A concessionária Metrô BH deixou relatórios de acompanhamento sem atualização no portal da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais, em Belo Horizonte, até segunda-feira (22). Parte dos dados usados para avaliar arrecadação, demanda e desempenho operacional apresenta defasagem de até 15 meses, embora o contrato de concessão exija publicidade dessas informações.
A ausência de atualização atinge documentos centrais para acompanhar o metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Estão defasados relatórios sobre passageiros transportados, receitas da concessão, auditorias operacionais e conservação da rede. Em alguns casos, como o relatório anual sobre o estado de conservação da malha metroferroviária, as informações mais recentes são de 2024.
Relatórios sobre déficits e superávits tarifários e sobre receitas extraordinárias foram atualizados pela última vez no primeiro trimestre de 2025. Esses documentos servem para verificar se a arrecadação com passagens ficou acima ou abaixo das projeções feitas na modelagem da concessão, além de registrar ganhos com publicidade, exploração comercial de espaços e outras fontes.
Os números sobre demanda de passageiros também estão desatualizados. As informações mais recentes são do segundo trimestre de 2025. Sem esses dados, usuários, trabalhadores e órgãos de controle ficam impedidos de avaliar com regularidade se o sistema está ganhando ou perdendo passageiros e como isso afeta o contrato.
A auditoria do sistema de bilhetagem tem a última publicação referente ao quarto trimestre de 2025. Esse relatório é fundamental para conferir a consistência das informações de cobrança, validação de passagens e arrecadação. Já os relatórios de atendimento aos parâmetros de desempenho foram atualizados pela última vez em fevereiro de 2026.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade afirmou que o portal passa por atualização contínua e que está prevista nova versão da página dedicada à concessão. No entanto, não informou se a concessionária já enviou os relatórios nem apresentou prazo para regularizar a divulgação.
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais já havia cobrado melhorias na divulgação de informações sobre a concessão. A defasagem atual mostra que o controle público segue limitado. Sem dados atualizados, a população paga tarifa e depende do serviço sem conseguir verificar adequadamente o desempenho da concessionária.
A ausência de dados tão simples de serem fornecidos é motivo para que a população levante suspeitas sobre a concessão desse serviço público construído com o dinheiro do povo.



