O sionismo atuou durante décadas com grande impunidade. Essa impunidade chegou ao fim. Este é o significado da crise aberta entre os Estados Unidos e o Estado sionista depois do confronto com o Irã. A imprensa burguesa procura apresentar o caso como um desentendimento passageiro entre aliados, quando o que está em questão é algo mais grave: o impasse do próprio sionismo.
Durante muito tempo, “Israel” serviu como tropa de choque do imperialismo contra os povos do Oriente Próximo, por meio de ataques contra países e organizações em situação militar inferior. Foi assim contra o Líbano, contra a Síria e contra o povo palestino em Gaza. Mesmo nesses casos, porém, os limites já apareciam. Com todo o seu arsenal, o Estado sionista não conseguiu acabar com a resistência do Hesbolá em um país pequeno e cercado. Era um sinal do que viria depois.
O confronto com o Irã colocou o problema em outro patamar. A República Islâmica é um país muito maior que “Israel”, com Forças Armadas preparadas, capacidade de resposta e uma coesão política que a propaganda imperialista sempre tentou negar. Os que apostavam na desagregação interna do Irã, na suposta fragilidade de sua sociedade, foram desmentidos pelos acontecimentos. O sionismo descobriu que seu poder militar serve para massacrar adversários indefesos, mas encontra dificuldades quando o outro lado tem meios de revidar.
A reação dentro do próprio campo imperialista confirma esse impasse. Setores do governo norte-americano passaram a reclamar do descontrole do governo sionista, que procurava arrastar os Estados Unidos para uma guerra prolongada contra o Irã. O próprio Donald Trump reconheceu, ao justificar o recuo, que mais algumas semanas de conflito poderiam tornar a crise do petróleo incontrolável. O governo sionista queria que o imperialismo avançasse mais contra o Irã. O problema é que o imperialismo não tinha condições de sustentar essa política.
O sionismo foi útil ao imperialismo enquanto espalhava terror contra povos militarmente mais fracos. Passou a ser um problema quando sua aventura ameaçou levar seus próprios patrocinadores a uma situação que eles não podiam controlar. Um instrumento que custa mais do que rende deixa de servir a seu objetivo. É essa a posição em que o sionismo se encontra hoje.
O sionismo está condenado. “Israel” não foi derrotado apenas no terreno militar diante do Irã. Foi exposto diante de seus próprios padrinhos como uma engrenagem cara, descontrolada e cada vez menos útil à política do imperialismo.





