América Latina

’Israel’ invade sistemas eleitorais da Colômbia, denuncia Petro

Resultado preliminar aponta disputa estreita, contestação em 33 mil seções e protestos em Cali e Bogotá contra Abelardo de la Espriella

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou que “Israel” interferiu no segundo turno presidencial, na segunda-feira (22), após a divulgação de uma contagem preliminar favorável ao conservador Abelardo de la Espriella. Petro afirmou que havia indícios de alteração em endereços de protocolo de internet de servidores da Registradoria Nacional e pediu revisão geral da votação.

Petro escreveu na rede X que já havia alertado para a vulnerabilidade do programa usado pela empresa dos irmãos Bautista, família empresária por trás da Thomas Greg & Sons, empresa privada contratada há anos na Colômbia para serviços de logística eleitoral, impressão de documentos oficiais, cédulas, tarjetões eleitorais e passaportes.

O presidente também citou decisão de 2018 do Conselho de Estado pela substituição do sistema por um programa público. O presidente afirmou ter pedido perícia especializada, mas disse que o registrador não permitiu a auditoria. Ao apontar a mudança de endereços em servidores eleitorais, declarou que o único país capaz de realizar operação desse tipo seria “Israel”.

A denúncia foi feita em meio à tensão causada pela apuração. Com 99,99% das seções informadas, os dados apontavam de la Espriella com 49,66% dos votos, contra 48,70% de Iván Cepeda, candidato ligado ao governo. A margem era de 0,96 ponto percentual. A contagem permanecia preliminar, sem caráter oficial ou vinculante. Petro pediu uma “batalha pela democracia” e cobrou verificação minuciosa.

O presidente renovou a exigência de escrutínio em todas as seções, com recontagem completa e análise das vulnerabilidades do programa usado no processo. Cepeda reconheceu os números preliminares no domingo, mas informou a apoiadores em Bogotá que sua campanha contestaria a apuração de 33 mil seções durante o processo oficial. Ele afirmou ainda que a esquerda seguiria aberta ao diálogo pela unidade do país.

Pouco depois, de la Espriella declarou vitória diante de apoiadores em Barranquilla, no departamento do Atlântico, mesmo sem resultado oficial final. O gesto ampliou a tensão, pois ocorreu quando a apuração ainda não tinha sido encerrada.

A votação de domingo definiu a sucessão de Petro e colocou frente a frente a plataforma de esquerda de Cepeda e a extrema direita de De la Espriella. Em Cali e Bogotá, manifestantes denunciaram a vitória proclamada e apontaram influência dos Estados Unidos no desfecho. Em Cali, um ato no bairro Porto Resistência começou de forma pacífica, com música de grupos de índios, mas mudou de tom após o discurso em Barranquilla.

Na capital do Valle del Cauca, manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e houve confrontos com a tropa de choque, que usou gás lacrimogêneo. Em Bogotá, jovens se reuniram do lado de fora da Universidade Nacional, também em rejeição aos resultados. Parte dos presentes ergueu barricadas e lançou objetos contra policiais, que atiravam gás.

Os protestos expressaram suspeitas de compra de votos e manipulação de cédulas. De la Espriella também provocou reação por seu histórico como advogado de narcotraficantes e acusados de fraude, por prometer bombardeios e megapresídios e por apoiar a exploração por fraturamento hidráulico. Após defender que a esquerda fosse “eviscerada” durante a campanha, adotou tom mais conciliador. Manifestantes avisaram que novas mobilizações ocorrerão se direitos forem ameaçados.

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