Inglaterra

Governo sionista e imperialista do Reino Unido cai de podre

Starmer renunciou à direção do Partido Trabalhista após derrota eleitoral, revolta interna e repúdio ao apoio a “Israel”

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou, na manhã de segunda-feira (22), sua renúncia à direção do Partido Trabalhista. A declaração foi feita em pronunciamento televisionado diante de Downing Street, sede do governo britânico.

“Vou renunciar como líder do Partido Trabalhista. Falei com Sua Majestade, o Rei, esta manhã para informá-lo da minha decisão”, afirmou Starmer.

A renúncia ainda não tira Starmer imediatamente do cargo de primeiro-ministro. Ele informou o rei Carlos III de sua decisão, mas continuará como chefe interino do governo até a escolha de um novo líder trabalhista. Como o Partido Trabalhista tem maioria parlamentar, o vencedor da disputa interna assume o comando do governo sem nova eleição geral.

O anúncio encerrou uma crise aberta dentro do próprio partido. Na sexta-feira (19), após a vitória de Andy Burnham na eleição suplementar de Makerfield, Starmer ainda prometia resistir. Disse que disputaria uma eleição interna e que não iria “ir embora”. No fim de semana, a pressão dos deputados e ministros trabalhistas tornou a posição insustentável.

No pronunciamento de renúncia, Starmer afirmou que a pergunta feita por seu partido era se ele era o homem mais indicado para conduzir o Trabalhismo na próxima eleição geral. “Ouvi a resposta da minha bancada parlamentar a essa pergunta, e a aceito com boa vontade”, disse.

Jornais como The Guardian e The Telegraph vinham afirmando, com base em fontes anônimas, que centenas de deputados trabalhistas poderiam apoiar Burnham e que ministros preparavam uma intervenção para forçar a saída de Starmer.

O cronograma divulgado, por sua vez, indica que as indicações de candidatos para a direção do Partido Trabalhista serão abertas em 9 de julho. O processo deve ser concluído antes do recesso de verão, em 16 de julho. Outras informações apontam que o partido pretende encerrar a sucessão antes do retorno do Parlamento em setembro.

A queda de um governo sionista

Starmer não caiu apenas por causa da economia. O governo trabalhista caiu de podre porque governou como um governo sionista e imperialista.

Desde o início da ofensiva de “Israel” contra Gaza, Starmer se colocou ao lado dos genocidas. O primeiro-ministro chegou a declarar que “Israel” “tinha o direito” de cortar água e energia dos palestinos sitiados, uma defesa aberta do genocídio perpetrado pela ocupação sionista. Também impôs disciplina ao Partido Trabalhista para impedir o apoio parlamentar a uma moção contra essa política.

A posição teve custo elevado dentro da própria base trabalhista. Pesquisa YouGov apontou que apenas 14% dos britânicos consideravam boa a atuação de Starmer sobre Gaza, contra 52% que a consideravam ruim. Entre os eleitores trabalhistas de 2019, 83% queriam que “Israel” cessasse o ataque.

O governo também reprimiu os defensores da Palestina no Reino Unido. A proibição do Palestine Action levou à prisão de milhares de manifestantes, perseguidos com base em legislação de terrorismo. Jeremy Corbyn afirmou que a impopularidade do governo vinha também dos “ataques draconianos aos direitos de reunião e à liberdade de expressão”.

Essa política provocou uma fuga pela esquerda. Ainda em 2024, candidatos independentes ligados à defesa da Palestina derrotaram ou quase derrotaram candidatos trabalhistas em distritos como Islington North, Bristol Central, Dewsbury, Blackburn, Leicester South, Birmingham Yardley e Ilford North. O Partido Verde também passou a atrair eleitores que romperam com o Trabalhismo por causa de Gaza, da repressão e da política de guerra e pode ser uma alternativa do imperialismo à falência do Partido Trabalhista.

Derrota eleitoral

O golpe final veio nas eleições locais de maio e na eleição suplementar de Makerfield. Em maio, o Trabalhismo perdeu o controle de 35 conselhos municipais e quase 1.500 vereadores, cerca de 60% das cadeiras em disputa.

No País de Gales, a derrota foi histórica. O Trabalhismo perdeu uma hegemonia de 100 anos e caiu para o terceiro lugar. A chefe do governo galês, Eluned Morgan, tornou-se a primeira chefe de governo em exercício a perder a própria cadeira em uma eleição na história britânica.

A vitória de Andy Burnham em Makerfield completou o desgaste de Starmer. Burnham derrotou o candidato do Reform UK, Rob Kenyon, por 9.231 votos, com cerca de 55% dos votos. A vaga havia sido aberta deliberadamente: o deputado Josh Simons renunciou para permitir que Burnham concorresse e voltasse à Câmara dos Comuns.

