A candidatura ligada ao governo de Gustavo Petro aparece atrás na eleição presidencial da Colômbia por menos de dois pontos percentuais, segundo a contagem preliminar, enquanto o resultado oficial ainda não foi proclamado pela autoridade eleitoral. Diante desses números, o presidente colombiano denunciou fraude e afirmou que houve uma invasão do sistema eletrônico do tribunal eleitoral, atribuída por ele ao Estado de “Israel” e à empresa privada Thomas Greg & Sons. O candidato da esquerda, por sua vez, apresentou mais de 50 mil reclamações de irregularidades.
A participação do sionismo em uma operação dessa natureza é perfeitamente possível. “Israel” realiza esse tipo de serviço para o imperialismo em diversas partes do mundo. Mas seria ingenuidade supor que apenas o Estado sionista dispõe de meios para isso. Os Estados Unidos contam com instrumentos muito superiores, assim como as demais potências imperialistas.
O ponto fundamental é outro. As vitórias eleitorais da direita na América Latina fazem parte de uma ofensiva golpista, aberta no continente na década passada, que precisa ser denunciada. O Peru acumulou presidentes derrubados e mantém suas eleições sob contestação. O Chile passou por uma mobilização popular que liquidou os partidos tradicionais do antigo centro, que teve que dar um golpe por meio da eleição de Gabriel Boric que, agora, deu lugar ao governo de extrema direita de José Antonio Kast. A Colômbia, que pela primeira vez havia eleito um governo de esquerda, vê agora a sucessão presidencial decidida por margem estreita e sob denúncia de fraude.
Esses acontecimentos revelam um padrão. Os candidatos de extrema direita que crescem em toda parte são sustentados pelos partidos ditos de centro, que são os partidos do grande capital. À medida que perdem seu eleitorado para a extrema direita, esses partidos passam a apoiá-los para preservar suas posições no regime político. O tal “centro” não combate a extrema direita, mas oferece a base política de que ela precisa para chegar ao poder.
Isso desmente uma das principais falsificações criadas pela imprensa imperialista: a ideia de que existe um antagonismo entre uma extrema direita autoritária e um centro democrático encarregado de contê-la. A Colômbia, o Peru e o Chile mostram o contrário. O mesmo ocorreu na Inglaterra, onde o Partido Trabalhista assumiu a política do imperialismo e terminou isolado, sem apoio popular, diante de uma derrota eleitoral de grandes proporções.
A instabilidade política na América Latina é permanente, e a eleição colombiana é mais um capítulo da ofensiva golpista aberta no continente há pouco mais de uma década. Nos países em que a esquerda chega ao governo, o imperialismo atua para derrubá-la. Nos países em que a direita avança nas urnas, ela conta com o regime eleitoral e com os partidos do grande capital a seu serviço.





