Corrida armamentista

OTAN planeja nova operação Barbarossa contra a Rússia

Vice-chanceler russo afirma que militarização europeia aponta para confronto até 2030 e compara estratégia atual à invasão nazista de 1941

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexandr Gruchco, comparou a militarização da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia (UE) aos preparativos nazistas contra a União Soviética, na Rússia, na segunda-feira (22). A declaração saiu no mesmo dia em que se completam 85 anos do início da ofensiva alemã de 1941, usada por Moscou para denunciar o objetivo de impor uma derrota estratégica ao país.

Gruchco afirmou que os países da OTAN e da UE estariam se preparando para uma colisão militar direta com a Rússia por volta de 2030. Para o vice-chanceler, a política atual dessas potências buscaria a derrota estratégica russa, repetindo um padrão de cerco e mobilização continental. A fala ocorre em meio ao aumento dos gastos militares europeus.

A Operação Barbarossa, citada pelo vice-ministro, foi a invasão da União Soviética pela Alemanha nazista e seus aliados europeus do Eixo em 22 de junho de 1941. Mais de 3,5 milhões de soldados alemães e aliados atacaram ao longo de uma frente de cerca de 2.900 quilômetros, com 148 divisões, 3.400 tanques e 2.700 aviões. Nos seis primeiros meses, o Exército Vermelho sofreu cerca de 4 milhões de baixas, e milhões de prisioneiros soviéticos foram lançados em campos alemães, onde fome, frio, doenças e execuções mataram grande parte dos capturados.

O caráter da ofensiva foi muito além de uma campanha militar convencional. A guerra nazista contra a União Soviética foi uma guerra de extermínio, dirigida não só contra militares, mas contra prisioneiros de guerra e toda a população civil. O projeto previa tomar terra, alimentos, petróleo e mão de obra e abrir espaço para colonização alemã. A brutalidade esteve ligada a ordens, fome organizada, massacres e assassinato de prisioneiros.

A comparação também mira a escalada militar recente. Países da OTAN passaram a justificar rearmamento acelerado com a alegação de ameaça russa. A aliança assumiu compromisso de elevar gastos de defesa a 3,5% do produto interno bruto até 2035, enquanto a Alemanha tem impulsionado fortemente seu orçamento militar. Autoridades dos Estados Unidos e da Europa também afirmaram que a Rússia poderia atacar a OTAN em poucos anos, tese rejeitada por Vladimir Putin como provocação deliberada.

O governo russo denuncia que os Estados Unidos e seus aliados usam a Ucrânia como instrumento de desgaste contra a Rússia. A declaração de Gruchco procura enquadrar o rearmamento europeu como preparação ofensiva de longo prazo. Ao recuperar a data de 22 de junho de 1941, o governo russo associa a escalada militar atual à memória de uma das maiores tragédias humanas da história.

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