Burnham chegou a Londres de trem, vindo de Manchester, na tarde de segunda-feira, e tomou posse como deputado. A partir daí, ficou habilitado a disputar a direção do Partido Trabalhista e, portanto, a chefia do governo.

Pouco depois da renúncia de Starmer, Burnham confirmou que será candidato. Ele já havia tentado chegar à direção do Partido Trabalhista em 2010 e 2015. Na segunda disputa, foi derrotado por Jeremy Corbyn, cuja vitória levou a direita trabalhista e os sionistas a organizarem uma campanha contra ele, apresentada sob a falsa acusação de antissemitismo por sua oposição à política de “Israel”.

Burnham e os limites da troca

Burnham não é um estranho ao aparelho trabalhista. Embora procure se apresentar como alternativa ao desgaste do governo, passou boa parte da carreira em Westminster. Foi ministro nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, inclusive secretário de Saúde.

Sua carreira ganhou novo peso quando assumiu a prefeitura da Grande Manchester, em 2017. A partir daí, construiu a imagem de dirigente regional, menos associado às disputas internas do Parlamento. Defendeu maior poder político e econômico para o norte da Inglaterra, mais investimentos públicos, controle local sobre transporte, habitação e planejamento econômico.

Seus apoiadores apresentam essa política como um caminho para recuperar eleitores operários que abandonaram o Trabalhismo. Mas Burnham não representa de maneira alguma uma ruptura com o partido. Sua posição é geralmente classificada como a ala moderada da esquerda trabalhista, entre o centro de Starmer e a corrente que se organizou em torno de Corbyn.

A diferença está menos no programa e mais na apresentação política. Burnham aparece como um dirigente com maior apoio popular e menor rejeição que Starmer. Isso, por si só, não altera o fato de que a sucessão ocorre dentro do mesmo partido que apoiou “Israel”, sustentou a política da OTAN e reprimiu manifestações em defesa da Palestina. Nesse sentido, a crise do regime britânico deve continuar mesmo após a saída de Starmer.

Apoio a Burnham

A candidatura de Burnham pode, inclusive, ser resolvida sem uma disputa real. Wes Streeting, ex-secretário de Saúde, que havia dito ter o apoio de 81 deputados para desafiar Starmer, surpreendeu ao anunciar apoio a Burnham. Com isso, o prefeito da Grande Manchester pode vencer sem oposição.

Streeting havia renunciado em maio, ao lado da ministra Jess Phillips e de outros integrantes do governo. A saída dos ministros foi um dos sinais de que Starmer perdia o controle sobre sua própria bancada. Até meados de maio, mais de 95 deputados trabalhistas já pediam sua renúncia ou um calendário de transição.

A queda de Starmer é mais um sinal da decomposição do regime político britânico. Caso a sucessão se conclua como previsto, o Reino Unido terá seu sexto primeiro-ministro em 10 anos, uma rotatividade extraordinária para um dos principais países imperialistas do mundo.

Linha do tempo

  • Julho de 2024: Partido Trabalhista vence a eleição geral por ampla maioria e Keir Starmer assume como primeiro-ministro.
  • Fevereiro de 2026: revelações dos arquivos Epstein atingem Peter Mandelson, embaixador nomeado por Starmer em Washington.
  • Maio de 2026: o Trabalhismo sofre dura derrota nas eleições locais e regionais na Inglaterra, Escócia e País de Gales.
  • Meados de maio de 2026: mais de 95 deputados pedem a saída de Starmer ou um cronograma de transição. Renunciam Wes Streeting, da Saúde, Jess Phillips e outros integrantes do governo.
  • 11 de junho de 2026: John Healey renuncia ao cargo de secretário de Defesa por discordar dos gastos militares. Al Carns e Pamela Nash também deixam o governo. Dan Jarvis assume a Defesa.
  • 18 de junho de 2026: Andy Burnham vence a eleição suplementar de Makerfield contra o Reform UK por 9.231 votos.
  • 19 a 21 de junho de 2026: Starmer passa o fim de semana em Chequers. Trump afirma que ele vai renunciar. A imprensa britânica publica informações de bastidor sobre a pressão para que apresente um cronograma de saída.
  • 22 de junho de 2026: Starmer anuncia que renunciará à direção do Partido Trabalhista. Burnham toma posse como deputado e confirma que disputará a sucessão.
  • 9 de julho de 2026: data prevista para abertura das indicações de candidatos à direção do Partido Trabalhista.
  • 16 de julho de 2026: data indicada por parte da imprensa para o encerramento do processo interno. Segundo previsões publicadas, Burnham pode assumir o governo em 18 ou 19 de julho; outras informações apontam conclusão antes do retorno do Parlamento em setembro.

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