A Coordenadora das 6 Federações do Trópico de Cochabamba realizou uma reunião de emergência, nesta segunda-feira (22), presidida pelo ex-presidente Evo Morales, para discutir a continuidade da mobilização contra o governo de Rodrigo Paz Pereira.
A reunião ocorreu em meio à ofensiva do governo contra as organizações populares mobilizadas. Segundo a Rádio Kausachun Coca, dirigentes das federações e representantes de setores atingidos pelas medidas do governo defenderam a continuidade da luta, apesar do estado de exceção decretado por Paz.
Um dos pontos discutidos foi o corte de serviços básicos no Trópico de Cochabamba. Edgar Condori, membro dos comerciantes da Bolívia, denunciou que a suspensão do fornecimento de energia elétrica provocou perdas no setor no município de Shinahota. Segundo ele, os comerciantes discutem medidas de luta caso a situação se repita.
Evo denuncia corte de serviços
Pelas redes sociais, Evo Morales denunciou que o Trópico de Cochabamba sofre novamente com cortes de energia elétrica, interrupções nos sinais telefônicos e restrições nos serviços bancários.
“Novamente, o Trópico de Cochabamba sofre cortes de energia elétrica, interrupções nos sinais telefônicos e restrições nos serviços bancários. Estes são serviços essenciais que não podem ser suspensos para castigar milhares de famílias”, afirmou Morales.
Ele também cobrou a atuação das instituições que deveriam defender os direitos da população.
“Onde estão as instituições chamadas a defender os usuários e seus direitos? Onde está a Igreja Católica diante desta situação, a Assembleia Permanente de Direitos Humanos ou o Defensor do Povo?”, questionou.
Segundo o ex-presidente, no Trópico de Cochabamba “também vivem bolivianos e bolivianas com os mesmos direitos que qualquer cidadão do país”. Morales concluiu afirmando que “a paz e a democracia se constroem garantindo direitos, não privando um povo inteiro de serviços essenciais”.
Estado de exceção fracassou
Durante a reunião, dirigentes do Trópico também denunciaram a continuidade da crise econômica no país. Wilder Zapata, dirigente da Federação Trópico, afirmou que nada mudou com o governo Paz Pereira.
Segundo Zapata, a crise de combustíveis continua, os casos de narcotráfico aumentam e o país não merece Rodrigo Paz como presidente.
A ex-dirigente da Federação Trópico, Leonilda Zurita, também participou da reunião. Outra ex-executiva da Federação Trópico, Segundina Orellana Paniagua, afirmou que o estado de exceção fracassou na Bolívia. Ela também criticou Mario Argollo, da Central Operária Boliviana (COB), por retirar do centro das reivindicações a renúncia de Rodrigo Paz Pereira, exigência levantada pelo povo mobilizado.
COB apresenta exigências ao governo
A COB divulgou um documento com oito exigências ao governo. Entre elas, a Central exige que não haja privatizações, concessões encobertas nem entrega direta ou indireta de empresas públicas estratégicas a interesses privados nacionais ou estrangeiros.
A Central também rejeita qualquer acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e pede a expulsão e a investigação do consultor político argentino Fernando Cerimedo, apontado como assessor pessoal de Rodrigo Paz Pereira.
O documento foi apresentado depois que Mario Argollo afirmou que a falta de resposta do governo levará à ampliação das mobilizações e à continuidade do conflito nas estradas. Ao mesmo tempo, a retirada da exigência de renúncia do presidente provocou críticas entre setores mobilizados.
Organizações populares mantêm bloqueio apesar de estado de exceção





