Brasil

Perseguição faz com que homicídios entre índios sejam 22% maiores

Atlas da Violência 2026 mostra que a taxa de homicídios entre os índios é 22% superior à média nacional, em meio ao avanço do latifúndio, do garimpo ilegal e da repressão no campo

Os dados do Atlas da Violência 2026 e do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2025 trazem à tona uma realidade alarmante para os índios no Brasil. A taxa de homicídios entre eles é 22% superior à média nacional. Essa situação é ainda mais grave no Amazonas e no Mato Grosso do Sul, onde os conflitos por terra e recursos naturais são intensos e frequentemente violentos.

Conivência do Estado

A violência letal contra os índios está diretamente ligada à exploração predatória dos territórios, alimentada pelo crime organizado e pela ação criminosa dos governos e do Judiciário em favor dos latifundiários. Os conflitos fundiários, o garimpo ilegal e o narcotráfico são apenas algumas das ameaças enfrentadas diariamente por essas comunidades. No Amazonas, foram registrados 89 conflitos por terra em 2025, afetando mais de 23 mil famílias, conforme revelou a Comissão Pastoral da Terra. A atuação criminosa do latifúndio, quase sempre sob a proteção ou a omissão das autoridades, é um fator determinante nessa situação.

Grandes empreendimentos

O relatório da Comissão Pastoral da Terra aponta que fazendeiros, empresários e até mesmo os governos federal e estaduais estão entre os principais responsáveis pelos conflitos. A omissão do Estado ou sua intervenção para garantir os interesses dos grandes fazendeiros e dos capitalistas do campo fortalece a atuação de invasores e organizações criminosas. Tudo sob a constante cobertura do Judiciário, que endossa a política de perseguição, prisões e mortes dos índios.

Um dos aspectos denunciados pelas organizações dos índios e dos sem-terra é a fragilização dos órgãos que deveriam fiscalizar e atuar em defesa dos interesses dos índios e da maioria do povo. Esses órgãos foram esvaziados pelos governos golpistas de Temer e Bolsonaro e, na maioria das vezes, atuam apenas em função da política das ONGs sustentadas por monopólios e órgãos ligados ao imperialismo.

Por uma mobilização nacional

É urgente que haja uma mobilização nacional em defesa da demarcação das terras dos índios e contra a repressão às suas lideranças. A libertação de todos os índios presos injustamente e o fim dos processos judiciais que os perseguem são medidas urgentes. Além disso, é necessário assegurar o direito à autodefesa, incluindo o armamento dos índios para que possam proteger suas terras e suas vidas.

A Constituição Federal de 1988 garante os direitos originários dos índios sobre suas terras. No entanto, esses direitos continuam a ser violados sistematicamente. Os movimentos de luta dos índios devem se unir aos movimentos de luta dos sem-terra e de todos os trabalhadores para exigir a demarcação das terras dos índios e a reforma agrária com a expropriação do latifúndio.

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