prioridade no Arizona, Michigan, Nevada, Califórnia e Geórgia.
A ofensiva contra o aborto ganhou novo fôlego desde que a Suprema Corte, controlada por conservadores, derrubou em 2022 a decisão Roe contra Wade, que desde 1973 garantia proteção federal à interrupção da gravidez. Desde então, cerca de 20 estados mantêm proibições totais ou parciais, além de limites por tempo de gestação, ampliando deslocamentos forçados, negação de cuidados em abortos espontâneos e perseguição ao uso de medicamentos.
A campanha aparece nesse cenário como resposta eleitoral à extrema direita, mas seu conteúdo central é canalizar a indignação popular para candidaturas do Partido Democrata. O plano prevê abordagem direta a eleitores, pesquisas, ações digitais, treinamento de militantes e programas coordenados com campanhas específicas, inclusive para disputar republicanos moderados, independentes e eleitores que dividem voto entre partidos.
A ONG afirma ter 4,5 milhões de integrantes e pretende usar essa base para pressionar distritos da Câmara e disputas estaduais. A iniciativa busca converter o repúdio aos ataques contra as mulheres em capital eleitoral para uma legenda integrada profundamente ao imperialismo dos EUA.
A contradição aparece mais explicitamente na política externa. O Partido Democrata, apresentado pela ONG como instrumento de defesa dos direitos reprodutivos, sustentou politicamente a ofensiva sionista contra a Faixa de Gaza, que atingiu mulheres, especialmente grávidas e em idade reprodutiva, crianças e a infraestrutura mínima de sobrevivência palestina. A defesa abstrata da “liberdade reprodutiva” dentro dos EUA convive com o apoio a uma política que destrói os povos oprimidos.
A campanha fortalece a estrutura que permite o ataque aos direitos das mulheres. Ela tenta disciplinar o movimento pelo aborto dentro do calendário eleitoral e dos interesses do partido, o maior apoiador do genocídio na Faixa de Gaza. A esquerda que se subordina a esse tipo de operação de propaganda das ONGs abandona a organização independente das trabalhadoras e termina apoiando o imperialismo.





